sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A inCompetência e a PRESCIÊNCIA da Vara de Curitiba.

Em 12/09/17 finalmente um jurista de renome, o ex Juiz Federal e atual Governador do Maranhão Flávio Dino1, confirmou2 duas coisas que venho dizendo há muito tempo sobre a acusação de lavagem de dinheiro do suposto triplex de Lula:
1 - A competência do TRF da 4a Região como foro do processo3, e;
2 - Algo que vai ao encontro da surreal inovação jurídica de condenar alguém por um crime que apenas Viria a ser cometido Se tivessem sido dadas uma série de condições questionáveis.
inCOMPETÊNCIA
Para a Primeira, temos que a Justiça Federal do Brasil é dividida de modo bastante irregular em cinco TRFs (Tribunais Regionais Federais)4, da seguinte forma:
1ª Região: Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Rondônia, Pará, Piauí, Roraima e Tocantins;
2ª Região: Espírito Santo e Rio de Janeiro;
3ª Região: Mato Grosso do Sul e São Paulo;
4ª Região: Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina;
5ª Região: Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Foto - Divisão do Território Brasileiro por Tribunais Regionais Federais.

Como os processos devem se iniciar nas regiões onde os fatos dizem respeito, vale notar que faria perfeito sentido se o caso fosse para a 1ª Região, visto que algumas das principais empreiteiras denunciadas na Operação Lava Jato, a começar pela Odebrecht, tem sede em seus estados bem como neles também há várias estações da Petrobras, sem contar o fato de envolver autoridades que trabalham na Capital Federal.
Mas também faria sentido se estivesse no TRF da 2ª Região, pois e nela que está a sede da Petrobras, ou  na 3ª Região, onde também estão as sedes de quase metade das empreiteiras envolvidas. Segundo Flávio Dino os próprios procuradores de São Paulo havia, com razão, reclamado para si essa competência. 5
Talvez fizesse algum sentido, ainda que pouco, até mesmo a 5ª Região, visto que além de haver uma empreiteira grande envolvida em Pernambuco, também há ampla presença de instalações da Petrobras nesse estados.
Mas de todas as regiões, a que faz menos sentido é justamente a 4ª, visto não haver uma única das empresas envolvidas com sede exclusiva na Região Sul (apenas a Engevix divide sedes em Santa Catarina e São Paulo), e a presença da Petrobras nesta região, bem como das várias outras empreiteiras é significativamente menos relevante comparando com as regiões Sudeste e Nordeste.
Para piorar, o próprio Lula e o triplex em questão, bem como seus outros patrimônios ou alegados patrimônios, todos estão em São Paulo. E assim, a pergunta inevitável é: Por que raios esse processo foi parar na 4ª região!?!?
A única justificativa possível seria a participação do doleiro Alberto Yousseff, que já tinha sido julgado e condenado pelo TRF da 4ª Região no caso do Escândalo do Banestado, um dos subprodutos da privatização e cujo destino foi bem diferente do ocorrido na Operação Lava Jato. Mas não é uma regularidade que alguém que incida num segundo crime que diga respeito a outro foro tenha que ser julgado no mesmo foro em que foi anteriormente condenado, ainda mais atropelando todos os demais fatores que melhor justificariam outras regiões. O mesmo pode-se dizer da alegada especialidade de Sérgio Moro no crime em questão, pois apesar de ter trabalhado em processo similar, definitivamente ele não é o único qualificado para tal, além de ter a desagradável contrapartida de ter seu desempenho duramente criticado nesse mesmo caso, onde na absoluta contramão do que ocorre na Lava Jato, desviou uma quantidade muitíssimo maior de dinheiro, envolvia principalmente o PSDB, quase não teve repercussão midiática (até porque Globo, Editora Abril e SBT estiveram envolvidos), e onde praticamente ninguém importante foi punido.6
Além disso, Moro praticamente confessou sua incompetência no assunto (em sentido não jurídico) ao precisar fazer um curso fornecido por um país estrangeiro com a confessa necessidade de aprender a como combater o crime organizado no próprio país, alegando justamente não saber usar os recursos jurídicos que lhe cabem.7
Portanto, permanece a questão: Por Que A 4ª Região?!
PRESCIÊNCIA
Para a Segunda, um dos princípios mais elementares de qualquer ordem jurídica sã é que ninguém pode ser condenado apenas por ter a intenção de cometer um crime, mesmo que tal intenção seja confessa. Ora, mesmo que todos os fatos apurados na denúncia sejam indubitavelmente verdadeiros, também é verdadeiro, como o próprio processo admite, que Lula não é proprietário do imóvel em questão nem de Fato e nem de Direito, pois oficialmente ele não lhe pertence ou, como disse Flávio Dino, "o bem não ingressou no patrimônio do suposto beneficiário do ato"8. E ainda acrescento que, mais importante, ele jamais usufruiu dele em nível algum, nem mesmo como beneficiário não declarado.
E mesmo que ele confessasse que pretendia sim tomar posse dele, bastaria que acrescentasse que desistiu, pois não se pode punir pensamentos e intenções. Não importa que você tenha planejado um crime, se você não o consuma, no máximo poderia ser acusado de outras irregularidades, mas não do crime não consumado em si, e é exatamente isso que aconteceu com Lula. Ele não foi condenado por meramente ter tomado providências que o teriam levado a tomar posse do imóvel, o que já seria polêmico, mas por efetivamente ter lavado dinheiro! Só que o crime de lavagem de dinheiro só se consuma se for demonstrado que um determinado patrimônio foi de fato possuído, mesmo que não de direito, com recursos financeiros cuja ilicitude foi maquiada por algum artifício.
Mas como disse Flávio Dino, seria preciso demonstrar "correlação clara entre vantagem indevida e um ato praticado" 9, e a tal vantagem é totalmente inexistente, sendo, no máximo, uma possibilidade futura!
De forma análoga, você poderia bradar aos quatro ventos pretender matar uma pessoa, poderia deixar público seu plano para fazê-lo, poderia comprar uma arma ilegal e efetuar a emboscada para essa pessoa e apontar-lhe a arma. Mas se na última hora você desistir, e deixar a pessoa viva, pode até ser condenado por ameaça, porte ilegal de arma, constrangimento etc, mas não por homicídio! Pois este em si não ocorreu. Aliás mesmo que você não tivesse desistido mas fosse impedido de cometer o ato, seria condenado por tentativa de homicídio.
Embora a seara jurídica onde Lula foi condenado não seja a de crime contra a vida, pode-se aplicar raciocínio similar. Ele foi condenado não apenas assumidamente sem provas, mas por algo que iria fazer! É uma surrealidade que faz lembrar a obra de ficção científica Minority Report, onde o sistema PRE-CRIME prevê o futuro e prende possíveis criminosos antes que eles cometam os delitos e os condena por crimes que ainda iriam cometer! O que no decorrer da estória, evidentemente, se revela um sistema falho e corrompido.
INDECÊNCIA
Essas dúvidas, porém, são meramente retóricas, pois qualquer um que se atreva a pensar sabe muitíssimo bem porque esse processo foi parar na 4a Região, pois é justo lá que está a única "farsa-tarefa" disposta a cometer "“conjunto de atos abusivos” e “excessos censuráveis”", nas palavras de Gilmar Mendes, que também os acusou de "“desserviço e desrespeito ao sistema jurisdicional e ao Estado de Direito”, com autoridade “absolutista, acima da própria Justiça, conduzindo o processo ao seu livre arbítrio, bradando sua independência funcional”", isso tudo, porém, relativos a reclamações oriundas do julgamento do Escândalo do Banestado, onde "Moro é questionado por usurpar a competência do Ministério Público, decretar prisões preventivas sequenciais mesmo após decisão contrária de tribunais de instância superior e por determinar à polícia o monitoramento de voos de advogados do investigado."10
Em suma, a escolha da 4a Região se dá pelo simples fato de que somente lá haviam alguém disposto a fazer tamanho serviço sujo.
Marcus Valerio XR
13 de Setembro de 2017
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Referências:
1. https://pt.wikipedia.org/wiki/Fl%C3%A1vio_Dino
2. Dino explica por que a sentença de Moro é frágil e Lula deve ser absolvido. https://youtu.be/iNL8sBTUAAc
3. Conselho Nacional de Justiça. http://www.cnj.jus.br/poder-judiciario/portais-dos-tribunais
4. https://youtu.be/iNL8sBTUAAc?t=5m0s
5. https://youtu.be/iNL8sBTUAAc?t=6m25s
6. A semente dos escândalos - O que diferencia o caso Banestado da Operação Lava Jato? https://www.cartacapital.com.br/revista/874/a-semente-dos-escandalos-9478.html
7. Dá vergonha, mas é preciso ler o telegrama Moro-Wikileaks. http://www.patrialatina.com.br/da-vergonha-mas-e-preciso-ler-o-telegrama-moro-wikileaks/
8. https://youtu.be/iNL8sBTUAAc?t=1m48s
9. https://youtu.be/iNL8sBTUAAc?t=30s
10. Supremo já analisou ‘excesso’ de Moro no caso Banestado - Atos do juiz da Lava Jato sobre escândalo de evasão de divisa foram criticados por ministros e arquivados pelo CNJ. Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo, 26 Março 2016.
Em:
http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,supremo-ja-analisou-excesso-de-moro-no-caso-banestado,10000023234
Também em:
https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2016/03/26/stf-ja-analisou-excesso-de-moro-no-caso-banestado.htm

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

O caso Santander e o figurino ianque da esquerda e da direita tupiniquim.


Foto – Os verdadeiros promotores da ideologia de gênero mundo afora.
Recentemente, a filial de Porto Alegre do banco Santander sediou a exposição Queermuseu (agosto é o mês da temática GLBT no ramo cultural do banco Santander). Na exposição em questão foram expostas 270 obras que promovem pedofilia e pornografia, entre outras blasfêmias. Havia obras escarnecendo Cristo, crianças vestidas como travestis (na prática prostituição infantil), prática de zoofilia, hóstias com nomes de órgãos sexuais escritos em vermelho, entre outras coisas blasfemas e ofensivas. Tão ou mais horrorosas e de péssimo gosto quanto, por exemplo, as caricaturas de Jesus Cristo e Maomé publicadas pelo pasquim de quinta categoria Charlie Hebdo. E o pior: isso em uma exposição feita em um lugar frequentado por crianças.
Como resultado disso, protestos contra essa exposição tiveram lugar, encabeçados pelo MBL (Movimento Brasil Livre), e por isso a exposição, que deveria estar aberta ao público até o dia oito de outubro, foi cancelada. O encerramento da exposição foi comemorado pelo MBL, que a considerou como uma “vitória da pressão popular”, chamou o banco espanhol de “vergonha dos gaúchos” e pediu para que os correntistas do banco encerram suas contas em protesto. Como resposta ao encerramento da mostra, o grupo Nuances marcou para a tarde do dia 12 de setembro um ato por aquilo que eles chamam de “Liberdade de expressão artística e das liberdades democráticas”.
Tal fato antes de tudo nos mostra que o verdadeiro promotor da ideologia de gênero mundo afora (assim como outras causas que a esquerda liberal advoga como liberação do aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e das drogas) não é a dita esquerda “comunista” como certos setores da direita raivosa que tem como gurus ideológicos figuras como Jair Bolsonaro, Marco Feliciano e Olavo de Carvalho (vulgo Sidi Muhammad Ibrahim Isa) pensam, e sim grandes capitalistas, tais como os irmãos Koch[1], os clãs Rockefeller e Rothschild, George Soros e Fundação Ford, os chamados senhores do mundo, aqueles que estão entre as pessoas que concentram em suas mãos a maior parte das riquezas do planeta. E, a julgar por fotos dessa gente, percebe-se que eles todos possuem famílias tradicionais e patriarcais e não toleram dentro de seus círculos familiares o que eles promovem para o resto da sociedade (e não nos surpreenderia nem um pouco se os donos do Banco Santander também façam o mesmo). Ou seja, o traficante não consome a droga que ele mesmo produz. Por que eles fazem isso? Talvez, como uma forma de manter seu status quo privilegiado ad eternum.
O posicionamento do MBL quanto a essa questão, assim como o debate em torno da questão nas redes sociais, na verdade é sintomático a respeito da relação dialética que existe entre a esquerda liberal cirandeira que advoga pautas como a ideologia de gênero e a direita liberal de matiz neocon que advoga pautas como o Escola sem Partido e exige nas escolas “mais Mises e menos Marx”, já citada várias vezes em artigos anteriores no blog, onde um não existe sem o outro e vice-versa, na medida em que um justifica a existência do outro. Tal qual, por exemplo, os personagens Piccolo e Kami Sama de Dragon Ball, as duas faces do deus Janus na mitologia romana e o símbolo do Jin-Jang no taoísmo. Algo do qual Maksim Gorkij percebeu nos anos 1930 em sua obra “Humanismo Proletário” na passagem “Uničtož’te gomoseksualizm – Fašizm isčeznet[2]/уничтожьте гомосексуализм – фашизм исчезнет (Destruam o homossexualismo – o fascismo irá desaparecer)” e do qual ambos os lados não percebem.

Foto – Bolsowyllys: as duas faces de Janus[3] contrapostas entre si.
De um lado, a direita neocon que advoga aquilo que eu, parafraseando Alain Soral, chamo de a direita dos valores sem a esquerda do trabalho. E de outro, a esquerda cirandeira que advoga aquilo que eu, também parafraseando Alain Soral, chamo de a esquerda do bundaço universitário sem a direita dos valores e a esquerda do trabalho. Parafraseando o professor Nildo Ouriques, tanto um quanto o outro vestem um figurino ianque, com a esquerda liberal vestindo o figurino do Partido Democrata (não é a toa que Cristiano Alves, em recente artigo da Página Vermelha, disse que a atual esquerda brasileira está muito mais próxima de Hillary Clinton [a mesma Hillary Clinton que foi a responsável pela guerra na Líbia em 2011 e que se regozijou da morte do coronel Kadaffi] e Barack Obama que de Marx e Engels[4] [os mesmos Marx e Engels que não iam com a cara dos militantes GLBT de sua época, a exemplo de Karl Heinrich Ulrichs]) e a direita neocon vestindo o figurino do Partido Republicano e o pensamento advindo de figuras como Ronald Reagan e Margareth Thatcher (pensamento esse que é difundido no Brasil por meio de think thanks como Instituto Millenium, Atlas Network, Instituto Mises e outros). A mesma direita que da forma mais pretensiosa possível tenta se associar à figura do finado Doutor Enéas, o qual em vida rechaçava tudo o que essa gente hoje defende. Com a diferença que enquanto a esquerda democratóide promove a agenda liberal pela frente cultural, a direita republicanóide promove essa mesma agenda pela frente econômica. E um banco como Santander, por sua vez, fazendo isso pelas duas frentes ao mesmo tempo.
E, como não poderia deixar de ser, figuras da esquerda que veste o figurino do Partido Democrata saíram em defesa dessa exposição, a exemplo de uma postagem de Luciana Genro (a mesma Luciana Genro que anteriormente apoiou as revoluções coloridas na Ucrânia e na Síria e que defende a Operação Lava Jato, sem se dar conta do perigo que corre ao defender tal camarilha politiqueira, que a olha como alguém que deveria estar atrás das grades) no WhatsApp, aonde ela sai em defesa da exposição do Santander Cultural e promete grande ato de defesa em nome da arte e da diversidade.

Foto – Luluzinha Genro em defesa da exposição do Santander Cultural.
Tal defesa da parte do Santander nos causa grande espanto, ainda mais levando em consideração que a mesma Luciana Genro foi um dos poucos presidenciáveis, ao lado de Levy Fidélix e de Eduardo Jorge, que ousou tocar na questão do Bolsa Banqueiro no pleito de 2014. Quer dizer agora que um banco como o Santander, uma instituição que vive a custa da miséria e do infortúnio do povo de nosso país por meio do pagamento dos juros e amortizações do serviço da dívida pública e que trata o Estado brasileiro como se fosse um balcão de negócios, ao fazer uma exposição com essa temática se torna um santo perante a população?
Tal posicionamento, acima de tudo, é sintomático do fato de que a esquerda brasileira atual veste o figurino do Partido Democrata e que muito mais próxima se encontra de Hillary Clinton e Barack Obama que de figuras como Marx, Engels, Lenin, Stalin, Mao Zedong[5] e Kim il-Sung. Tal fato deveria no mínimo causar a uma pessoa que se diz de esquerda como a Luluzinha Genro questionamentos quanto a real relação entre ideologia de gênero e grandes capitalistas como George Soros e o clã Rockefeller. Como se não bastasse as várias novelas da Rede Globo com temática GLBT e toda a glamourização do estilo de vida GLBT que os grandes meios de comunicação promovem (quer seja através da música, de filmes, de novelas e comerciais, entre outros). Diga-se de passagem, será que essa esquerda cirandeira irá defender a Rede Globo futuramente em um evento similar a esse, sob a alegação de “defesa da liberdade de expressão” e retóricas afins? É por causa de uma esquerda como essa, que está muito mais preocupada em defender exposição queer do Santander e que não faz o devido trabalho de base em lugares como favelas e bairros pobres, que a Bancada Evangélica cresce cada vez mais na política brasileira e que cada vez mais o pobre é de direita, vota em figuras como o Dória, fala em meritocracia, que figuras como Jair Bolsonaro e Marco Feliciano ganham popularidade (a despeito de seu discurso demagógico), só quer saber de fazer rolezinho em Shopping Center e se encontra sob a alienação dos grandes meios de comunicação. E, além disso, como que de uma esquerda como essa que veste o figurino do Partido Democrata um novo Brizola pode surgir? E como que de uma direita como essa que veste o figurino do Partido Republicano um novo Enéas pode surgir?
Igualmente digno de nota é o artigo publicado no site da Veja a respeito do incidente em questão. Percebe-se na maneira como a Veja cobre o caso que ela não comunga do discurso de figuras como Jair Bolsonaro, Marco Feliciano, Magno Malta, Olavo de Carvalho e outros expoentes da direita neocon tupiniquim. Em outras palavras, que ela, assim como outros veículos de comunicação como a Rede Globo, é liberal em matéria de costumes, mas politicamente não deixa de ser reacionária.

Foto – Bolsonaro e Jean Wyllys juntos a favor do golpe na Venezuela.
Fontes:
Após protestos, Santander Cultural fecha exposição sobre diversidade. Disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/rio-grande-do-sul/apos-protesto-do-mbl-santander-fecha-exposicao-sobre-diversidade/
Como os homossexuais enterraram o comunismo no Brasil. Disponível em: http://apaginavermelha.blogspot.com.br/2017/09/como-os-homossexuais-enterraram-o.html
Hillary Clinton bears responsibility for the Manchester atrocity (em ingles). Disponível em: http://theduran.com/hillary-clinton-bears-responsibility-for-the-manchester-atrocity/
“O atual modelo econômico do Brasil cria o ‘bolsa-banqueiro’”, diz Luciana Genro. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=HVJgyqFU5EQ&ab_channel=Estad%C3%A3o
O sistema da dívida em debate – Eleições 2014. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=I__hgZdV-cE&ab_channel=AuditoriaCidad%C3%A3daD%C3%ADvida
Santander Cultural promove pedofilia, pornografia e arte profana em Porto Alegre. Disponível em: http://www.locusonline.com.br/2017/09/06/santander-cultural-promove-pedofilia-pornografia-e-arte-profana-em-porto-alegre/
Socialismo e direitos gays. Disponível em:


NOTAS:

[1] Leia-se “Korr”. No alemão, assim como em idiomas como o polonês e o tcheco, a partícula ch tem o mesmo som do j no espanhol, do kh no russo e do h no inglês e no húngaro: r aspirado forte.
[2] As partículas č, š e ž, muito utilizadas nos idiomas da Europa oriental que utilizam a escrita latina, possuem o mesmo som do tch, ch e do j no português e no francês, respectivamente.
[3] Leia-se “Ianus”. No latim, assim como em idiomas como o alemão, o húngaro, o polonês, o holandês, o servo-croata, o eslovaco, o tcheco, os idiomas bálticos e escandinavos, a partícula j tem valor de i.
[4] Leia-se “Enguels”. No alemão, assim como em idiomas como o russo, o polonês, o tcheco, o eslovaco, o servo-croata, o mongol e o japonês, o som do g não muda conforme a vogal seguinte como nos idiomas neolatinos e no inglês.
[5] Leia-se “Tzedon”, pois no mandarim a partícula z tem valor de tz e a consoante final de uma palavra é sempre muda.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A lei é para todos? - Reflexão.


Foto – Frase retirada de um trecho do livro “O avesso das coisas – Aforismos”, de Carlos Drummond de Andrade.
Se a lei é para todos, por que esses juízes, desembargadores e procuradores da Car Wash ganham salários que em muito superam o teto permitido por lei (R$ 33.763,00)? Haja vista casos como o do juiz Mirko Vincenzo Giannotte, da sexta vara de Sinop (Mato Grosso), que em um mês ganhou mais de meio milhão de salário.
Se a lei é para todos, porque Deltan "PowerPoint da Convicção" Dallagnol (o mesmo Dallagnol que comprou dois imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida) fez o concurso para o Ministério Público no mesmo ano em que se formou em Direito, sendo que pela lei na época ele só poderia prestar tal concurso dois anos após sua formatura (e sendo ainda que o prazo para tal no presente momento é de três anos)?
Se a lei é para todos, o que dizer do possível envolvimento da esposa de Sérgio Moro (vulgo o Imparcial de Curitiba, como Paulo Henrique Amorim o chama carinhosamente) em um caso de corrupção nas APAEs do Paraná, onde houve um desvio de R$ 450 milhões?
Se a lei é para todos, por que Sérgio Moro até hoje ainda não foi punido por ter vazado as conversas telefônicas de Dilma e Lula para a imprensa? Ainda mais para um sujeito como ele, que acha que o sistema de justiça norte-americano é um exemplo a ser seguido pelo Brasil?
Se a lei é para todos, o que dizer dos vários auxílios que esses juízes, procuradores e desembargadores, tais como auxílio-luz, auxílio-moradia, auxílio-alimentação, auxílio-terno e auxílio-educação que essa gente recebe e são pagos com o dinheiro dos impostos que as pessoas pagam todo santo ano (no que ajuda tornar o Brasil como o país com a justiça mais cara do mundo, que por ano consome cerca de 1,3% do PIB do país)?
Se a lei é para todos, o que dizer da academia para juízes do Rio de Janeiro que por ano consome R$ 4 milhões e onde apenas desembargadores, juízes e seus parentes frequentam (o que foi noticiado no jornal do SBT no mês passado) e que também, segundo a reportagem, é paga com o dinheiro do contribuinte?
Se a lei é para todos, como fica o caso do advogado Carlos Zuccoloto Júnior, amigo do Imparcial de Curitiba, que foi acusado por Rodrigo Tacla Duran de vender favores dentro da própria Car Wash?
Entre tantos outros casos de falso moralismo, farisaísmo, atropelo e pisoteio das leis que certas pessoas que se apresentam como os paladinos da moralidade cometeram nesses anos todos que aqui podem muito bem ser listados.
Algo bem curioso de se ver é que quando certas pessoas fazem manifestações de rua a favor da Car Wash e do Imparcial de Curitiba, estão prestando apoio ao que há de mais corrupto, nepótico (pois para uma pessoa poder ascender nesse meio, suas ligações familiares e parentescos são muito importantes), fisiológico, patrimonialista, retrógrado e reacionário dentro do sistema de justiça brasileiro (o lugar aonde a meritocracia que grupos como o MBL e figuras como Kim Kataguiri e Fernando Holiday tanto pregam vai literalmente para o ralo). Ou seja, estão pedindo para que corruptos punam outros corruptos. Por ai vemos que o verdadeiro negócio dessa gente não é combate à corrupção, e sim politicagem e negócios escusos.
Por meio desses exemplos todos, chegamos a seguinte conclusão em forma de pergunta: a lei é para todos, ou será que na Terra Brasilis existem na prática duas leis, uma para a plebe e outra para a classe dominante? Talvez os casos Rafael Braga e Breno Borges (o primeiro negro e pobre e o segundo filho de desembargadora; o primeiro foi preso após ter sido pego com menos de 10 gramas de maconha forjados e o segundo foi flagrado com 130 quilos de maconha, assim como armamentos pesados e munições) sejam bem emblemáticos e ilustrativos desse fato. Parece que, como essa gente é quem manda no país desde os primórdios de sua história, eles podem roubar a vontade e passar por cima da lei que eles não precisam prestar satisfações a ninguém que não serão punidos por isso. O que mostra o quão falacioso, mentiroso e enganador é o título do filme a respeito da Operação Car Wash, assim como o combate à corrupção que eles alegam estar fazendo. Tão falso quanto uma nota de R$ 1000,00.

Foto – Dois pesos, duas medidas: as duas leis da justiça brasileira.
Fontes:
Advogado junta esquemas para provar esquemas e corrupção de amigo de Moro. Disponível em: https://falandoverdades.com.br/2017/08/28/advogado-junta-provas-para-provar-esquemas-e-corrupcao-de-amigo-de-moro/
Caso das APAEs do Paraná: Dallagnol e Moro aparecem nas pesquisas – Vejam os dados e possíveis envolvidos. Disponível em: http://www.apostagem.com.br/2017/05/04/caso-das-apaes-do-parana-dallagnol-e-moro-aparecem-na-pesquisa-vejam-os-novos-dados-e-possiveis-envolvidos/
Dallagnol não poderia ser aprovado no concurso do MPF: colou grau no mesmo ano que prestou concurso. Disponível em: http://www.apostagem.com.br/2017/07/24/dallagnol-nao-poderia-ser-aprovado-no-concurao-do-mpf-colou-grau-no-mesmo-ano-que-prestou-concurso/
Denúncias apontam para juízes que custa mais de 4 milhões de reais. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=EZfV1eW-bwA&feature=share&ab_channel=SBTRio
Judiciário fica mais caro e leva 1,3% do PIB; juiz custa R$ 46 mil/mês. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2016/10/17/judiciario-fica-mais-caro-e-leva-13-do-pib-juiz-custa-r-46-milmes.htm
Juiz do interior do Mato Grosso recebeu R$ 503 mil em um mês. Disponível em: http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/juiz-do-interior-de-mt-recebeu-megasalario-de-r-503-mil-em-julho.ghtml
Prosopografia da Lava Jato e do Ministério Temer. Disponível em: http://revistas.ufpr.br/nep/article/view/54320

Sérgio Moro, que prometeu passar o Brasil a limpo, tem salário de R$ 77 mil. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=SLqGsmg6AdI&ab_channel=PTnaC%C3%A2mara

sábado, 19 de agosto de 2017

Os imprecisões de Nando Moura, parte 6 - A verdade não será televisionada.


Em oito de agosto de 2017, Nando Moura postou o vídeo “Castanhari, Venezuela e ignorância...”, em resposta ao vídeo de Felipe Castanhari (dono do canal Nostalgia) sobre a Venezuela (o qual gerou grande polêmica na Internet por parte de elementos da direita raivosa que literalmente o lincharam). Como sempre, Nando Moura demonstra desconhecimento sobre assunto e só reproduz o que os grandes meios de comunicação falam sobre o país caribenho. Entre eles a Rede Globo, que segundo o professor Igor Fuser nunca publicou uma única e mísera notícia positiva sobre a Venezuela desde 1999. A propósito, o título desse artigo é uma clara alusão ao filme de Oliver Stone intitulado “A Revolução não será televisionada”, lançado em 2003 e que fala a respeito do fracassado golpe de Estado ocorrido na Venezuela no ano anterior.
Primeiro de tudo que não dá para entender o que se passa na Venezuela hoje, muito menos o período chavista, sem entender o que era a Venezuela até 1998, quando Hugo Chávez obteve sua primeira vitória no pleito presidencial venezuelano e colocou fim a 41 anos de Quarta República Venezuelana (1958 – 1999). Pleito esse que teve como pano de fundo um quadro de instabilidade econômica. Como dito no artigo anterior, é muito curioso ver os grandes meios de comunicação, quando falam sobre a Venezuela, bolivarianismo e chavismo em momento falarem sobre o que era a Venezuela antes da ascensão de Hugo Chávez ao poder. Como se fossem coisas que surgem por geração espontânea e como se o malvadão Hugo Chávez tivesse chegado ao poder e matado a inocente e pura democracia venezuelana sem dó nem piedade e por puro sadismo ditatorial. Nada fala também, por exemplo, do que foi a experiência neoliberal no país, muito menos a respeito do Caracazo, uma manifestação popular ocorrida em 1989 dentro de um contexto de crise econômica e em resposta a uma política de austeridade imposta por exigência do FMI (que gerou grande empobrecimento da população). Tal manifestação foi duramente reprimida pelo Estado, resultando em entre 1000 a 3000 pessoas mortas. E o curioso é que o Caracazo na época não comoveu a mesma comunidade internacional que hoje chora pelas cerca de 100 vítimas dos embates de rua na Venezuela (muitas delas partidários do governo mortos pelo terrorismo de Extrema Direita, diga-se de passagem).

Foto – Cenas do Caracazo, 1989.
Nando Moura começa falando que o vídeo de Castanhari é uma das coisas mais burras, desinformantes e irresponsáveis que ele já viu no canal em questão. Pergunta a Castanhari sobre quem são esses uns que adoram Maduro. E então eu pergunto a Nando Moura: como você acha que Nicolás Maduro foi eleito em 2013 e venceu Henrique Capriles e os outros candidatos no pleito presidencial daquele ano, ocorrido logo após o falecimento do Comandante Hugo Chávez? Se ninguém dele gostasse como é dito, não estaria a três anos resistindo a guerra por procuração que os Estados Unidos promovem na Venezuela. E como você acha que Hugo Chávez ganhou três pleitos presidenciais e ainda venceu um golpe de Estado promovido contra ele em 2002? Só tendo meia dúzia de partidários ao seu lado é que não foi.
Quando Hugo Chávez ganhou seu primeiro pleito presidencial em 1998, o sistema advindo do Pacto de Punto Fijo[1][2] estava em colapso, e sua plataforma política surgiu como proposta sem precedentes na história do país para uma população desprovida de sistemas públicos includentes (incluindo saúde, educação e moradia). Isso é o que em grande parte explica sua popularidade nas camadas menos abastadas do povo venezuelano. E uma vez no poder Chávez, muito embora não tenha alterado de forma significativa a estrutura produtiva do país, implodiu com as arcaicas estruturas políticas e sociais vigentes até então (antes de Hugo Chávez se alternavam no poder na Venezuela a Ação Democrática e o COPEI), assim como a política externa de alinhamento automático com os Estados Unidos. E assim com Chávez aqueles que antes não tinham voz passaram a serem ouvidos e se tornaram cidadãos.
Em seguida culpa as estatizações promovidas pelas gestões Chávez e Maduro pelas dificuldades econômicas que o país passa no momento. No que ele alega que sufocava o povo com impostos e que essa é a receita do comunismo. De fato, estatizações foram feitas durante o período em questão, entre elas a da PDVSA (Petróleos de Venezuela). Entretanto, Nando Moura se esquece de um detalhe crucial: o comunismo proposto por Karl Marx e Friedrich Engels no século XIX propõe a socialização da propriedade privada dos meios de produção. E isso, por incrível que pareça, não foi feito na Venezuela durante o período chavista. Empresas como o conglomerado industrial alimentício Polar e o conglomerado midiático Cisneros (ambas de oposição ao regime bolivariano) não foram estatizados, muito menos socializadas. E mesmo sob Chávez continuaram operando em solo venezuelano. Além disso, na Venezuela durante o período chavista houve um crescimento industrial e a indústria privada cresceu mais que a indústria pública. Muito embora o governo bolivariano se declare como socialista, o país ainda assim se sustenta sob bases capitalistas, já que os meios fundamentais de produção (incluindo indústrias, grandes redes de comércio e boa parte da rede agrícola) continuam em mãos privadas. Tanto que o regime chavista é comumente classificado como um capitalismo burocrático.
Em seguida cita o exemplo de Dubai, que até meio século atrás sobrevivia de petróleo e só tinha 13 carros registrados e que hoje tem o maior aeroporto do mundo e que a receita é deixar que as empresas venham cobrar cada vez menos impostos e fazer com que elas edifiquem o país. Primeiro que um dos problemas que afligem a Venezuela é sua baixa arrecadação tributária, que corresponde a apenas 13,5% do PIB do país (enquanto que a arrecadação tributária brasileira corresponde a 35% do PIB). Segundo que um país não se faz com capital alheio, e sim com capital próprio. Ou será que países como a Alemanha, o Japão e os Estados Unidos chegaram ao patamar que hoje se encontram se submetendo a lógica de tratados comerciais desiguais como o de Methuen (1703) entre Portugal e Inglaterra e o Eden Rayneval (1786) entre França e Inglaterra, abrindo suas pernas para o capital transnacional e abdicando do protecionismo de seu mercado interno? Ou seja, com uma lógica econômica de país for export? A resposta é não.
E terceiro que ele mal deve saber que os Emirados Árabes Unidos, assim como os demais Estados do Golfo Pérsico, se utilizam muito de mão-de-obra imigrante vinda da África, do Subcontinente Indiano e do Sudeste Asiático, que lá são tratados como verdadeiros escravos e ganham um salário miserável. Tais nações tem o seguinte modelo político-econômico: uma minúscula oligarquia de famílias reais e nobres locais concede a exploração do petróleo do país às multinacionais petroleiras ocidentais (tais como Exxon Mobil, British Petroleum, Chevron-Texaco e Shell), e essas em troca abastecessem essas mesmas oligarquias com um fluxo ininterrupto de dólares recém-impressos e sem qualquer tipo de respaldo. Em Washington o Federal Reserve imprime os chamados petrodólares, os quais geralmente servem para duas coisas: financiar o luxo dessas famílias nobres (que inclui coleções inteiras de Rolls-Royces, centros mundiais de luxo, palácios decorados com peles de felinos, praias privadas, festas com orgias e mansões no exterior, entre outros) e o financiamento do radicalismo islâmico de matiz salafista mundo afora. Tal dinheirama que aflui para tais países em nada melhora as condições de vida de seus povos. Uma realidade pouco ou nada diferente do que era a Venezuela quando no Palácio de Miraflores lá estavam no poder os López, os Capriles, os Ledezmas e a dita “oposição democrática” (muitas dessas figuras que eram prefeitos e/ou governadores biônicos nos tempos da Quarta República).
Fala que o comunismo e o socialismo funcionam até acabar o dinheiro dos outros e que a única que regimes socialistas de bom têm é distribuir de forma igualitária a fome e a miséria. Se o comunismo é tão bom em distribuir miséria, o que me diz do capitalismo, onde 1% da população concentra em suas mãos 99% da riqueza do planeta e as 62 pessoas mais ricas do mundo possuem mais riquezas que os 50% mais pobres? Esse é o sistema aonde ao mesmo tempo em que multimilionários como o João Paulo Lemann, o George Soros, o Rockefeller, o barão de Rotschild, os irmãos Koch e o CEO da Nestlé nadam em uma piscina cheia de dinheiro milhões e milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza.
Em seguida ridiculariza o argumento de Felipe Castanhari de que na Venezuela havia uma elite de fazendeiros e industriais que travavam a vida política do país e de que Hugo Chávez e Maduro não são dessa elite, falando que esse é o discurso que lá eles utilizam e que aqui no Brasil Lula utiliza. Em que mundo será que Nando Moura vive? De fato, essa elite existia na Venezuela e parte dela até hoje vive na Venezuela. Essa é a elite que durante o período da Quarta República, além de dominar a vida política do país, se refestelava com os lucros da atividade petroleira tal como no Oriente Médio fazem os emires e šeikhs das monarquias do Golfo Pérsico. E ainda comumente fazia compras de supermercado não no país, e sim em Miami.
Tal situação foi mudar justamente com Hugo Chávez no poder. Assim como aconteceu na Líbia após a ascensão do Coronel Kadaffi e no Iraque após a ascensão de Saddam Hussein, a renda do petróleo passou a ser usado para melhorar a qualidade de vida do povo venezuelano, e uma série de avanços foram atingidos. Nos governos anteriores à Hugo Chávez, a pobreza extrema atingia 40% da população do país, ao passo que 70% estava abaixo da linha da pobreza, a subnutrição atingia 21% da população, apenas 70% das crianças concluíam o ensino primário e o acesso às universidades era algo restrito às elites e à pequena classe média. A previdência venezuelana contemplava na época apenas 387 mil idosos, com a maioria deles vivendo à míngua.
Sob o Comandante Hugo Chávez a desigualdade social (medida pelo índice de Gini) se reduziu em 54%. A pobreza despencou de 70,8% em 1996 para 21% em 2010, e a extrema pobreza caiu de 40% em 1996 para 7,3% em 2010. Por meio das misiones cerca de 20 milhões de pessoas foram beneficiadas, no que criou um verdadeiro Estado de Bem Estar Social na Venezuela. A desnutrição foi reduzida para 5% e a desnutrição infantil 2,9%. O país de Simon Bolívar tornou-se também o segundo país da América Latina (perdendo para Cuba) e o quinto no mundo com maior proporção de estudantes universitários. A mortalidade infantil diminuiu de 25 por mil em 1990 para apenas 13 por mil em 2010. O acesso à água potável hoje é acessível a 96% da população. Em 1998, havia 18 médicos por 10 mil habitantes, enquanto que hoje esse número é de 58 por 10 mil. O governo bolivariano construiu em 13 anos 13721 clínicas, contra 5081 clínicas construídas pelos governos anteriores em um espaço de quatro décadas (em outras palavras, um aumento de 169,6%). Pelo programa Barrio Adentro 1,4 milhões de vidas foram salvas. Na área da educação também houve avanços expressivos, a ponto de 2005 o país ter sido declarado pela UNESCO como livre do analfabetismo.

Foto – A razão pelo qual Chávez foi tão amado em vida.
Entretanto, a Venezuela sob Hugo Chávez não avançou no sentido de uma industrialização do país e de uma maior diversificação da economia. E assim o país fica vulnerável às oscilações do preço do petróleo no mercado internacional. Tal qual acontecia, por exemplo, com o Brasil nos tempos da República Velha (1889 – 1930), onde o país era vulnerável às oscilações do preço do café no mercado internacional. E essa não é a primeira vez que o país passa por uma crise econômica desse tipo: também passou por isso nos anos 1980 e depois a partir de 1995. Como a economia do país ao longo do século XX foi se tornando cada vez mais voltada à renda do petróleo, isso prejudicou e atrofiou outros setores da economia, entre eles o de produção de alimentos. A estrutura agrária é insuficiente para atender toda a demanda do mercado interno, no que obriga o país a ter que fazer grandes importações de alimentos. Sobre tais problemas a edição nº24 da Grande Enciclopédia Larousse Cultural, publicada em 1998 (coincidentemente e curiosamente, no mesmo ano da primeira vitória de Hugo Chávez à presidência da Venezuela), fala (no que mostra que dos governos anteriores Hugo Chávez herdou um grande abacaxi em termos econômicos). Resumindo a ópera, a Venezuela é um país que padece daquilo que em economia é chamado de a doença holandesa, que é quando a economia de um país se volta à exploração de determinado recurso natural em um período em que seu preço no mercado internacional está nas alturas em prejuízo de outros setores da economia do país.
No tocante à questão agrária, o governo Chávez criou em 2001 a lei de terras, com o intuito de dar impulso à produção de alimentos. Incentivos foram feitos a fazendas coletivas, assim como esforços para legalizar terras de pequenos proprietários. A nova lei proibiu que uma única pessoa possuísse mais que 5000 hectares, estabeleceu impostos progressivos sobre propriedades, adotou mecanismos para desapropriar latifúndios improdutivos e determinou a recuperação de áreas públicas ilegalmente ocupadas. Entretanto, mesmo no campo a população em geral não tinha mais o costume de plantar, perdeu muito da memória e do zero tudo teve que ser iniciado. Ainda assim a produção cresceu muito, dobrando em um espaço de 10 anos. E como o governo bolivariano passou praticamente todos os seus anos se defendendo de ataques, a proposta de produção e desenvolvimento endógeno sofreu uma série de percalços junto.
Entretanto, a crise econômica pela qual a Venezuela passa no presente momento também tem uma faceta artificial. Há um desabastecimento nos supermercados produzido pela especulação cambial e boicote político, tal como foi feito no Chile durante o governo Allende. O governo fornece aos importadores e comerciantes dólares cotados, pelo câmbio oficial, a apenas 10 bolívares. Mas no mercado negro o dólar é cotado a milhares de dólares, e muitos desses importadores não importam o que deveriam, fazendo contratos, importando apenas uma parte e depositando dólares no exterior. Cerca de 35% dos alimentos comprados são contrabandeados para o exterior, em especial para a Colômbia, aonde são vendidos com muito lucro, enquanto que outra parte é vendida no mercado interno a preço de ouro, no que gera carestia e inflação. Também há a questão da especulação que alimenta um índice inflacionário.
E, assim como aconteceu com o Chile durante o governo Allende, o país desde 2013 passou a ser submetido a uma espécie de bloqueio financeiro internacional, que consiste em tornar cada vez mais difícil e caro o acesso ao crédito no mercado internacional e em obstaculizar transações financeiras. As armas utilizadas são publicações de níveis elevados de índice de risco país e retardamento das transações financeiras costumeiras. No que ajuda a radicalizar ainda mais o processo político venezuelano.
Sobre a questão sobre quem pertence ou não a elite, ao que tudo indica Nando Moura mal deve saber que um representante da verdadeira elite, nascidos em berço dourado tais como o Roberto Setúbal (dono do Itaú) e o Gustavo Cisneros (dono do já citado grupo Cisneros e da equipe de beisebol venezuelana Los Leones de Caracas) jamais irá olhar alguém que nasceu na pobreza como o Lula como parte integrante de sua confraria por mais que com eles conchave e negocie (que é o que as administrações petistas aqui fizeram). Ou você acha que a empáfia com a qual os juízes e procuradores da Car Wash se dirigem e o ódio que sentem por Lula é mero acaso, uma mera anedota? E será que eles o odeiam apenas por que ele é supostamente corrupto e dono de tríplex e de sítio em Atibaia (entre as outras frívolas acusações que eles fazem contra o político pernambucano)?
E em seguida pergunta a Castanhari se é difícil de admitir que o que ferrou o país caribenho é o comunismo/socialismo dessa gente. E depois ridiculariza o argumento de Castanhari de que Hugo Chávez e Maduro foram eleitos várias vezes, alegando que o sistema de apuração de votos lá usado é uma fraude. Nada mais falso, tendo em vista que desde a eleição de Hugo Chávez 21 eleições foram realizadas (entre elas um referendo revogatório), todas elas limpas e internacionalmente auditadas. E isso para não falar do fato de que na Venezuela há partidos de oposição que funcionam regularmente e imprensa livre, mesmo após a cassação da concessão da RCTV (articuladora do golpe de 2002).
Fala por volta de 4:50 que ele usa o mesmo discurso que Chávez supostamente usava a respeito de uma “elite capitalista malvadona que oprime o povo venezuelano”, e ridiculariza Castanhari sobre a questão “direita x esquerda” e que a Venezuela sob Chávez e Maduro é uma ditadura e que supostamente é difícil que eles são ditadores sanguinários e que foi o comunismo/socialismo supostamente financiados por russos e chineses que arruinou a Venezuela. Se para Nando Moura Hugo Chávez é ditador por ter permanecido 14 anos no poder, o que dizer, por exemplo, de Konrad Adenauer, que foi primeiro-ministro da Alemanha Ocidental por 14 anos (de 1949 a 1963)? E o recém-falecido Helmut Kohl, premiê da Alemanha por 16 anos (de 1982 a 1998)? E Angela[3] Merkel, premiê da Alemanha há 12 anos (desde 2005)? E François Miterrand e Felipe González, que ficaram no poder em seus respectivos países por 14 anos (o primeiro de 1981 a 1995 e o segundo de 1982 a 1996)? E Margaret Thatcher, premiê da Inglaterra por 11 anos (de 1979 a 1990)? E Tony Blair, premiê da Inglaterra por 10 anos (de 1997 a 2007)? Não vejo ninguém chamar esses presidentes e premiês do dito “mundo livre e democrático” que ficam muitos e muitos anos no poder de ditadores nem nada similar. E se Chávez e Maduro são sanguinários, o que dizer, por exemplo, de Helmut Kohl, que ajudou a detonar com os conflitos na Iugoslávia ao reconhecer as independências da Croácia e da Eslovênia? Ou de Nicolas Sarkozy e François Hollande, que apoiaram grupos terroristas salafistas na Líbia e na Síria? E de Hillary Clinton, que foi a grande responsável pela destruição da Líbia e que se regojizou da morte do Coronel Kadaffi? E de George W. Bush, que literalmente abriu a caixa de Pandora no Iraque ao derrubar Saddam Hussein? E de Bill Clinton e seu bombardeio à Sérvia em 1999? Entre tantos outros podres dos presidentes e premiês do dito “mundo livre e democrático”.
Se arruinou a Venezuela o comunismo/socialismo financiado por China e Rússia, o que dizer, por exemplo, da desestabilização do país promovida por meio de guerra por procuração pelos Estados Unidos, em nada diferente do foi feito na Líbia e na Síria desde 2011? Diga-se de passagem, a Venezuela corre um sério risco de se tornar um estado zumbi similar ao que se viu na Líbia e no Iraque desde as quedas de Muammar al-Kadaffi e Saddam Hussein, que para outros países exporta caos e instabilidade sócio-político, assim como refugiados. Diga-se de passagem, a mão dos EUA está por trás disso tudo. Ainda mais levando em consideração que a Venezuela se encontra debaixo de uma das mais ricas reservas de petróleo do mundo (calculadas em 298,3 bilhões de barris, ou seja, 17,5% de todo o petróleo do planeta) e que enquanto o petróleo do Oriente Médio leva de 35 a 40 dias para chegar até os EUA, o petróleo venezuelano faz esse mesmo caminho em 4 a 5 dias. Os mesmos EUA que são a nação que mais consome petróleo no mundo. O Tio Sam não está em nada preocupado com a democracia venezuelana. Estivesse mesmo preocupado com a democracia no país caribenho, deveria tomar ações, por exemplo, contra a Arábia Saudita e os demais petro-estados do Golfo Pérsico.
Lembrando que o comandante Chávez em termos de política externa rompeu com o paradigma anterior de país periférico e alinhado com os Estados Unidos e investiu na integração regional e no eixo estratégico geopolítico e geoeconômico Sul-Sul, no que conduziu à adesão do país caribenho ao Mercosul. Sob o comandante Chávez, a Venezuela estabeleceu relações próximas com países como a Rússia, a China, Cuba, a Síria, a Líbia e o Irã, entre outros países não alinhados com Washington. Também era grande parceira do Brasil e criou a ALBA e a Petrocaribe, objetivando fornecer petróleo a preços convidativos aos países da região.
Se Nando Moura acusa o vídeo de Felipe Castanhari sobre a Venezuela de ser desinformador, suas assertivas sobre a Venezuela são bem mais.

Fontes:
“A mídia está criando um clima internacional para justificar uma intervenção estrangeira na Venezuela”. Disponível em: http://port.pravda.ru/mundo/27-05-2017/43335-midia_venezuela-0/
Castanhari, Venezuela e ignorância... Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Uv_8ubkE9R4&ab_channel=NandoMoura
Doença holandesa. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Doen%C3%A7a_holandesa
Dubai: pesadelo dos trabalhadores no Golfo Pérsico. Disponível em: http://www.vermelho.org.br/noticia/287343-1
Eduardo Velasco – Mare Nostrum: o que está acontecendo com a Líbia. Disponível em: http://legio-victrix.blogspot.com.br/2017/02/eduardo-velasco-tragedia-no-mare.html
Especialista analisa situação política da Venezuela. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=lGv1avVnxig&ab_channel=RecordNews
Estudando a Venezuela (Página do Facebook). Disponível em: https://www.facebook.com/Estudando-a-Venezuela-299488963845634/?fref=ts
Grande Enciclopédia Larousse Cultural. São Paulo: Nova Cultural, 1998. v. 24. p. 5907 – 5910.
Hace 10 años, la UNESCO reconoció a Venezuela libre de analfabetismo (em espanhol). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=46pVXN5KIjg&feature=youtu.be&ab_channel=teleSURtv
Igor Fuser dá show: “nunca vi uma notícia positiva sobre a Venezuela no Globo”. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=HLjvz4T3pjc&ab_channel=mtsemteto
O que se passa na Venezuela sem a maquiagem da mídia. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=maJxtGXvwOk&ab_channel=OsvaldoBertolino-Ooutroladodanot%C3%ADcia
Para entender a Venezuela. Disponível em: http://iela.ufsc.br/noticia/para-entender-venezuela
1% da população global detém a mesma riqueza dos 99% restantes, diz estudo. Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160118_riqueza_estudo_oxfam_fn

NOTAS:


[1] Leia-se “Firro”. No espanhol o j e o g quando sucedido por e ou i tem o mesmo valor do h no inglês, do ch no alemão e no polonês e do kh no russo: r aspirado.
[2] Pacto celebrado em 31 de outubro de 1958 entre a Ação Democrática (AD), a União Republicana Democrática (URD) e o Comitê de Organização Política Eleitoral Independente (COPEI), pelo qual os partidos tradicionais e conservadores aceitaram alternar-se no poder, sem permitir a entrada de novos partidos.
[3] Leia-se “Anguela”. No alemão, assim como em idiomas como o russo, o polonês, o mongol e o japonês, o som do g não muda conforme a vogal seguinte tal qual nos idiomas neolatinos e no inglês.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Nota de Solidariedade à República Bolivariana da Venezuela/Nota de Solidaridad a la República Bolivariana de Venezuela.


Causa-nos muita preocupação o que vem se passando na Venezuela nos últimos anos, principalmente desde que o Comandante Hugo Chávez deixou este mundo e os distúrbios internos que flagelam o país. Obviamente, por trás desses distúrbios, está a mão dos Estados Unidos. País esse que, diga-se de passagem, não está interessado nem um pouco em levar democracia para o país de Simon Bolívar, e sim no petróleo venezuelano. A Venezuela se encontra debaixo de uma das maiores reservas de petróleo do planeta e que enquanto o petróleo do Oriente Médio demora de 35 a 40 dias de viagem de navio para chegar até as refinarias norte-americanas, o petróleo venezuelano apenas leva 4 a 5 dias. E os Estados Unidos são o maior consumidor de petróleo do planeta, a ponto de consumir mais que produzir internamente.
Como sempre, os grandes meios de comunicação muito mentem a respeito da Venezuela e sua situação interna. Não falam, por exemplo, dos partidários do governo que morrem nas mãos do terrorismo de Extrema Direita insuflados por pessoas como Henrique Capriles, Maria Corina Machado e outras figuras da oposição venezuelana, que almejam exumar de seu túmulo a Quarta República Venezuelana e o Pacto de Punto Fijo de sua tumba. Muito menos falam sobre a guerra econômica que a elite econômica venezuelana promove, tal como aconteceu no Chile durante o governo Allende. E isso para não falar do fato de que quando fala na Venezuela, em chavismo e bolivarianismo tratarem da questão como se fosse algo que do nada surgiu, sem mostrar em momento algum o que era o país antes de Hugo Chávez assumir o poder. Sem entender o que era a Venezuela pré-Chávez não dá para entender o que se passa na Venezuela hoje, muito menos o chavismo.
Preocupa-nos muito o fato de que a Venezuela está caminhando para se tornar um estado zumbi tal como aconteceu com o Iraque após a queda de Saddam Hussein e a Líbia após a queda de Muammar al-Gadafi, com os Estados Unidos se aproveitando do ódio sectário político-ideológico dos grupos reacionários de lá contra o chavismo e seus partidários. E assim, com o país sem um governo central, para as grandes potências e grandes petroleiras multinacionais será muito mais fácil saquear o petróleo e outros recursos naturais do país (e que prontamente do país vão sair quando os recursos em questão se acabarem). E o pior de tudo, esse câncer de caos e terror se alastrar para o resto da América Latina, incluindo Brasil.
Fica aqui nossa solidariedade à República Bolivariana da Venezuela.
Chávez vive!
Força Maduro!
Viva a Revolução Bolivariana!

Nos causa mucha preocupación o que se pasa en Venezuela en los últimos años, principalmente desde que el Comandante Hugo Chávez dejó este mundo y los disturbios internos que flagela el país. Obviamente, por detrás de esos disturbios, está la mano de los Estados Unidos. País eso que, dice en pasaje, no está interesado ni un poco en levar democracia para el país de Simón Bolívar, y si en el petróleo venezolano. Venezuela se encuentra debajo de una de las mayores reservas de petróleo del planeta y que mientras el petróleo de Medio Oriente demora de 35 a 40 días de viaje de navío para llegar hasta las refinarías norte-americanas, el petróleo venezolano solo demora 4 a 5 días. Y los Estados Unidos son el mayor consumidor de petróleo del planeta, hasta al punto de consumir más que producir internamente.
Como siempre, los grandes medios de comunicación mucho mienten a respecto de Venezuela e su situación interna. No hablan, por ejemplo, de los partidarios del gobierno que mueren en las manos de los terroristas de Extrema Derecha insuflados por personas como Henrique Capriles, María Corina Machado e otras figuras de la oposición venezolana, que anhelan exhumar la Cuarta República Venezolana y el Pacto de Punto Fijo de su tumba. Mucho menos hablan sobre la guerra económica que la elite económica venezolana promueve, tal como aconteció en Chile durante el gobierno Allende. E eso para no hablar del facto de cuando ellos hablan en Venezuela, en chavismo, en bolivarianismo trataren de la cuestión como se fuera algo que del nada surgió, sin mostrar en momento alguno o que era el país antes de Hugo Chávez asumir el poder. Sin entender o que era la Venezuela pre-Chávez no se puede entender o que se pasa en Venezuela hoy, mucho menos el chavismo.
Nos preocupa mucho el facto de que Venezuela está caminando para tornarse un estado zombi tal como aconteció con el Irak después de la queda de Saddam Hussein y la Libia después de la queda de Muammar al-Gadafi, con los Estados Unidos se aprovechando del odio sectario político-ideológico de los grupos reaccionarios de allá contra el chavismo y sus partidarios. E así, con el país sin un gobierno central, para las grandes potencias y grandes petroleras multinacionales será mucho más fácil saquear el petróleo e otros recursos naturales del país (y que prontamente del país van a salir cuando los recursos en cuestión se acabaren). Y el peor de todo, eso cáncer de caos y terror se alastrar para el resto de Latinoamericana, incluyendo Brasil.
Quédate aquí nuestra solidaridad a la República Bolivariana de Venezuela.
Chávez vive!
Fuerza Maduro!
Viva la Revolución Bolivariana!