segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Lobby inglês no Senado mudou regras do pré-sal (texto postado por Roberto Requião em seu site)

Uma potência estrangeira, a Inglaterra, se achou no direito de participar diretamente de uma sessão da Comissão Mista da Câmara e do Senado Federal para estabelecer os principais tópicos da medida provisória que visa a regular a exploração do pré-sal no país. Não só participou como  mandou na votação. E a fonte da notícia dessa aberração não é nenhum oposicionista, mas o próprio The Guardian, principal jornal da Grã-Bretanha.
Segundo esse jornal, citado pelo blog Brasil 247, o governo inglês fez lobby, com sucesso, junto ao governo golpista de Temer, apelidado de Misshell, para mudar as regras de exploração do pré-sal em favor das inglesas Shell, BP e Premier Oil. O operador externo do lobby foi o ministro do Comércio inglês, Greg Hands, que veio ao Rio de Janeiro onde se reuniu com o operador interno, Paulo Pedrosa, secretário do Ministério de Minas e Energia.
Pedrosa disse que estava pressionando seus homólogos do governo brasileiro sobre as questões suscitadas pelos ingleses, de acordo com um telegrama diplomático britânico obtido pelo Greenpeace. Essa organização acusou o Governo britânico de “agir como braço de pressão da indústria de combustíveis fósseis”, a despeito de compromissos assumidos com metas de controle ambiental defendidos em Bonn.
Como resultado, a Inglaterra conseguiu que o governo brasileiro eliminasse exigências de compra de conteúdo local nos investimentos no pré-sal, reduzisse exigências ambientais e isentasse as grandes multinacionais de pagamento de impostos. Um representante da Shell comandou pessoalmente o lobby na comissão, sendo identificado e denunciado, na hora, pelo senador Lindberg Farias.
O ministro inglês esteve no Brasil em março e não se limitou a ir ao Rio de Janeiro. Esteve também em São Paulo e Belo Horizonte. Seu foco era justamente o de ajudar empresas britânicas a ganharem negócios de petróleo e água no Brasil. Sabe-se que, na conversa com Paulo Pedrosa, levantou “diretamente” as preocupações das empresas petrolíferas Shell, BP e Premier Oil britânicas sobre tributação e licença ambiental.
A pressão para flexibilizar regras de proteção na área crítica ambiental suscitou interesse do Greenpeace, que questionou as empresas e o Ministério do Comércio. Os esclarecimentos foram vagos e escamoteados. Curiosamente, os britânicos tem posição aparentemente ativa nas discussões da ONU sobre o controle de poluição, o que pode ter suscitado a reportagem do The Guardian.
É extravagante que comissão do Senado se sujeite a pressões internacionais nesses três campos vitais para o futuro do país. Conteúdo local, tributação justa e defesa ambiental são questões ligadas à soberania nacional. É fundamental que o Ministério das Minas e Energia seja questionado sobre mais essa medida de entrega a estrangeiros de bens que deveriam ser protegidos pela soberania.
As estimativas de isenção tributária para os contratos do pré-sal já negociados se elevam a cerca de um trilhão de dólares. Abrir mão desses recursos é um crime contra as gerações atuais e futuras. Eliminar exigências de conteúdo local é abrir mão da geração de emprego nos setores industriais de maior salário e maior geração de tecnologia. Por fim, a redução das regras ambientais significa simplesmente permitir que as grandes petroleiras poluam descaradamente o nosso mar e nosso território enquanto levam para suas matrizes os produtos limpos.
É difícil classificar os senadores que votaram por essa aberração na comissão. Seriam entreguistas da soberania nacional? Seriam negocistas cooptados pelo dinheiro inglês? Ou seriam apenas ignorantes, distraídos, incapazes de compreender o processo histórico que vivemos na era Temer, o Misshell? Não consigo me inclinar por nenhuma dessas classificações. Mas ainda tenho a expectativa de que, na votação do Senado, uma maioria se coloque a favor do Brasil, sobretudo depois que veio a público essa inacreditável ingerência estrangeira em nosso processo legislativo.

Comentário meu: Será que a Inglaterra permitiria algo similar com os campos de petróleo da Escócia? Será que a Coroa britânica permitiria que os campos de petróleo da Escócia fossem entregues à empresas como a Petrobrás, a Gazprom, a PDVSA ou qualquer outra petroleira estrangeira que nem estão fazendo agora com os campos do pré-sal? Tal ato acima de tudo é a Inglaterra mais uma vez praticando o velho protecionismo de sua economia que ela pratica desde o tempo do tratado de Methuen. Ou seja, desde os séculos XVII e XVIII. Foi por meio do protecionismo de sua economia e de sua indústria que a Inglaterra se tornou a senhora dos mares no século XIX, e não por meio da falácia do livre mercado que grupos como o MBL defendem. E protecionismo esse que após impor tarifas e impostos alfandegários sobre os têxteis indianos que vinham à Inglaterra posteriormente ajudou a destruiu com a indústria têxtil indiana no século XVIII.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Geopolítica felina (por Daniel Jur).

Esse é um texto que encontrei navegando no Facebook originalmente postado pelo usuário Daniel Jur e que achei interessante postar aqui no blog. Desde tenra idade sempre tive grande fascínio por grandes felinos, os quais por seu turno exercem um fascínio no imaginário humano que remonta desde no mínimo as pinturas em cavernas rupestres tais como Chauvet e Lascaux na França e Altamira na Espanha (cerca de 35 mil anos atrás). E que trata dos grandes felinos, em especial o tigre, a onça pintada (que, diga-se de passagem, era chamada de tigre pelos primeiros colonizadores europeus das Américas) e o leão. Animais esses que dentro do ambiente em que vivem ocupam o topo da cadeia e assim neles exercem uma função muito importante (a de regular o número das populações de animais herbívoros), dentro de uma perspectiva cultural e geopolítica.

Foto – Da esquerda para a direita: leão (Panthera leo), onça pintada (Panthera onca) e tigre (Panthera tigris).
A onça pintada é pra mim o mais fascinante animal brasileiro, o terceiro maior felino, só atrás do tigre e do leão, uma onça destroçaria facilmente um leão da montanha norte americano (puma), algo que é carregado de simbolismo: a onça é a rainha da América, o Leão é o rei africano, e o tigre um grande anarca eurasiático. A priori, quando pensamos em um mundo multipolar a primeira divisão é a continental, a felina. E o maior felino de todos é o tigre siberiano, que caminha livremente na Eurásia, significando o poder máximo terrestre, dominando a Rússia e China, é definitivamente a encarnação animalesca do Heartland.

Mackinder nos diz que a conquista russa da Sibéria teve consequências quase tão profundas e drásticas quanto as grandes navegações, usando a lógica de Schmitt poderíamos dizer que aquilo que foram as Grandes Navegações para os espanhóis e portugueses, e que acarretou em uma Revolução Espacial Planetária, que mudou a forma de ver o mundo, ocorreu de forma semelhante na conquista da Sibéria, uma Revolução Espacial Regional. As grandes navegações exigiram a vitória sobre a baleia, o domínio da dominadora dos mares, a sua caça, já a conquista siberiana exigiu o enfrentamento do maior felino da Terra, a Sibéria impunha coletivismo para viver, exigia austeridade, a frieza do ambiente exige frieza psicológica, era necessário hierarquia social, heroísmo, valores solares, fidelidade e honra, resultando em uma estruturação social bem distinta da marítima. É na Eurásia Central que se funda o primado da força terrestre, local da principal disputa geopolítica na qual se debatem Brzezinski, Haushofer e tantos outros, também na Eurásia que se fez milênios atrás a rota da seda, passando pela estrada real persa e pelo baixo tigre. Hoje a Eurásia Central, pela magistral ferrovia Transiberiana, interliga Europa e Ásia, o audacioso projeto falado por Putin conectando "Lisboa a Vladivostok" significaria o reerguimento total da força terrestre, muito embora seja uma ideia Geopolítica bem mais antiga que Putin, praticamente orgânica e oferecida pela própria geografia, tal como novas rotas da seda, porém mais acima e mais diversificadas, como o monumental projeto CAREC de transporte de recursos. Uma Eurásia interligada por terra, com a gama de recursos e economia que tem, significaria instantaneamente um rival a altura e uma ferida quase mortal ao atlantismo, que tenta fazer valer sua influência estabelecendo rotas marítimas e tragando a Europa Ocidental e Oriental para si. 

Foto – Área de distribuição do tigre. Em laranja, áreas onde se encontra extinto. Em vermelho, áreas onde ainda se encontra presente.

Um outro simbolismo pode ser notado, onde persistem as Tradições, persistem os grandes felinos, a Europa Ocidental não mais os possui, estão extintos ou enjaulados, tal como as forças da Tradição, a forma de encontrar alguma vida é permitindo a fusão, permitindo o grande Tigre Siberiano caminhar sobre suas terras, para, como num sopro ou rugido, trazer novamente as antigas forças europeias, fazendo sair à luz solar o Leão da Caverna que um dia ali reinou, animal antigo e gigantesco, adorado e cultuado na pré história européia e gravado em diversas pinturas rupestres. Rapidamente o Leão da Caverna, extinto e congelado na última era do gelo, seria descongelado pelo rugido do Tigre siberiano, trazido de volta à vida com toda sua força e vigor, espantando as pilhagens e saques da águia norte americana, que não mais pousaria em tais terras, apenas sobrevoaria, como um urubu esperando novamente forças mortas, carcaças para se alimentar, porém incapaz de enfrentar vida em seu pleno vigor. 

Foto – Leões das Cavernas (Panthera leo spelaea).
Nas Américas, a Onça Pintada reinou e reina, nos antigos impérios americanos, nas civilizações Maia, Asteca e Inca sempre possuiu posição sagrada, de destaque, admiração e força. Hoje a Onça une a força Latino Americana, vivendo por quase toda essa região e fincando as garras mais fortemente no Brasil, também tivemos a nossa "conquista da Sibéria", o bandeirismo, a conquista do Oeste com as bandeiras, tal como a "bandeira de limites" de Raposo Tavares. Conquistadores que viajaram por mais de 10 mil quilômetros a pé, é aqui que ganhamos nossa força terrestre, a coroação da rainha, a conquista da Onça, esta representando o dinamismo, a adaptabilidade, a força unida à exuberância, uma certa flexibilidade e fluidez na lida com o meio, a Onça é astuta, ágil, indecifrável, camuflada e mortal. A Onça que os mitos e contos amazônicos e pantaneiros ressoam, aquela que é capaz de quebrar o mais duro casco de tartaruga com uma mordida, ela trás o espírito felino mais profundo da América Latina. Extinta na América do Norte, local do âmago das forças de dissolução, a Onça pintada é uma América Latina Unida, diversificada, fluida, exuberante e forte, que estraçalharia facilmente o Puma norte americano, caso este tentasse uma invasão, o Puma de pouca cor, massificado e homogeneizado, pode mesmo representar a diminuição das forças da Tradição nos EUA, sua sobrevida.

Por fim, o Rei da Savana, os leões Africanos fazem lembrar as disputas de clãs sanguinolentos africanos, uma África de milhares povos pulverizados, de milhares de Reis, distribuídos em pequenas povoações, hoje a África é dividida artificialmente, clãs e povos são unidos de forma forçosa, em fronteiras e linhas artificiais, os leões igualmente são restringidos e delimitados às reservas ambientais, fazendo com que destruam uns aos outros. A África é pilhada de forma condizente com a brutal diminuição das populações leoninas, o rei encontra-se ajoelhado, espremido, cercado, sem sua juba e potência. Porém, é possível um renascimento, um exército de Reis, um exército de leões novos que se juntam para expulsar o forasteiro, fazendo renascer das antigas lendas africanas o leão que sabia voar, e que assim era capaz de caçar qualquer animal, seus ossos não mais estariam quebrados pelo Grande Sapo, trazendo o leão de pele impenetrável para mortais, tal como o Leão de Nemeia, uma África impenetrável à ingerência. 

Foto – Área de distribuição do leão. Em vermelho, áreas onde se encontra extinto. Em azul, áreas onde ainda se faz presente em estado selvagem.
A Multipolaridade é em primeira instância Felina, é a América do Norte e Inglaterra cercadas ao sul por uma Onça, ao leste e sudeste por um Leão, e à oeste, leste e norte pelo Tigre Siberiano. Aqui os grandes felinos não representam forças de dissolução, mas forças caóticas originárias que formam os povos, que dão seu espírito e essência e que andam lado a lado, e só se deixam montar por aqueles o qual respeitam, para realizar ataque e defesa, a montaria no fundo sendo uma integração, o Guerreiro é então em parte Onça, em parte Tigre, em parte Leão.

Por último, uma última coisa que me fascina é a área de vida de uma onça, que pode ser muito mais que 100 quilômetros quadrados, na vida moderna estamos habituados a falar que nosso quintal é um cubículo que possui quando muito uma balança e uma árvore, é uma visão de mundo distorcida, sempre considerei meu quintal a profunda mata atlântica que começa no Horto florestal e se estica por toda Serra do Mar, a liberdade felina nos diz muito, o Sertão é o quintal do sertanejo, o mar o quintal das populações litorâneas, o interior e mata atlântica o quintal do paulista, o pampa o quintal gaúcho e assim por diante, perdemos a nossa conexão com a terra, a ligação com o espaço se dá como um visitante, um estrangeiro, um estranho, e não como alguém que domina e vive também neste ambiente, que considera a terra como sua, a terra que era pública e era nossa, a cada dia é de ninguém e das grandes corporações e nós voltamos a ficar em apartamentos, assim como bichos em suas reservas, mortos e espremidos, mas carregando sempre o vigor da terra, pronto a renascer a qualquer instante, dependendo unicamente de coisas que muitas vezes chegam a ter entonação sagrada: a vontade e a ação.

Foto – De cima para baixo: Leão (Panthera leo), Onça pintada (Panthera onca), Leopardo (Panthera pardus), Tigre (Panthera tigris), Leopardo das Neves (Panthera uncia).

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O grito de desespero da Veja contra os desejos do povo (por Lucas Novaes)



Figura 1 - Mais uma para a coleção de capas vergonhosas da revista Veja
A revista Veja e seus ataques contra as vontades do povo não param: a mais nova capa da revista de maior circulação no Brasil (cuja 2555º edição estará nas bancas dia 08 de novembro de 2017), apresenta mais um vergonhoso ataque contra políticos que não se adequam a sua visão de mundo liberal: Lula e Jair Bolsonaro.
Na capa, Lula e Bolsonaro são apresentados como “extremistas políticos” de esquerda e direita, respectivamente, e então se propõe a ideia de que existe uma busca por nomes de “centro” como os do apresentador global Luciano Huck e do atual ministro da fazenda Henrique Meireles. O que estaria por trás dessa ideia mentirosa?
O que a Veja considera como o centro político (o lado supostamente mais racional e sem paixões ideológicas) na realidade é a hegemonia liberal pseudodemocrática que já controla o Brasil por meio de seu mais novo fantoche: o golpista Michel Temer, além de seus aliados do congresso e do senado. O atual governo, entretanto, é muito frágil em uma democracia pois possui apoio popular quase nulo (fato reforçado por pesquisas apontando que Temer tem apoio de apenas 3% dos brasileiros).
Considerando que não há a menor chance de Temer vencer as próximas eleições (provavelmente sequer irá disputa-las), a Veja e outros veículos da grande imprensa já pensam em possíveis nomes para dar continuidade a essas políticas em 2018. O que esses veículos midiáticos não poderiam esperar (e agora estão com dificuldades de manipular) é que os políticos mais populares no Brasil atualmente representam desvios ideológicos da hegemonia liberal. Um deles é o maior inimigo político da Veja: Luís Inácio Lula da Silva, um grande populista da esquerda nacional que, apesar de seus defeitos, continua tendo apoio quase absoluto das camadas mais pobres do Brasil. Apesar de todas as ofensivas da mídia contra Lula, ele continua sendo o político mais popular do Brasil, como apontam as pesquisas mais recentes onde ele lidera com folga. Isso ocorre porque seus dois mandatos ainda são lembrados como tempos onde havia crescimento econômico, diminuição das desigualdades sociais, estabilidade política e o Brasil era um país respeitado no cenário mundial. Já do outro lado, temos Jair Bolsonaro. Sem dúvidas, trata-se de um direitista que deseja submeter o Brasil aos interesses estadunidenses da pior forma possível. Entretanto, Jair Bolsonaro é um neoconservador que conseguiu sua atual popularidade não graças ao seu “entreguismo” geopolítico ou pela sua defesa de pautas econômicas liberais, mas pela sua defesa de causas morais consideradas conservadores e que possuem uma ampla ressonância entre os cidadãos deste país, tais como a defesa de penas duras contra os bandidos, apoio ao armamento civil da população, e a oposição ao ensino de conteúdos com temática LGBT nas escolas. Jair Bolsonaro não representa a direita que a grande imprensa está disposta a aceitar, pois sua visão no que tange ás questões morais não se adequa ao progressismo elitista defendido por nossa classe empresarial, artística ou da nossa mídia (tanto a principal como a alternativa de esquerda).
Tanto Lula como Bolsonaro (cada um a seu modo) defendem bandeiras “populistas” que não são mais aceitadas pela grande imprensa e por isso são tanto os políticos mais populares do Brasil, capazes de arrastar massas para suas aparições pelo país, como também os mais atacados.
Figura 2 - Exemplo de pesquisa recente colocando os populistas no topo
Com o PSDB (partido político preferido da Veja) enfrentando uma contínua queda de popularidade perante ás massas, parte da burguesia brasileira passou a apostar suas fichas no então outsider João Dória, atual prefeito de São Paulo. Porém, diversos fatos sobre seu governo (tais como suas diversas viagens inúteis ao redor do Brasil e do mundo ou a distribuição de “ração” para os pobres) tem diminuído sua popularidade. Agora, a imprensa sente a necessidade de encontrar outro nome que represente seus interesses e que seja capaz de desbancar os principais populistas de esquerda e de direita. Está aberta a temporada de procura ao novo representante da hegemonia liberal.
FONTES:

sábado, 28 de outubro de 2017

O caso Fátima Bernardes e a lógica dos traficantes.


Foto – Os verdadeiros promotores da ideologia de gênero mundo afora e suas famílias. Nenhum sinal de modernismos nelas.
Logo após voltar de suas férias, Fátima Bernardes virou notícia nas redes sociais ao ser alvo de comentários negativos por ter postado uma foto de família no Instagram devido ao fato de na foto em questão não haver representantes de minorias. Ela, que em seu programa talk-show semanal “Encontro com Fátima Bernardes” se mostra simpática a pautas típicas da esquerda liberal do figurino do Partido Democrata tais como direitos GLBT e outras do tipo. No que torna seu programa muito criticado por setores conservadores da sociedade brasileira. Os mesmos setores conservadores que, como já foi dito anteriormente várias vezes nesse blog, existem graças à relação dialética que há entre a direita neocon do figurino do Partido Republicano e a esquerda liberal do figurino do Partido Democrata e tudo o que ambos os espectros político-ideológicos representam.
Mas o que falar a esse respeito? Aproveito o presente momento para falar a respeito do uso da lógica de traficantes (os quais como nós sabemos não consomem a droga que eles mesmos produzem) não só presente nos grandes meios de comunicação como também em outras pessoas que incentivam esse tipo de coisa mundo afora. Primeiro que vale ressaltar que desde a década retrasada que a Rede Globo apresenta novelas com temática GLBT. No que mostra que a Rede Globo, a despeito de seu reacionarismo político (a ponto de apoiar golpes de Estado com em 1964 e 2016), não comunga com o discurso de figuras como Magno Malta, Jair Bolsonaro e Marco Feliciano no que tange a essa questão em particular.

Foto – A foto no Instagram que gerou toda a polêmica nas redes sociais envolvendo a apresentadora global.
Entretanto, a Globo não é a única a fazer esse tipo de coisa. Recentemente, tivemos o caso da polêmica (a qual foi armada por grupos como o MBL com o intuito de desviar a atenção da população quanto às medidas de retiradas de direitos promovidas pelo governo Temer. Medidas essas que o MBL apoia) envolvendo a exposição do MAM, aonde uma criança era estimulada a tocar em um homem nu. Trata-se do mesmo MAM (Museu de Arte Moderna) que é presidido por Maria de Lourdes Egydio Villela, a Milu Villela, Viscondessa de Campinas, a maior acionista e executiva do Grupo Itaú. O mesmo Itaú que recentemente recebeu do governo Temer de presente um perdão de uma dívida de R$ 25 bilhões do CARF. O banco Itaú é controlado pelas famílias Villela, Moreira Salles e Setúbal. E a julgar por fotos dessas famílias, eles também são bem tradicionalistas e não admitem certos modernismos em seu círculo familiar. Um das sobrinhas de Milu Villela, Ana Lúcia Villela, é quem chefia o Instituto ALANA, que segundo um site conservador pró-Bolsonaro promove a ideologia de gênero na educação infantil.

Foto – Millu Villela em uma foto junto com familiares e diretores do Itaú.
Antes do caso da exposição do MAM, houve o caso da Exposição Queer do Santander Cultural em Porto Alegre, aonde o MBL também agiu de forma oportunista para desviar a atenção dos desmandos do Governo Temer, já comentado em artigo anterior no blog. O Banco Santander foi fundado em 1857 na cidade da Espanha setentrional que lhe dá nome e após comprar outras instituições financeiras do país ibérico chegou à Madrid em 1942. Durante o processo de privataria durante o governo FHC, o Santander comprou vários bancos até então estaduais como o Noroeste, Meridional, o Banespa e o Real, no que fez do Santander o terceiro maior banco privado do país. Desde 1920 o banco Santander (o qual entre 2005 a 2009 foi alvo de um inquérito por suspeitas de fraude fiscal e de falsificação de documentos e que no Brasil é um dos campeões de queixas de consumidores) é comandado pela família Botín, e historicamente sempre foi muito ligado à seita católica ultraconservadora Opus Dei (a mesma Opus Dei a qual Geraldo Alckmin é ligado).

Foto – Membros da família Botín reunidos. Aparentemente, nenhum sinal de certos modernismos neles.
Isso para não falar do fato de que os grandes financiadores da ideologia de gênero a nível mundial são multimilionários tais como a Fundação Rockefeller, Fundação Ford, George Soros (por meio de sua ONG Open Society, a mesma que ajuda a financiar golpes de Estado mundo afora, entre eles as revoluções coloridas na Ásia e na Europa Oriental), o clã Rothschild e a Fundação Macarthur, entre outros. Em outras palavras, os donos do poder mundial de que o finado Doutor Enéas tanto falava em seus pronunciamentos. Sabe-se que esses multimilionários, que fazem parte do 1% que concentra em suas mãos uma riqueza que já é equivalente à riqueza somada dos 99% restantes, são a mão invisível por trás de agendas como liberação das drogas e ideologia de gênero, legalização do aborto, entre outras. Partidos de esquerda como o Partido Democrata nos Estados Unidos, o Frente Ampla no Uruguai e o PSOL no Brasil nada mais que os executores dessa gente, os fantoches que estão a nossa vista, enquanto que esses multimilionários são os manipuladores dos fantoches que se escondem por trás das cortinas.
Percebe-se que essa gente utiliza a mesma lógica que no circuito econômico mundial as grandes potências aplicam desde no mínimo os séculos XVII e XVIII. Em outras palavras, a mesma lógica vista em tratados comerciais como o de Methuen entre Inglaterra e Portugal (1703) e de Eden-Rayneval entre França e Inglaterra (1786), onde o país de economia mais fraca vende produtos e matérias primárias e recebe do país de economia mais forte produtos industrializados e manufaturados de valor agregado muito maior, no que gera um intercâmbio comercial extremamente desfavorável ao país de economia mais fraco. Ou seja, para os outros países, o mais desregulado livre mercado e fronteiras abertas para a penetração do capital externo e suas empresas multinacionais. Mas para eles, um forte protecionismo de seu mercado interno. Esses poderosos de plantão operam com a mesma lógica. Para eles, famílias tradicionais, sólidas e patriarcais. Mas para a plebe, os modernismos que eles não toleram dentro de seu círculo familiar. Tudo isso dentro de um esforço de manutenção de seu poder ad eternum e assim matar ainda no nascedouro uma eventual revolução que coloque fim a seu status quo privilegiado. Em outras palavras, é um grande esforço de imbecilização coletiva das massas para que futuramente não apareçam lideranças como Vladimir Lenin, Stalin, Mao Zedong, Kim il-Sung, Tomas Sankara, Leonel Brizola, Gamal Abdel Nasser, Muammar al-Kadaffi, Fidel Castro, Saddam Hussein, aiatolá Ruhollah Khomeini[1], Hugo Chávez e tantos outros.
Aliás, falando nessa direita, recentemente foram liberados documentos pela CIA que revelam que nomes como o filósofo Michel Foucault, o antropólogo Claude Levy Strauss e o historiador Fernand Braudel foram utilizados como peças de propaganda e manipulação anticomunista por parte dos próprios serviços de inteligência estadunidenses. Tal manipulação consistia em impulsionar ideias de intelectuais que ao público soam como “progressistas” ou “esquerdistas” para combater o marxismo revolucionário, com essas figuras dando uma legitimidade e um verniz de esquerda a políticas extremamente reacionária. Assim aconteceu uma substituição da luta de classes (ou seja, a luta de vida ou morte entre a maioria explorada do mundo e a minoria que concentra em suas mãos a maior parte da riqueza do planeta e que parasita a maioria) por uma ideia de que a sociedade é composta por uma série de divisões (entre elas essas divisões de gênero). Em outras palavras, o tal do “marxismo cultural” de que eles tanto falam em realidade não foi criado e incentivado por serviços secretos soviéticos ou chineses e nem por Gramsci[2], e sim pelos serviços secretos do país que eles tanto admiram, os Estados Unidos da América, em um esforço de criar um pensamento de esquerda (cuja proposta é fazer reformismo dentro dos marcos do sistema vigente) que fosse um contraponto a propostas de esquerda revolucionária. O financiamento desses intelectuais se dava por meios de investimentos da Fundação Rockefeller e da Fundação Ford, já que o imperialismo considerava (e certamente ainda considera) os ditos intelectuais pós-marxistas convencerem que os conservadores tradicionais, de forma a fazer toda uma operação de cooptação de setores da esquerda em seu favor.

Foto – O tradicionalismo de Ana Lúcia Villela, presidente do Instituto ALANA. Ideologia de gênero só para o filho do plebeu.
Fontes:
A “nova esquerda” é velha e vem da CIA. Disponível em: http://causaoperaria.org.br/blog/2017/10/18/nova-esquerda-e-velha-e-vem-da-cia-1/
Colunista do COATV: “De onde vem a nova esquerda?”, por Henrique Áreas. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rmhXpXpkHHo&ab_channel=CausaOperariaTV
Famílias tradicionalíssimas do Itaú promovem com seus bilhões a agenda esquerdista no Brasil. Disponível em: https://www.tercalivre.com.br/familias-tradicionalissimas-donas-do-itau-promovem-com-seus-bilhoes-a-agenda-esquerdista-no-brasil/
Fátima Bernardes é criticada por falta de diversidade em foto postada na Web. Disponível em: http://blogs.ne10.uol.com.br/social1/2017/10/20/fatima-bernardes-e-criticada-por-falta-de-diversidade-em-foto-postada-na-web/
Fátima Bernardes recebe críticas por “falta de diversidade” em foto com família. Disponível em: http://www.otvfoco.com.br/fatima-bernardes-recebe-criticas-por-falta-de-diversidade-em-foto-com-familia/
O Banco Santander é seu inimigo. Disponível em: http://novaresistencia.org/2017/09/11/o-banco-santander-e-seu-inimigo/
SOCIEDADE: o frenesi dos avatares coloridos e a doutrina dos manipulados. Disponível em: http://apaginavermelha.blogspot.com.br/2015/11/sociedade-o-frenesi-dos-avatares.html


NOTAS:


[1] Leia-se “Rromeini”. No persa, assim como em idiomas como o árabe, o mongol e o russo, a partícula kh tem o mesmo som do j no espanhol e do ch no alemão e no polonês: r aspirado.
[2] Leia-se “Gramchi”. No italiano, a partícula sc, quando sucedida por e ou i tem o mesmo valor do ch no português e no francês.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A inCompetência e a PRESCIÊNCIA da Vara de Curitiba.

Em 12/09/17 finalmente um jurista de renome, o ex Juiz Federal e atual Governador do Maranhão Flávio Dino1, confirmou2 duas coisas que venho dizendo há muito tempo sobre a acusação de lavagem de dinheiro do suposto triplex de Lula:
1 - A competência do TRF da 4a Região como foro do processo3, e;
2 - Algo que vai ao encontro da surreal inovação jurídica de condenar alguém por um crime que apenas Viria a ser cometido Se tivessem sido dadas uma série de condições questionáveis.
inCOMPETÊNCIA
Para a Primeira, temos que a Justiça Federal do Brasil é dividida de modo bastante irregular em cinco TRFs (Tribunais Regionais Federais)4, da seguinte forma:
1ª Região: Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Rondônia, Pará, Piauí, Roraima e Tocantins;
2ª Região: Espírito Santo e Rio de Janeiro;
3ª Região: Mato Grosso do Sul e São Paulo;
4ª Região: Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina;
5ª Região: Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Foto - Divisão do Território Brasileiro por Tribunais Regionais Federais.

Como os processos devem se iniciar nas regiões onde os fatos dizem respeito, vale notar que faria perfeito sentido se o caso fosse para a 1ª Região, visto que algumas das principais empreiteiras denunciadas na Operação Lava Jato, a começar pela Odebrecht, tem sede em seus estados bem como neles também há várias estações da Petrobras, sem contar o fato de envolver autoridades que trabalham na Capital Federal.
Mas também faria sentido se estivesse no TRF da 2ª Região, pois e nela que está a sede da Petrobras, ou  na 3ª Região, onde também estão as sedes de quase metade das empreiteiras envolvidas. Segundo Flávio Dino os próprios procuradores de São Paulo havia, com razão, reclamado para si essa competência. 5
Talvez fizesse algum sentido, ainda que pouco, até mesmo a 5ª Região, visto que além de haver uma empreiteira grande envolvida em Pernambuco, também há ampla presença de instalações da Petrobras nesse estados.
Mas de todas as regiões, a que faz menos sentido é justamente a 4ª, visto não haver uma única das empresas envolvidas com sede exclusiva na Região Sul (apenas a Engevix divide sedes em Santa Catarina e São Paulo), e a presença da Petrobras nesta região, bem como das várias outras empreiteiras é significativamente menos relevante comparando com as regiões Sudeste e Nordeste.
Para piorar, o próprio Lula e o triplex em questão, bem como seus outros patrimônios ou alegados patrimônios, todos estão em São Paulo. E assim, a pergunta inevitável é: Por que raios esse processo foi parar na 4ª região!?!?
A única justificativa possível seria a participação do doleiro Alberto Yousseff, que já tinha sido julgado e condenado pelo TRF da 4ª Região no caso do Escândalo do Banestado, um dos subprodutos da privatização e cujo destino foi bem diferente do ocorrido na Operação Lava Jato. Mas não é uma regularidade que alguém que incida num segundo crime que diga respeito a outro foro tenha que ser julgado no mesmo foro em que foi anteriormente condenado, ainda mais atropelando todos os demais fatores que melhor justificariam outras regiões. O mesmo pode-se dizer da alegada especialidade de Sérgio Moro no crime em questão, pois apesar de ter trabalhado em processo similar, definitivamente ele não é o único qualificado para tal, além de ter a desagradável contrapartida de ter seu desempenho duramente criticado nesse mesmo caso, onde na absoluta contramão do que ocorre na Lava Jato, desviou uma quantidade muitíssimo maior de dinheiro, envolvia principalmente o PSDB, quase não teve repercussão midiática (até porque Globo, Editora Abril e SBT estiveram envolvidos), e onde praticamente ninguém importante foi punido.6
Além disso, Moro praticamente confessou sua incompetência no assunto (em sentido não jurídico) ao precisar fazer um curso fornecido por um país estrangeiro com a confessa necessidade de aprender a como combater o crime organizado no próprio país, alegando justamente não saber usar os recursos jurídicos que lhe cabem.7
Portanto, permanece a questão: Por Que A 4ª Região?!
PRESCIÊNCIA
Para a Segunda, um dos princípios mais elementares de qualquer ordem jurídica sã é que ninguém pode ser condenado apenas por ter a intenção de cometer um crime, mesmo que tal intenção seja confessa. Ora, mesmo que todos os fatos apurados na denúncia sejam indubitavelmente verdadeiros, também é verdadeiro, como o próprio processo admite, que Lula não é proprietário do imóvel em questão nem de Fato e nem de Direito, pois oficialmente ele não lhe pertence ou, como disse Flávio Dino, "o bem não ingressou no patrimônio do suposto beneficiário do ato"8. E ainda acrescento que, mais importante, ele jamais usufruiu dele em nível algum, nem mesmo como beneficiário não declarado.
E mesmo que ele confessasse que pretendia sim tomar posse dele, bastaria que acrescentasse que desistiu, pois não se pode punir pensamentos e intenções. Não importa que você tenha planejado um crime, se você não o consuma, no máximo poderia ser acusado de outras irregularidades, mas não do crime não consumado em si, e é exatamente isso que aconteceu com Lula. Ele não foi condenado por meramente ter tomado providências que o teriam levado a tomar posse do imóvel, o que já seria polêmico, mas por efetivamente ter lavado dinheiro! Só que o crime de lavagem de dinheiro só se consuma se for demonstrado que um determinado patrimônio foi de fato possuído, mesmo que não de direito, com recursos financeiros cuja ilicitude foi maquiada por algum artifício.
Mas como disse Flávio Dino, seria preciso demonstrar "correlação clara entre vantagem indevida e um ato praticado" 9, e a tal vantagem é totalmente inexistente, sendo, no máximo, uma possibilidade futura!
De forma análoga, você poderia bradar aos quatro ventos pretender matar uma pessoa, poderia deixar público seu plano para fazê-lo, poderia comprar uma arma ilegal e efetuar a emboscada para essa pessoa e apontar-lhe a arma. Mas se na última hora você desistir, e deixar a pessoa viva, pode até ser condenado por ameaça, porte ilegal de arma, constrangimento etc, mas não por homicídio! Pois este em si não ocorreu. Aliás mesmo que você não tivesse desistido mas fosse impedido de cometer o ato, seria condenado por tentativa de homicídio.
Embora a seara jurídica onde Lula foi condenado não seja a de crime contra a vida, pode-se aplicar raciocínio similar. Ele foi condenado não apenas assumidamente sem provas, mas por algo que iria fazer! É uma surrealidade que faz lembrar a obra de ficção científica Minority Report, onde o sistema PRE-CRIME prevê o futuro e prende possíveis criminosos antes que eles cometam os delitos e os condena por crimes que ainda iriam cometer! O que no decorrer da estória, evidentemente, se revela um sistema falho e corrompido.
INDECÊNCIA
Essas dúvidas, porém, são meramente retóricas, pois qualquer um que se atreva a pensar sabe muitíssimo bem porque esse processo foi parar na 4a Região, pois é justo lá que está a única "farsa-tarefa" disposta a cometer "“conjunto de atos abusivos” e “excessos censuráveis”", nas palavras de Gilmar Mendes, que também os acusou de "“desserviço e desrespeito ao sistema jurisdicional e ao Estado de Direito”, com autoridade “absolutista, acima da própria Justiça, conduzindo o processo ao seu livre arbítrio, bradando sua independência funcional”", isso tudo, porém, relativos a reclamações oriundas do julgamento do Escândalo do Banestado, onde "Moro é questionado por usurpar a competência do Ministério Público, decretar prisões preventivas sequenciais mesmo após decisão contrária de tribunais de instância superior e por determinar à polícia o monitoramento de voos de advogados do investigado."10
Em suma, a escolha da 4a Região se dá pelo simples fato de que somente lá haviam alguém disposto a fazer tamanho serviço sujo.
Marcus Valerio XR
13 de Setembro de 2017
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Referências:
1. https://pt.wikipedia.org/wiki/Fl%C3%A1vio_Dino
2. Dino explica por que a sentença de Moro é frágil e Lula deve ser absolvido. https://youtu.be/iNL8sBTUAAc
3. Conselho Nacional de Justiça. http://www.cnj.jus.br/poder-judiciario/portais-dos-tribunais
4. https://youtu.be/iNL8sBTUAAc?t=5m0s
5. https://youtu.be/iNL8sBTUAAc?t=6m25s
6. A semente dos escândalos - O que diferencia o caso Banestado da Operação Lava Jato? https://www.cartacapital.com.br/revista/874/a-semente-dos-escandalos-9478.html
7. Dá vergonha, mas é preciso ler o telegrama Moro-Wikileaks. http://www.patrialatina.com.br/da-vergonha-mas-e-preciso-ler-o-telegrama-moro-wikileaks/
8. https://youtu.be/iNL8sBTUAAc?t=1m48s
9. https://youtu.be/iNL8sBTUAAc?t=30s
10. Supremo já analisou ‘excesso’ de Moro no caso Banestado - Atos do juiz da Lava Jato sobre escândalo de evasão de divisa foram criticados por ministros e arquivados pelo CNJ. Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo, 26 Março 2016.
Em:
http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,supremo-ja-analisou-excesso-de-moro-no-caso-banestado,10000023234
Também em:
https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2016/03/26/stf-ja-analisou-excesso-de-moro-no-caso-banestado.htm

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

O caso Santander e o figurino ianque da esquerda e da direita tupiniquim.


Foto – Os verdadeiros promotores da ideologia de gênero mundo afora.
Recentemente, a filial de Porto Alegre do banco Santander sediou a exposição Queermuseu (agosto é o mês da temática GLBT no ramo cultural do banco Santander). Na exposição em questão foram expostas 270 obras que promovem pedofilia e pornografia, entre outras blasfêmias. Havia obras escarnecendo Cristo, crianças vestidas como travestis (na prática prostituição infantil), prática de zoofilia, hóstias com nomes de órgãos sexuais escritos em vermelho, entre outras coisas blasfemas e ofensivas. Tão ou mais horrorosas e de péssimo gosto quanto, por exemplo, as caricaturas de Jesus Cristo e Maomé publicadas pelo pasquim de quinta categoria Charlie Hebdo. E o pior: isso em uma exposição feita em um lugar frequentado por crianças.
Como resultado disso, protestos contra essa exposição tiveram lugar, encabeçados pelo MBL (Movimento Brasil Livre), e por isso a exposição, que deveria estar aberta ao público até o dia oito de outubro, foi cancelada. O encerramento da exposição foi comemorado pelo MBL, que a considerou como uma “vitória da pressão popular”, chamou o banco espanhol de “vergonha dos gaúchos” e pediu para que os correntistas do banco encerram suas contas em protesto. Como resposta ao encerramento da mostra, o grupo Nuances marcou para a tarde do dia 12 de setembro um ato por aquilo que eles chamam de “Liberdade de expressão artística e das liberdades democráticas”.
Tal fato antes de tudo nos mostra que o verdadeiro promotor da ideologia de gênero mundo afora (assim como outras causas que a esquerda liberal advoga como liberação do aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e das drogas) não é a dita esquerda “comunista” como certos setores da direita raivosa que tem como gurus ideológicos figuras como Jair Bolsonaro, Marco Feliciano e Olavo de Carvalho (vulgo Sidi Muhammad Ibrahim Isa) pensam, e sim grandes capitalistas, tais como os irmãos Koch[1], os clãs Rockefeller e Rothschild, George Soros e Fundação Ford, os chamados senhores do mundo, aqueles que estão entre as pessoas que concentram em suas mãos a maior parte das riquezas do planeta. E, a julgar por fotos dessa gente, percebe-se que eles todos possuem famílias tradicionais e patriarcais e não toleram dentro de seus círculos familiares o que eles promovem para o resto da sociedade (e não nos surpreenderia nem um pouco se os donos do Banco Santander também façam o mesmo). Ou seja, o traficante não consome a droga que ele mesmo produz. Por que eles fazem isso? Talvez, como uma forma de manter seu status quo privilegiado ad eternum.
O posicionamento do MBL quanto a essa questão, assim como o debate em torno da questão nas redes sociais, na verdade é sintomático a respeito da relação dialética que existe entre a esquerda liberal cirandeira que advoga pautas como a ideologia de gênero e a direita liberal de matiz neocon que advoga pautas como o Escola sem Partido e exige nas escolas “mais Mises e menos Marx”, já citada várias vezes em artigos anteriores no blog, onde um não existe sem o outro e vice-versa, na medida em que um justifica a existência do outro. Tal qual, por exemplo, os personagens Piccolo e Kami Sama de Dragon Ball, as duas faces do deus Janus na mitologia romana e o símbolo do Jin-Jang no taoísmo. Algo do qual Maksim Gorkij percebeu nos anos 1930 em sua obra “Humanismo Proletário” na passagem “Uničtož’te gomoseksualizm – Fašizm isčeznet[2]/уничтожьте гомосексуализм – фашизм исчезнет (Destruam o homossexualismo – o fascismo irá desaparecer)” e do qual ambos os lados não percebem.

Foto – Bolsowyllys: as duas faces de Janus[3] contrapostas entre si.
De um lado, a direita neocon que advoga aquilo que eu, parafraseando Alain Soral, chamo de a direita dos valores sem a esquerda do trabalho. E de outro, a esquerda cirandeira que advoga aquilo que eu, também parafraseando Alain Soral, chamo de a esquerda do bundaço universitário sem a direita dos valores e a esquerda do trabalho. Parafraseando o professor Nildo Ouriques, tanto um quanto o outro vestem um figurino ianque, com a esquerda liberal vestindo o figurino do Partido Democrata (não é a toa que Cristiano Alves, em recente artigo da Página Vermelha, disse que a atual esquerda brasileira está muito mais próxima de Hillary Clinton [a mesma Hillary Clinton que foi a responsável pela guerra na Líbia em 2011 e que se regozijou da morte do coronel Kadaffi] e Barack Obama que de Marx e Engels[4] [os mesmos Marx e Engels que não iam com a cara dos militantes GLBT de sua época, a exemplo de Karl Heinrich Ulrichs]) e a direita neocon vestindo o figurino do Partido Republicano e o pensamento advindo de figuras como Ronald Reagan e Margareth Thatcher (pensamento esse que é difundido no Brasil por meio de think thanks como Instituto Millenium, Atlas Network, Instituto Mises e outros). A mesma direita que da forma mais pretensiosa possível tenta se associar à figura do finado Doutor Enéas, o qual em vida rechaçava tudo o que essa gente hoje defende. Com a diferença que enquanto a esquerda democratóide promove a agenda liberal pela frente cultural, a direita republicanóide promove essa mesma agenda pela frente econômica. E um banco como Santander, por sua vez, fazendo isso pelas duas frentes ao mesmo tempo.
E, como não poderia deixar de ser, figuras da esquerda que veste o figurino do Partido Democrata saíram em defesa dessa exposição, a exemplo de uma postagem de Luciana Genro (a mesma Luciana Genro que anteriormente apoiou as revoluções coloridas na Ucrânia e na Síria e que defende a Operação Lava Jato, sem se dar conta do perigo que corre ao defender tal camarilha politiqueira, que a olha como alguém que deveria estar atrás das grades) no WhatsApp, aonde ela sai em defesa da exposição do Santander Cultural e promete grande ato de defesa em nome da arte e da diversidade.

Foto – Luluzinha Genro em defesa da exposição do Santander Cultural.
Tal defesa da parte do Santander nos causa grande espanto, ainda mais levando em consideração que a mesma Luciana Genro foi um dos poucos presidenciáveis, ao lado de Levy Fidélix e de Eduardo Jorge, que ousou tocar na questão do Bolsa Banqueiro no pleito de 2014. Quer dizer agora que um banco como o Santander, uma instituição que vive a custa da miséria e do infortúnio do povo de nosso país por meio do pagamento dos juros e amortizações do serviço da dívida pública e que trata o Estado brasileiro como se fosse um balcão de negócios, ao fazer uma exposição com essa temática se torna um santo perante a população?
Tal posicionamento, acima de tudo, é sintomático do fato de que a esquerda brasileira atual veste o figurino do Partido Democrata e que muito mais próxima se encontra de Hillary Clinton e Barack Obama que de figuras como Marx, Engels, Lenin, Stalin, Mao Zedong[5] e Kim il-Sung. Tal fato deveria no mínimo causar a uma pessoa que se diz de esquerda como a Luluzinha Genro questionamentos quanto a real relação entre ideologia de gênero e grandes capitalistas como George Soros e o clã Rockefeller. Como se não bastasse as várias novelas da Rede Globo com temática GLBT e toda a glamourização do estilo de vida GLBT que os grandes meios de comunicação promovem (quer seja através da música, de filmes, de novelas e comerciais, entre outros). Diga-se de passagem, será que essa esquerda cirandeira irá defender a Rede Globo futuramente em um evento similar a esse, sob a alegação de “defesa da liberdade de expressão” e retóricas afins? É por causa de uma esquerda como essa, que está muito mais preocupada em defender exposição queer do Santander e que não faz o devido trabalho de base em lugares como favelas e bairros pobres, que a Bancada Evangélica cresce cada vez mais na política brasileira e que cada vez mais o pobre é de direita, vota em figuras como o Dória, fala em meritocracia, que figuras como Jair Bolsonaro e Marco Feliciano ganham popularidade (a despeito de seu discurso demagógico), só quer saber de fazer rolezinho em Shopping Center e se encontra sob a alienação dos grandes meios de comunicação. E, além disso, como que de uma esquerda como essa que veste o figurino do Partido Democrata um novo Brizola pode surgir? E como que de uma direita como essa que veste o figurino do Partido Republicano um novo Enéas pode surgir?
Igualmente digno de nota é o artigo publicado no site da Veja a respeito do incidente em questão. Percebe-se na maneira como a Veja cobre o caso que ela não comunga do discurso de figuras como Jair Bolsonaro, Marco Feliciano, Magno Malta, Olavo de Carvalho e outros expoentes da direita neocon tupiniquim. Em outras palavras, que ela, assim como outros veículos de comunicação como a Rede Globo, é liberal em matéria de costumes, mas politicamente não deixa de ser reacionária.

Foto – Bolsonaro e Jean Wyllys juntos a favor do golpe na Venezuela.
Fontes:
Após protestos, Santander Cultural fecha exposição sobre diversidade. Disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/rio-grande-do-sul/apos-protesto-do-mbl-santander-fecha-exposicao-sobre-diversidade/
Como os homossexuais enterraram o comunismo no Brasil. Disponível em: http://apaginavermelha.blogspot.com.br/2017/09/como-os-homossexuais-enterraram-o.html
Hillary Clinton bears responsibility for the Manchester atrocity (em ingles). Disponível em: http://theduran.com/hillary-clinton-bears-responsibility-for-the-manchester-atrocity/
“O atual modelo econômico do Brasil cria o ‘bolsa-banqueiro’”, diz Luciana Genro. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=HVJgyqFU5EQ&ab_channel=Estad%C3%A3o
O sistema da dívida em debate – Eleições 2014. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=I__hgZdV-cE&ab_channel=AuditoriaCidad%C3%A3daD%C3%ADvida
Santander Cultural promove pedofilia, pornografia e arte profana em Porto Alegre. Disponível em: http://www.locusonline.com.br/2017/09/06/santander-cultural-promove-pedofilia-pornografia-e-arte-profana-em-porto-alegre/
Socialismo e direitos gays. Disponível em:


NOTAS:

[1] Leia-se “Korr”. No alemão, assim como em idiomas como o polonês e o tcheco, a partícula ch tem o mesmo som do j no espanhol, do kh no russo e do h no inglês e no húngaro: r aspirado forte.
[2] As partículas č, š e ž, muito utilizadas nos idiomas da Europa oriental que utilizam a escrita latina, possuem o mesmo som do tch, ch e do j no português e no francês, respectivamente.
[3] Leia-se “Ianus”. No latim, assim como em idiomas como o alemão, o húngaro, o polonês, o holandês, o servo-croata, o eslovaco, o tcheco, os idiomas bálticos e escandinavos, a partícula j tem valor de i.
[4] Leia-se “Enguels”. No alemão, assim como em idiomas como o russo, o polonês, o tcheco, o eslovaco, o servo-croata, o mongol e o japonês, o som do g não muda conforme a vogal seguinte como nos idiomas neolatinos e no inglês.
[5] Leia-se “Tzedon”, pois no mandarim a partícula z tem valor de tz e a consoante final de uma palavra é sempre muda.