sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Hasta la victoria siempre - Homenagem a Fidel Castro


Foto – Fidel Castro ao lado de Leonel Brizola.
No dia 25 de novembro de 2016, um gigante deixou esse mundo aos 90 anos de idade. Seu nome Fidel Alejandro[1] Castro Ruz. Fidel Castro governou Cuba entre 1959 a 2008 (ou seja, durante quase meio século) e foi sem sombra de dúvidas o maior líder latino-americano de todos os tempos. Mas quem foi esse homem que ao mesmo tempo é muito admirado por uns e ferozmente odiado por outros?
Segundo Waldir Rampinelli Júnior, Fidel Castro foi junto com o líder vietnamita Ho Chi Minh os dois maiores estadistas do mundo na segunda metade do século XX por terem vencido militarmente o imperialismo estadunidense e que possivelmente demorará no mínimo um século para o mundo voltar a ter líderes de tamanha estatura.
Da mesma forma com que para se entender a Revolução Russa é necessário entender o que era a Rússia antes de 1917 e que para se entender Muammar al-Kadaffi é necessário entender o que era a Líbia antes da Revolução de 1969 (entre tantos outros exemplos que aqui podem ser listados e citados), para se entender Fidel Castro é necessário entender o que era Cuba antes da Revolução de 1959. Cuba foi parte do Império Colonial Espanhol entre 1510 a 1898, e a tutela formal espanhola foi em seguida sucedida pela tutela informal norte-americana depois que a Espanha foi vencida pelos Estados Unidos na Guerra Hispano-Americana de 1898.
Sob a tutela norte-americana, Cuba era um verdadeiro protetorado de Washington e apresentava o mesmo quadro típico de abismo social que flagela as nações latino-americanas: de um lado havia uma grande massa miserável que era flagelada por mazelas como o analfabetismo, a pobreza extrema e altas taxas de mortalidade infantil, e de outro uma elite opulenta que explorava o país em conluio com o imperialismo norte-americano, o qual por sua vez tinha em suas mãos a produção açucareira e a rede hoteleira cubana. Grassavam na época em Cuba cassinos e prostíbulos que eram frequentados pela máfia, por milionários e militares dos Estados Unidos, e o país era um paraíso para atividades como lavagem de dinheiro, jogatina ilegal, tráfico de drogas e de mulheres. Além disso, Washington influenciava fortemente em sua política interna. Não raro Washington entronava e derrubava os governantes cubanos conforme seus interesses do momento. Um desses que recebeu o apoio ianque foi Fulgencio Batista, que governou Cuba entre 1940 a 1944 e retornou ao poder em 10 de março de 1952 tomou o poder através de um golpe de Estado. O regime de Batista se caracterizou por sua truculência e corrupção.
Em 26 de julho de 1953 houve os ataques aos quartéis de Moncada e de Carlos Manuel de Céspedes, cuja repressão matou vários combatentes e prendeu outros. Entre os presos estava Fidel Alejandro Castro Ruz, recém-formado advogado pela Universidade de Havana. Na época, suas principais influências a nível ideológico eram o líder argentino Juan Domingos Perón, o poeta e intelectual cubano José Martí e o falangista espanhol José Antonio Primo de Rivera.
Após um tempo na prisão, Fidel Castro se exilou no México. Lá se reuniu com opositores ao regime de Fulgencio Batista, e em 1954 funda o Movimento Revolucionário 26 de Julho, com o objetivo de estabelecer uma guerra de guerrilha que fosse capaz de derrubar o regime vigente em Havana. Do México, Fidel Castro, junto com 82 combatentes (entre eles o marxista argentino Che Guevara) no iate Granma, fazem após uma viagem de sete dias um assalto a Cuba em 1956, desembarcando no litoral sudeste de Cuba. Ante a repressão inicial e outros problemas, apenas 22 dos combatentes sobreviveram.
O movimento teve que então recomeçar praticamente que zero para garantir sua sobrevivência e reestruturação. Para isso, contaram com a ajuda de camponeses que os guiaram pelas florestas e os alimentaram. Ao mesmo tempo, o governo respondia com retaliações a qualquer um que supostamente ajudasse os rebeldes como forma de terrorismo psicológico, e na capital alardeava que o movimento rebelde fora sufocado. Tendo consciência de que ainda não eram fortes o suficiente para enfrentar as tropas governamentais abertamente, os revolucionários mantinham-se sempre em movimento, fazendo emboscadas e evitando contato com o inimigo o máximo possível. Por meio da estratégia do “bater e correr”, conseguiram infligir alguns danos ao exército e pequenas vitórias.
Pouco a pouco, o movimento conquistou a simpatia dos guarijos, os camponeses cubanos, pois cada espaço conquistado pelos rebeldes logo era considerado Território Livre e suas terras divididas entre os camponeses. O movimento já tinha uma base que funcionava como Quartel General, situado na Sierra Maestra, sob a organização de Che Guevara, onde se criou um sistema rudimentar para a produção de pão e charque para alimentar as tropas, artigos de couro para os soldados e até uma pequena imprensa de onde eram editados manifestos e até um jornal da floresta.

Foto – Fidel Castro ao lado do líder egípcio Gamal Abdel Nasser.
À medida que os combates se desenrolavam, as forças da guerrilha, a despeito das lutas contra forças desiguais, conseguiam empurrar as tropas inimigas para trás de suas linhas, e conforme a distância de Havana diminuia, os combates se tornam cada vez mais ferozes. Fulgencio lança mão de suas últimas forças, mas esse esforço é inútil, principalmente depois que os rebeldes interceptaram um trem blindado repleto de material bélico, ao qual o regime de Batista depositava suas últimas forças realmente significativas. Com as forças de Batista se retirando e se dispersando, os rebeldes chegaram à Havana em 1º de janeiro de 1959 para travar a batalha final. Batista fugiu do país na madrugada anterior, junto com a cúpula de seu governo, a elite do país e a cúpula do exército, que abandonaram tudo que não puderam levar, e as tropas rebeldes, após vencerem junto com o povo os poucos bolsões de resistência inimiga a seu avanço dentro da capital cubana, são recebidas como heróis.
A respeito da Revolução Cubana (que o próprio Fidel Castro afirmou em uma ocasião que seu início verdadeiro não foi em 1956, e na guerra de 1868 a 1878 contra o colonialismo espanhol), algo digno de nota é que ela originalmente não era comunista. Tinha um caráter mais nacionalista e intentava fazer uma série de reformas estruturais, entre elas a reforma agrária. Entretanto, a hostilidade dos Estados Unidos (ao qual Fidel Castro tentou estabelecer relações amigáveis logo após a Revolução) fez com Cuba bandeasse para o lado da União Soviética e adotasse o modelo comunista de organização social, que tal qual na Coréia do Norte sobreviveu mesmo após o fim da União Soviética em 1991.
Após a Revolução de 1959, Cuba conseguiu inúmeros feitos na área social. Erradicou em pouco tempo com o analfabetismo e o latifúndio monocultor no campo (e assim devolveu a terra ao povo e a deu um valor social), conquistou o segundo melhor IDH de toda a América Latina, tem o melhor sistema educacional da América Latina, seu sistema de saúde é tido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como um modelo para o mundo, é o 2º país menos violento da América Latina (segundo estudo da ONU, a taxa de homicídios cubana é de 4,2 por 100 mil habitantes, contra 25,2 por 100 mil habitantes do Brasil), sua taxa de alfabetização chega a quase 100%, nos últimos 13 anos a taxa de desemprego tem variado entre 1 a 3%, nos últimos 21 anos teve taxas de crescimento econômico que variaram entre 1 a 12%, é o único país da América Latina que erradicou com a desnutrição infantil, tem a maior quantidade de leitos por habitante de toda a América (5,9 por 1000 habitantes, contra 2,4 do Brasil), possui a melhor expectativa de vida de toda a América Latina (79 anos), a menor taxa de mortalidade infantil de toda a América (5 para cada 1000 nascimentos, contra 19 a 1000 nascimentos do Brasil), é o único país latino-americana livre do problema de drogas e o único do mundo que cumpre a sustentabilidade ecológica, entre outras.
Uma área onde Cuba particularmente conquistou grandes avanços foi na medicina. Cuba hoje tem a maior faculdade de medicina do mundo, onde 1500 médicos estrangeiros são graduados anualmente, criou vacinas contra o câncer, tem o maior índice per capita do mundo (um para 130 habitantes, contra um para 500 habitantes no Brasil) e desde 1959 enviou mais de 30 mil médicos para mais de 68 países de todo mundo somando cerca de 600 mil missões. Além disso, é o único país que até hoje erradicou com a transmissão do vírus HIV entre mãe e filho. Isso para não contar que Cuba é o país da América Latina que até hoje conquistou o maior número de medalhas olímpicas. Tais feitos, diga-se de passagem, foram viáveis porque Cuba rompeu com a lógica do capitalismo e da superexploração da força de trabalho dele decorrente, onde a economia do país está voltada para atender aos interesses dos países centrais da engrenagem capitalista mundial (algo que o PT não fez no Brasil, e nem mesmo a Venezuela sob Hugo Chávez foi capaz de fazer por completo).
Segundo Waldir Rampinelli Júnior, a Revolução Cubana se caracterizou por ter marcado um divisor de águas nas relações entre Estados Unidos e a América Latina porque desde então a América Latina se tornou importante geopoliticamente para o mundo a ponto de coloca-la dentro das preocupações dos Estados Unidos, assim como mostrou que a América Latina precisa buscar seu caminho de desenvolvimento próprio.
Entretanto, para que a América Latina busque seu caminho de desenvolvimento próprio, isso perpassa necessariamente pelo enfretamento ao imperialismo anglo-saxônico que a tutela desde o século XIX (primeiramente a Inglaterra, depois os Estados Unidos). Com a Revolução Cubana não foi diferente, pois implicou em um enfrentamento com o imperialismo estadunidense, que desde então recorreu a diversos artifícios para tentar derrubar Cuba, entre eles invasões militares (incluindo a fracassada invasão da Baia dos Porcos em 1961), um boicote econômico que se arrastou por mais de meio século, várias tentativas fracassadas de se assassinar Fidel Castro, incentivos à imigração de Cuba para os Estados Unidos, ataques a plantações e fazendas cubanas, entre outros. E tal qual aconteceu no século XIX com o Paraguai em relação à Inglaterra, o exemplo cubano passou a ser visto de forma perigosa por Washington com o receio de contagiar os demais países latino-americanos e assim ameaçar seus interesses ao sul do Rio Grande. Para isso, fomentaram-se golpes cívico-militares nos demais países latino-americanos que implicaram na instalação de regimes de exceção, tal qual hoje se utiliza de golpes cívico-judiciários contra algumas das experiências populares na América Latina.
E ante a Revolução Cubana, as elites latino-americanas, que possuem todo um histórico de associação com o imperialismo anglo-saxônico (e que já era praticado em suas metrópoles europeias, diga-se de passagem), passaram a se utilizar do exemplo cubano (e mais recentemente também fizeram o mesmo com a Venezuela) como uma espécie de justificativa para golpes de Estado contra governos de caráter mais populares e para a manutenção de seu status quo privilegiado. Haja vista que a direita brasileira em suas recorrentes manifestações desde no mínimo a Marcha da Família com Deus pela Liberdade em 1964 vem com mantras como “não à cubanização do Brasil” e seus pedidos insistentes para pessoas de esquerda “irem para Cuba”. Ou mesmo aqueles que dizem que o golpe de 1964 impediu que o Brasil se tornasse uma Cuba continental.
E como não poderia deixar de ser, os grandes meios de comunicação ocidentais, que costumeiramente omitem o fato de que os líderes de países como Alemanha, Estados Unidos, França, Inglaterra, Holanda, Japão, Noruega e Suécia são acima de tudo nacionalistas que defendem os interesses de seus respectivos países, sempre demonizou as lutas de países periféricos que resolvem defender seus próprios interesses. Fidel Castro foi um desses exemplos, tal qual Stalin na União Soviética, Gamal Abdel Nasser no Egito, Muammar al-Kadaffi na Líbia, Saddam Hussein no Iraque, aiatolá Khomeini e seus sucessores no Irã, a Dinastia Kim na Coréia do Norte, a Dinastia Assad na Síria, Slobodan Milošević[2] na Iugoslávia pós-Tito, Hugo Chávez na Venezuela, Evo Morales na Bolívia, Rafael Correa no Equador e tantos outros. Isso para não falar do fato de o regime cubano ser comumente chamado de ditadura nos grandes meios de comunicação, sendo que a própria democracia vigente no Ocidente nos dias de hoje (como já dito em artigos anteriores) é em realidade de classe enrustida dos grandes capitalistas, que eventualmente se escancara em momentos em que os interesses dos setores dominantes estão em perigo.
A morte de Fidel Castro teve grande repercussão mundo afora. Em alguns países como Argélia e Coréia do Norte foram decretados alguns dias de luto por sua partida desse mundo, e líderes de diversos países se pronunciaram a respeito de seu falecimento. Também houve homenagens em várias partes do mundo feitas na frente de embaixadas cubanas. Já em Miami, houve comemorações por parte dos emigrados cubanos que para lá fugiram após a Revolução de 1959. A despeito dessa comemoração da parte dos gusanos (termo originalmente utilizado pelos simpatizantes da Revolução Cubana para designar os cubanos contrarrevolucionários) de Miami, constata-se que eles em sua grande maioria são brancos, descendentes da elite escravocrata cubana que vivia à custa da miséria do povo cubano e que Fidel Castro e os revolucionários de 1959 desterraram do país. Isso ao mesmo tempo em que grande parte da população cubana é negra.
E aqui no Brasil tivemos um vídeo postando no YouTube onde Jair Bolsonaro comemora do alto de sua insignificância a morte do líder cubano. Sobre isso, lembremos que em matéria publicada no Jornal a Hora do Povo em 2003 a respeito da invasão anglo-americana ao Iraque, foi dito que “A diferença essencial entre Saddam e Bush é a que existe entre um gigante e um micróbio”. O mesmo abismo moral certamente também existe entre Fidel Castro e Jair Bolsonaro. Bolsonaro no fim das contas não passa de uma hiena se regozijando diante de um cadáver morto de um leão.
Fidel Castro se foi após nove longas décadas de vida, e parafraseando a carta-testamento de Getúlio Vargas, saiu da vida para entrar para a história. Fica aqui nossa homenagem ao grande líder revolucionário cubano, que junto com figuras como Getúlio Vargas, Solano López, Juan Domingos Perón, Lázaro Cárdenas, João Goulart, Leonel Brizola, Hugo Chávez e tantos outros faz parte do panteão dos grandes líderes da história latino-americana.
FIDEL CASTRO, PRESENTE!

Foto – Da esquerda para a direita: Fidel Castro, Saddam Hussein e Raul Castro.
Fontes:
Bolsonaro fala sobre a morte de Fidel Castro. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=dTfji5iatpI
Entendendo a ditadura. Disponível em: http://www.iela.ufsc.br/noticia/entendendo-ditadura
Líderes mundiais lamentam a morte de Fidel Castro. Disponível em: http://oglobo.globo.com/mundo/lideres-mundiais-lamentam-morte-de-fidel-castro-20546127
O legado de Fidel Castro. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=9tZ-yGDa010
O presidente Saddam é o Che Guevara do século XXI. Disponível em: http://blogak-47.blogspot.com.br/2011/10/o-presidente-saddam-e-o-che-guevara-de.html


NOTAS:

[1] Leia-se “Alerrandro”, pois no espanhol a partícula j e o g quando sucedido por e ou i têm o mesmo som do h no inglês, do ch no alemão e do kh no russo, no árabe, no mongol e no persa: r aspirado.
[2] Leia-se “Milochevitch”, pois no servo-croata, assim como em outros idiomas da Europa centro-oriental como o esloveno, o eslovaco, o tcheco e o lituano, as partículas š e ć tem o mesmo do ch e do tch no português, respectivamente.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Black Friday brasileira - fraude ou coisa de rico?


Foto – Meme sobre a Black Friday tupiniquim.
Várias lojas fizeram em todo o Brasil no dia 25 de novembro a grande promoção chamada Black Friday. Black Friday, segundo o artigo da Wikipédia em português sobre o assunto, é um termo criado pelo varejo norte-americano para designar a ação de vendas anual que ocorre na sexta-feira após o feriado de Ação de Graças, e que depois foi difundida para outros países de língua inglesa como o Canadá, a Austrália, a Inglaterra e a Nova Zelândia, assim como para o Brasil (onde o evento se encontra em sua sexta edição). Em outras palavras, a Black Friday trata-se uma ode ao consumismo onde as lojas se livram de seus estoques e o povo vai às lojas como se fosse uma manada enlouquecida, assim como ao colonialismo e a macaquice. Mas esse não é o foco do presente trabalho.
Entretanto, muita gente apelida a versão brasileira da Black Friday de Black Fraude, Black Farsa e apelidos similares. Em seu vídeo sobre o assunto, postado no ano passado, Nando Moura (figura essa da qual discordo de muitas de suas ideias sobre política) definiu a Black Friday brasileira como “uma grande mentira onde tudo é cobrado pela metade do dobro do preço” e que é uma promoção que “só pode ser feita em países onde a taxa de impostos não é tão alta”. E o PROCON[1] em seu site divulgou uma lista de 449 lojas para serem evitadas na Black Friday. Mas afinal, qual será a verdade sobre a Black Friday brasileira e por que os produtos (especialmente produtos eletrônicos de luxo como videogames, televisões de mais de 30 polegadas e tantos outros), mesmo com a promoção do dia, são mantidos com esses preços altíssimos, geralmente proibitivos para pessoas de menor poder aquisitivo? Vou tocar na ferida da questão da Black Friday brasileira da qual quase ninguém fala, a qual tem relação umbilical com a forma com a qual um país como o Brasil está inserido dentro da engrenagem capitalista mundial (a qual recebe nos grandes meios de comunicação o elegante nome de “divisão internacional do trabalho”. Termo esse do qual rejeito por ser elegante demais para o meu gosto), assim como no plano interno dentro do contexto do abismo social entre pobres e ricos que flagela o país desde os primórdios de sua história. Em outras palavras, não vou analisar a Black Friday tupiniquim dentro do prisma do rentismo e do consumismo como o povão vive fazendo, e sim pelo que ela realmente é, como e para que tipo de público ela é pensada e a lógica que a permeia.
Segundo Nildo Ouriques em palestra proferida em 2012, no Brasil existem duas esferas de consumo: uma baixa, de péssima qualidade e de poder aquisitivo restrito, circunscrita aos estratos mais baixos da sociedade, e uma alta, circunscrita à classe dominante e seu altíssimo poder aquisitivo. Tendo em vista tal fato, eu vejo que a Black Friday no Brasil, assim como o consumo de produtos de luxo de modo geral no mercado brasileiro, é pensada dentro da mesma lógica utilizada, por exemplo, na comida gourmetizada que é vendida em locais como Food Trucks (que nada mais são que os bons e velhos carrinhos de lanche, só que de e para rico, onde a comida vendida geralmente nada mais é que as boas e velhas comidas de sempre só que adicionadas de uma montanha de ingredientes que a encarecem consideravelmente) e nos estádios de futebol que foram transformados em arenas (aonde a geral de estádios como o Maracanã foi eliminada e o preço do ingresso, mesmo nos lugares mais baratos, muitas vezes chega a custar de R$ 200,00 para cima) nos últimos anos: algo de usufruto único e exclusivo dos ricos (ou seja, para a alta sociedade brasileira e seus filhos), com a intenção de criar espaços de exclusão social.
Como já mencionado antes, Nando Moura disse em seu vídeo a respeito do assunto que a Black Friday é algo que não pode ser feita em um país como o Brasil, onde a carga tributária é elevadíssima (motivo esse pelo qual a Nintendo no começo de 2015 alegou para justificar o fim de suas atividades no Brasil). E por que ela é elevadíssima? A grande mídia corporativa nacional nunca fala uma única palavra sobre isso, apenas se fala do problema, o povo vive reclamando sem saber da verdadeira destinação dessa dinheirama toda e nada mais. Também se dá a impressão de que o governo fica com todo esse dinheiro (ou ao menos a parte do leão). Só que ninguém fala na mídia mainstream sobre a real destinação da parte do leão do que o governo arrecada todo ano com os impostos cobrados e arrecadados da população. Esse dinheiro todo não é destinado para pagar funcionários públicos, muito menos para investimentos em políticas sociais, educação e saúde pública de qualidade, transportes, forças armadas, assistência social, nada disso. A parte do leão disso vai para pagar os juros e amortizações do serviço do serviço da dívida (tanto interna quanto externa). Em outras palavras, vai engordar o bolso de banqueiros e agiotas. Isso é aquilo que o finado Leonel Brizola chamava de “perdas internacionais”.
Todo ano, o governo destina entre cerca de 40 a 50% do orçamento da União no pagamento daquilo que alguns chamam de “Bolsa Banqueiro”, ao passo que o Bolsa Família que a direita raivosa brasileira vive vociferando contra a ponto de rotulá-lo de “fábrica de vagabundos” consome apenas 0,47% do mesmo orçamento (ou seja, apenas cerca de um ducentésimo). Fazendo uma analogia, é a mesma coisa que alguém pegar uma nota de R$ 100,00 e gastar desse mesmo montante de dinheiro apenas R$ 0,50. E para a classe dominante brasileira (a mesma que foi o braço civil do golpe de 1964 e que hoje se locupleta com o petucanato[2]) isso é ótimo, pois o custo de um programa social como esse é baratíssimo, não toca em seus privilégios e em seus status quo, assim como passa a tratar a questão social não mais como “caso de polícia” como, por exemplo, nos tempos da República Velha (1894 – 1930).
Em outras palavras, para cada R$ 1,00 que os governos Lula e Dilma deram para as classes subalternas através de programas como o Bolsa Família, o mesmo governo através do Bolsa Banqueiro dá cerca de R$ 90,00 a 100,00 para banqueiros e agiotas. E isso explica em parte a razão pela qual os bancos aqui no Brasil têm tido lucros astronômicos (incluindo nas gestões do mesmo PT que a direita raivosa brasileira vive falsamente chamando de comunista, bolivariana, marxista e adjetivos de esquerda similares). Como Nildo Ouriques periodicamente fala, o Brasil, com os gastos anuais com o sistema da dívida, é como se fosse um país em uma situação de economia de guerra. E essa dívida quanto mais se paga mais cresce, e não o contrário: em 1995, na aurora do primeiro governo FHC, essa dívida era de cerca de R$ 64 bilhões. Em 2003, quando FHC entregou o governo à Lula, essa dívida se encontrava no patamar de R$ 720 bilhões. Ou seja, um aumento de 11,25 vezes e uma média de aumento de R$ 82 bilhões por ano nos oito anos de gestão tucana. Quando Lula passou o governo para Dilma em 2011, essa mesma dívida estava em cerca de R$ 1,5 trilhão, e hoje seu montante supera os R$ 3,5 trilhões.
Se nada for feito para reverter essa situação, a tendência é a dívida aumentar ainda mais e sacrificar ainda mais o sofrido povo brasileiro através de ajustes como o que a presidente Dilma fez junto com o então Ministro da Fazenda Joaquim Levy e o que se quer fazer com a aprovação da PEC 241 (que sob o pretexto de ajustar as contas públicas prevê o congelamento de investimento em áreas como saúde, educação e habitação por um período de 20 anos). Que nada mais são que versões tupiniquins das políticas que na Europa a Troika (comissão composta por Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Européia) vive impondo a países como Itália, Espanha, Portugal e Grécia. A Grécia chegou à situação de calamidade sócio-econômica em que se encontra graças às políticas de austeridade que lhe foram impostas pela Troika e postas em ação pela politicalha grega. Será esse o país que queremos para nossos filhos e netos?
A razão pela qual essa dívida tanto cresce é pelo fato de o governo federal e seus economistas, desde o Plano Real em 1994, terem feito políticas de controle de inflação na base de juros altíssimos, os quais não raro alcançavam patamares superiores a 40%. Sendo que a inflação brasileira não é um problema de demanda, e sim de custos, decorrentes desses mesmos altíssimos juros com que se pagam o serviço da dívida. Dívida essa que tem no plano interno alimentado um grande sistema rentista, com os capitais dos vários setores da classe dominante brasileira (incluindo multinacionais, comerciantes, fundos de pensão, banqueiros e latifundiários) dela se alimentando. Para mudar essa situação, será necessária uma auditoria dessa mesma dívida (algo que a Constituição de 1988 prevê, mas que até agora nunca foi feita), similar à feita por Vargas na década de 1930 e mais recentemente por Rafael Correa no Equador em 2007 (a qual eliminou com 70% do montante da dívida equatoriana). Depois de feita a auditoria, será necessária revelar ao mundo as falcatruas e os esquemas de corrupção com os quais esses banqueiros e seus associados estão envolvidos. E, paralelo com a auditoria, há de ser feita também uma grande transformação revolucionária e popular contra a classe dominante brasileira e suas variadas facções.

Foto – Porcentagem dos gastos da União em 2014.
E, além disso, não é só por causa da alta taxa de impostos que os preços desses produtos são elevadíssimos. Assim como acontece com os videogames, por exemplo, existem pessoas aqui no Brasil que tem condição de comprá-los mesmo com seus preços estratosféricos, ainda que seja número pequeno em termos quantitativos (e depois certos incautos falam em “Dilmastation”). E disso o mercado sabe disso muito bem. Esse consumo de produtos de preço mais elevado acaba sendo para as elites uma forma de status social, na medida em que são produtos que apenas eles e ninguém mais consomem. Se alguém de menor poder aquisitivo resolver comprar um produto dessas, vai ter que fazer uma dessas três coisas: ou comprar no exterior ou gastar quase todo seu orçamento nisso ou compra-lo em várias prestações. E assim um sujeito de uma família de elite pode na escola ou em qualquer outro ambiente se gabar do fato de ter certos produtos que seus amigos de menor poder aquisitivo não têm e esfregar isso na cara deles, de forma similar ao que o personagem Kiko de Chaves (originalmente “El Chavo[3] del Ocho”) volta e meia fazia com seus vizinhos menos abastados (em especial o Chaves e a Chiquinha[4]) quando mostrava a eles os brinquedos que ele tinha e eles não. E para um comerciante varejista a diferença é de ínfima para nula entre vender cerca de 10 videogames por R$ 4000,00 e vender 100 videogames por R$ 400,00.

Foto – Ruy Mauro Marini (1932 – 1997), um dos grandes artífices da teoria marxista da dependência.
Nós vivemos em um país periférico dentro da engrenagem capitalista mundial e que é regido por aquilo que o falecido intelectual marxista brasileiro Ruy Mauro Marini chamava de super-exploração da força de trabalho. Segundo Ruy Mauro Marini (um dos muitos intelectuais brasileiros de esquerda perseguidos pela Ditadura Civil-Militar, a ponto de ter sido demitido da UNB[5] por Zeferino Vaz e exilado no Chile e no México, além de em 1978 ter tido uma polêmica com Fernando Henrique Cardoso e José Serra), o conceito de super-exploração da força de trabalho, abordado pela primeira vez em sua obra Subdesarrollo y revolución (1968), consiste dos mecanismos que a burguesia de um país periférico dentro da engrenagem capitalista mundial utiliza para aumentar ainda mais a mais-valia extraída das massas trabalhadoras, já que essa mesma burguesia, por sua condição de sócia minoritária do capital transnacional, tem que repartir essa mesma mais-valia. O resultado prático disso seria a realimentação da situação de dependência em relação aos países centrais da engrenagem capitalista mundial (ou seja, Estados Unidos, Japão, Alemanha, França e Inglaterra) e a manutenção do subdesenvolvimento, mesmo com a industrialização interna. Ou, usando as palavras de Andreas Gunder Frank (1929 – 2005), outro notável artífice da teoria marxista da dependência, o desenvolvimento do subdesenvolvimento (os quais dentro do mundo capitalista em que vivemos nos dias de hoje formam uma relação dialética similar ao Yin e o Yang[6] da simbologia taoísta: dois elementos opostos entre si, mas que ao mesmo tempo se completam um ao outro, ao ponto de um não existir sem o outro e vice-versa).
E que relação isso tudo tem com a versão brasileira da Black Friday? Muita coisa, para não dizer tudo. Primeiro que a super-exploração da força do trabalho depaupera com os salários da classe trabalhadora não só do Brasil como de todo e qualquer país periférico da engrenagem capitalista mundial a ela submetido através da mais-valia adicional, assim prejudicando seu poder aquisitivo. E quem mais sofre com isso obviamente são os setores da sociedade de menor renda. E segundo que com a alta carga tributária os custos decorrentes das altas taxas juros com que o governo todo ano paga o serviço das dívidas interna e externa (e não da corrupção que a grande mídia vive noticiando periodicamente como muitos incautos acreditam de forma errônea. Corrupção essa que assume a função de cortina de fumaça, de forma a desviar a atenção dos olhos da população média quanto a essa situação toda) são repassados para os produtos no mercado através de impostos (tais como IPI, PIS, COFINS e ICMS[7]), com a intenção de ajudar a cobrir esses custos todos do que muitos chamam de “custo Brasil” e que eu chamo de “Bolsa Banqueiro”. E a questão do status social da parte das elites brasileiras acaba servindo de legitimação a essa situação toda.

Foto – Algumas das razões dos altíssimos preços dos produtos da Black Friday tupiniquim.
Fontes:
[TRIELO] Nildo Ouriques – ajuste fiscal – ônus e bônus (marxista). Disponível em:
A anunciada saída da Nintendo do Brasil. Disponível em:
As raízes intelectuais do consórcio petucano. Disponível em:
Assembléia Popular – Tribuna Livre. 19/02/2014. Parte 11. Disponível em:
Black Friday. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Black_Friday
Black Friday x “Black Fraude”, gamers são burros? Disponível em:
Black Friday brasileira: a farsa. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=gJdSAviLcqQ
Black Friday é enganação! A Farsa da Black Friday no Brasil. Disponível em:
“Black Fraude”: Procon divulga 449 lojas online para evitar nesta Black Friday. Disponível em:
Black Friday: tudo pela metade do dobro. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=hwxXV4ueRRw
Brasil: crise financeira ou fiscal?. Disponível em:
Conferência Estadual dos Bancários 2012. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=0fqoD0RDzY4
Depoimento de Perseu Abramo sobre as ocorrências na Universidade de Brasília. Disponível em:
Gastos com a dívida pública em 2014 superam 45% do Orçamento Federal Executado. Disponível em:
Coluna do Professor Tim sobre o petucanismo – Timtim por TimTim. Disponível em:
Modelo petucano. Disponível em:
O que é Black Friday? Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=kTmmqPaiDRM
Ruy Mauro Marini. Disponível em:  https://pt.wikipedia.org/wiki/Ruy_Mauro_Marini


NOTAS:

[1] Programa de Proteção e Defesa do Consumidor.
[2] Petucanato/Petucanismo é um termo cunhado pelo colunista da Revista Caros Amigos Gilberto Felisberto Vasconcellos (e depois utilizado por outros como Nildo Ouriques e Adriano Benayon) para se referir a situação política que o Brasil vive desde 1995 com a alternância de poder entre o PT e o PSDB, dois partidos de programa de governo praticamente igual baseados no modelo neoliberal (incluindo privatizações, terceirização e precarização do Estado), com a diferença que o PT têm um política um pouco mais direcionada para o lado social que o PSDB.
[3] Leia-se “Tchavo”, pois no espanhol, assim como em idiomas como o russo, o inglês e o mandarim, a partícula ch tem valor de tch.
[4] Originalmente Chavo e Chilindrina, respectivamente.
[5] Universidade Nacional de Brasília.
[6] Leia-se Yan. No mandarim, assim como no francês, quando uma palavra termina em consoante, a última é sempre muda.
[7] Imposto sobre Produtos Industrializados, Programa de Integração Social, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, respectivamente.

domingo, 13 de novembro de 2016

Escola sem Partido - do que se trata? Parte 7


Foto – Logo do Escola sem Partido.
Os partidários do Escola sem Partido costumam fazer muita fanfarra em torno dos alunos que nas escolas se encontram sob a pregação ideológica de professores esquerdistas e que supostamente doutrinam uma massa de alunos (haja vista que alguns dos representantes da direita raivosa vive alegando que quem está ocupando as escolas brasileiras estão sendo ocupadas por pessoas doutrinadas pelo PT e por sindicatos ligados ao partido de Lula). Mas o que dizer a respeito daquilo que muitos por ai chamam de o pobre de direita, que votam em políticos como Dória, Bolsonaro, FHC, Serra, Aécio e outros dessa laia (os quais uma vez no poder governam segundo seus interesses de classes e no máximo lhes dando umas migalhas)?
Esse é um problema que, diga-se de passagem, não começou nos dias de hoje. Uma vez o finado Tim Maia teria dito que “O Brasil é o único país do mundo em que, além do traficante ser viciado e cafetão sentir ciúmes, o pobre é de direita”. Aquilo que alguns chamam de o pobre de direita (vulgo capitalista sem capital), acima de tudo, é um sujeito alienado e submetido à mais-valia ideológica que os grandes meios de comunicação promovem. Diante de tal bombardeio, ele come ideias fantasiosas como a de meritocracia, livre mercado, a desejar poder desfrutar de um padrão de consumo from United States, que com muito esforço se tornará milionário e parte da classe dominante, fazer rolezinho em Shopping Center (no caso da juventude da periferia), entre outros vícios. Como já dito anteriormente, o sistema não se utiliza apenas da força de repressão para ajudar na manutenção de seu status quo, como bem aponta o líder albanês Enver Hoxha[1] no trecho abaixo do texto “Democracia proletária”:
“Todo o potencial econômico e político das sociedades capitalistas-revisionistas se encontra nas mãos de um punhado de magnatas, de ricos, que criaram uma vasta e poderosa rede de mecanismos estatais, a fim de manter de pé seu poder, mediante a violência. A exploração capitalista não pode ser realizada sem uma propaganda política intensa, que sirva para desorientar o povo, e sem uma série de leis férreas que limitem ao máximo os direitos dos trabalhadores. O grande aparato de propaganda à disposição da burguesia atua, a todo o momento, contra o proletariado e sua ditadura, contra os povos que têm se levantado em luta para defender seus direitos. Todo o potencial econômico e político das sociedades capitalistas-revisionistas se encontra nas mãos de um punhado de magnatas, de ricos, que criaram uma vasta e poderosa rede de mecanismos estatais, a fim de manter de pé o seu poder, mediante a violência. Em função desse objetivo agem o Exército, a polícia, os agentes secretos, os tribunais e outros órgãos de dominação de classe, que castigam severamente toda e qualquer oposição, individual ou coletiva, do proletariado e demais trabalhadores e reprimem as revoltas populares”.
Entretanto, a mídia de massa não pode ser vista como a única culpada por tal situação, que também é sintomática do fato de que do alto de seu republicanismo o PT, nesses anos todos, além de nada ter feito no sentido de fazer uma versão tupiniquim da Ley de Medios e de fortalecer as rádios comunitárias (no que poderia ter tornado a guerra de informações com a mídia de massa pelo menos um pouco menos desigual) e ter renunciado a luta contra os elementos reacionários do país, pouco ou nada fez para alfabetizar politicamente aqueles que eles beneficiaram através de programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida. Bem diferente do que fez, por exemplo, a Venezuela durante o governo Hugo Chávez com iniciativas tais como as misiones, as quais promoviam, entre outras coisas, discussões políticas da constituição venezuelana entre os beneficiados pelos programas sociais dos governos bolivarianos. A diferença qualitativa entre os dois processos é tal que enquanto que aqui no Brasil foi preciso apenas de um memorando do senado combinado com uma campanha midiático-judiciária para Dilma cair, na Venezuela o regime bolivariano, hoje liderado por Nicolás Maduro, mesmo ante a guerra por procuração promovida pela elite local em conluio com o imperialismo norte-americano que se arrasta desde a morte de Hugo Chávez (que recorreu a artifícios como terrorismo de Extrema Direita, guerra econômica e a recente tentativa de golpe parlamentar), está resistindo de pé.
Há um ditado que diz que quantidade não é sinônimo de qualidade. De que adiantou os programas sociais dos governos Lula e Dilma como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida terem incluído cerca de 40 milhões de pessoas sem ao mesmo tempo fazer todo um trabalho de alfabetização política dessa massa toda? A meu juízo, de nada adiantou. Mais vale tirar da miséria 10 a 20 milhões da miséria dando-lhes a devida alfabetização política do que tirar o dobro ou o triplo disso sem a devida alfabetização política. Em outras palavras, com essa inclusão através do consumo o jovem que ascendeu com programas sociais como o Minha Casa Minha Vida e o Bolsa Família está muito mais preocupado em fazer rolezinho no shopping mais próximo (que nada tem de rebeldia em relação ao sistema, diga-se de passagem) e lá no shopping comprar o tênis da moda ou lutar por seus direitos e por melhores condições de vida para sua comunidade? Obviamente que a primeira opção.
Uma vez o pobre ascendendo uns poucos degraus dentro da pirâmide social do sistema informal de castas brasileiro, ele adquire os vícios da velha classe média (classe essa que, diga-se de passagem, em realidade está socialmente mais próxima dos garis que o Boris Casoy esculachou em rede nacional no réveillon 2009/2010 que os ricaços da classe dominante que eles tanto querem se misturar. A única diferença significativa em relação aos segmentos mais miseráveis é que os setores médios têm um pouco mais de dinheiro e um padrão de vida melhor em relação aos primeiros, e estão tão ou mais submetidos àquilo que o finado Ruy Mauro Marini chamava de super-exploração[2] da força de trabalho quanto os famélicos do sertão nordestino ou os moradores das favelas cariocas), a ponto de votar em políticos que defendem os interesses desses mesmos ricaços que uma vez no poder farão políticas que só os prejudiquem (haja vista que na última eleição para prefeito em São Paulo muitos moradores de bairros da periferia paulistana que foram beneficiados pelos programas sociais dos governos petistas votaram em Dória). E ainda passam a engrossar o coro em manifestações verde-amarelo a favor da deposição dos mesmos petistas que lhes ajudaram a subir na vida com programas sociais. Um tanto irônico isso, não?
E, falando nessas manifestações, o que há por trás das bandeiras verde-amarela, camisas da seleção brasileira e palavras de ordem contra a corrupção, os petistas e a esquerda de modo geral, mantras como “minha bandeira não será vermelha” e “não à cubanização” e loas de apoio ao juiz Sérgio Moro e as ações da Polícia Federal na Operação Lava Jato nessas marchas da classe média que periodicamente pululam as ruas brasileiras, assim como a ojeriza aos programas sociais dos governos petistas e a ascensão social dele decorrente (ainda que bem limitada, diga-se de passagem), nada mais é que a defesa do tipo de país que eles querem, a defesa do Brasil da classe dominante, onde a classe média poderá enfim realizar aquilo que segundo Marilena Chauí é seu grande sonho: se tornar parte da classe dominante.

Foto – Senhor Burns x Homer Simpson, Coisas de capitalista com capital x Coisas de capitalista sem capital.
Tais elementos, que vivem defendendo o sistema capitalista e os ricaços de plantão e que se acham burgueses só porque tem certa quantia de dinheiro, apartamento em bairro nobre e acesso ao consumo (ainda que limitado), em realidade não passam de patéticos capitalistas sem capital. E o pior de tudo: eles não entendem que o capitalismo funciona com um centro e uma periferia onde a miséria das nações periféricas é o alimento do desenvolvimento das nações centrais e o que é o capitalismo dependente brasileiro e suas mazelas. Muito menos sabe que esse mesmo sistema possui todo um aparato composto por instituições como a mídia de massa, o judiciário e as forças de repressão que lhe sustentam, ou que o Estado moderno, como Marx disse no Manifesto do Partido Comunista, é o balcão de negócios dos grandes capitalistas, onde esses, na condição de máquina de governar desse mesmo Estado, fazem com que suas políticas sejam pautadas e condicionadas por seus interesses de classe (ou seja, a acumulação de capital em suas mãos), ainda que esse Estado possa eventual atender residualmente outras classes sociais em eventuais períodos de bonança econômica. Ou mesmo o fato de que o sistema capitalista, a nível global, produziu um altíssimo grau de concentração de renda nas mãos de uma elite numericamente bem restrita.
Eles, que muitas vezes pensam que qualquer um que se esforçar e trabalhar muito até mesmo um pedreiro, um gari, um pau-de-arara ou um operário da construção civil muito pobre pode se tornar milionário e até bilionário, sendo que casos como esses, muito divulgados em revistas de negócios, é algo extremamente pontual e raro. Apenas um ou outro conseguem chegar a tal patamar de riqueza. Ou seja, a meritocracia que eles tanto vomitam não passa de um grande conto de fadas.
Resumindo a ópera: que moral será que esses capitalistas sem capital têm para falar que os professores de esquerda das escolas alienam seus alunos com ideologia esquerdista e que o PT é que supostamente está por trás das recentes ocupações das escolas brasileiras, sendo que eles mesmos (os quais certamente também devem defender o Escola sem Partido) são extremamente alienados pela mais-valia ideológica dos meios de comunicação e as fantasias que eles vendem? A meu ver, nenhuma. A própria existência desses capitalistas sem capital, diga-se de passagem, é prova da existência de toda essa alienação promovida pelos grandes meios de comunicação que formata a opinião pública em favor do sistema vigente.

Foto – A famosa frase de Tim Maia.
Fontes:
Hoxha, Enver. A democracia proletária é a verdadeira democracia. Disponível em: https://www.marxists.org/portugues/hoxha/1978/09/20.htm
Pobre de direita, capitalista sem capital e o hamster da Red Bull. Disponível em: http://umserpensante.blog.br/pobre-de-direita-capitalista-sem-capital-e-o-hamster-da-red-bull/
Por que João Dória venceu até nas periferias? Disponível em: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/10/por-que-joao-doria-venceu-periferias.html
Quem está por trás das ocupações das escolas no Paraná? Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=_cf9wdjhaQ8
Super-exploração do trabalho. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Superexplora%C3%A7%C3%A3o_do_trabalho
Uma perspectiva latino-americana para as políticas sociais: quão distante está o horizonte? Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rk/v9n2/a04v09n2


NOTAS:

[1] Leia-se “Rrodja”, pois no albanês a partícula xh se pronuncia como dj.
[2] De acordo com Ruy Mauro Marini, o conceito de super-exploração da força de trabalho, abordado pela primeira vez em sua obra Subdesarrollo y revolución (1968), é a combinação da mais-valia absoluta com a mais-valia relativa através da intensificação na exploração da mão-de-obra. Tal conceito, que é a base da teoria marxista da dependência, consiste dos mecanismos que a burguesia de um país periférico dentro da engrenagem capitalista mundial utiliza para aumentar ainda mais a mais-valia extraída das massas trabalhadoras, já que essa mesma burguesia, por sua condição de sócia minoritária do capital transnacional, tem que reparti-la com seus sócios estrangeiros. O resultado prático disso seria a realimentação da situação de dependência em relação aos países centrais da engrenagem capitalista mundial e a manutenção do subdesenvolvimento, mesmo com a existência de uma industrialização interna.

sábado, 5 de novembro de 2016

Manifesto à mulher brasileira - diga um não sonoro à agenda abortista.


Foto – Passagem do vídeo em questão. Da esquerda para a direita: Nanda Costa, Bárbara Paz e Alexandre Borges.
Um ano já se passou desde o lançamento do vídeo da campanha “Meu Corpo, Minhas Regras” (que contou com a participação de artistas como Bruna Linzmeyer, Nanda Costa, Júlia Lemmertz, Johnny Massaro, Alexandre Borges e Bárbara Paz) e devido às várias sandices nele ditas (que é parte do lançamento do filme “O Olmo e as Gaivotas”, que entrou em cartaz nos cinemas brasileiros no dia 5 de novembro de 2015 e que recebeu o prêmio de melhor documentário do júri oficial do festival do Rio de Janeiro) resolvi lançar esse manifesto dedicado especialmente à mulher brasileira. Tudo o que peço às mulheres brasileiras (e porque não de todo o mundo?) é uma única coisa, do fundo do meu coração: por favor, não caiam no canto da sereia dessas feministas abortistas! Feministas (as quais são representantes de uma ideologia que foi classificada por Nildo Ouriques em uma palestra em 2013 como uma “quinquilharia ideológica vinda de fora” e pelo pensador francês Alain[1] Soral como “apenas um acerto de contas edípico burguês”) essas que junto com ativistas a favor de liberação de coisas como drogas, casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e prostituição como Jean Wyllys, Carlos Minc, Luiz Mott e Marta Suplicy nada mais são que a outra face da moeda de gente como Marco Feliciano, Silas Malafaia, Olavo de Carvalho, Jair Bolsonaro, Magno Malta e outros dessa laia.
Antes do lançamento desse filme, tivemos outras campanhas similares lançadas em veículos de mídia, entre elas a campanha “Precisamos falar de aborto” lançada no ano retrasado pela Revista TPM (e que também contou com o apoio de vários artistas, incluindo alguns dos mesmos que participaram da campanha “Meu Corpo, Minhas Regras”). Isso para não falar do projeto de lei 882/2015 lançado pelo deputado do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e ex-BBB Jean Wyllys (projeto esse que trata justamente da legalização do aborto). O discurso desses elementos é um verdadeiro canto de sereia: é recheado de um belo palavreado, mas que leva a um destino funesto, muito funesto, que nem acontecia com os marinheiros da mitologia grega que se aproximavam das sereias para ouvir seu canto.
O vídeo em questão começa com um monte de artistas (tanto homens quanto mulheres) trajando vestidos de cor vermelha e perucas azuis e se queixando do fato de nunca ter sido feito um filme ou documentário falando sobre o que se passa na mente de uma mulher durante os nove meses de gravidez. Eles falam que o tema gravidez é um tabu secular e que quando alguma coisa é falada sobre o assunto, tudo é como se fosse um mar de rosas. Depois falam que a criança fica nove meses dentro da barriga da mãe sendo gestada, e uma queixa de que apenas 30% dos filmes escritos sobre a gravidez foram escritos por mulheres, e que quando foram escritos por mulheres se falava sobre homens ou com homens. Depois que a criança nasce, eles dizem que a mulher não tem direito a reclamar nem a falar sobre as dores do parto. Que o corpo era proibido, agora é obrigatório. Em seguida Bárbara Paz diz que “eu estava sozinha no mundo, ai eu engravidei. E ai o que você faz? Eu era uma criança, um adolescente e eu tive que interromper”. Os outros em seguida começam a taxa-la de uma série de adjetivos negativos como pecadora e egoísta. Ao término das ofensas, Bárbara Paz se pergunta qual seria o problema de não querer ter filho e, após mais uma sequência de ofensas, diz que toda mulher é dona de seu corpo e faz o que quiser com ele. E ao término de sua fala vem uma série de falas dizendo “meu corpo, minhas regras”. Em seguida Júlia Lemmertz se queixa de que nada é fácil em ser mãe e se perguntando se deve ou não deve ser mãe. Em seguida os atores do vídeo ficam se perguntando o que é ser uma mulher. E ao término das indagações, vêm os créditos.
Onde está o canto da sereia no discurso dessas abortistas? Primeiro que essa história de liberação do aborto (o qual, diga-se de passagem, a lei brasileira permite apenas nos seguintes casos: feto anencefálico, quando a gestante corre risco de vida e gravidez resultante de estupro) por si só já é um grande canto da sereia. Por trás disso existem os interesses dos grandes tubarões do mundo das finanças internacionais, incluindo Fundação Ford, Fundação Rockefeller, Fundação MacArthur, Open Society (a mesma Open Society de George Soros, o qual foi um dos grandes beneficiários da privataria[2] na América Latina nos anos 1990 e que nos últimos anos tem financiado golpes de estado mundo afora, a exemplo do Euromaidan na Ucrânia em 2014, assim como políticas de liberação das drogas, como foi o caso da liberação da maconha no Uruguai em parceria com o ex-presidente José Mujica[3]), International Planned Parenthood Federation (a mesma que controla cerca de 20% das clínicas de aborto nos EUA e que fatura bilhões com essa indústria) e tantas outras. Assim como da indústria farmacêutica, interessada no mercado das drogas usadas nas operações cirúrgicas, nos analgésicos para serem usados após a operação e em contraceptivos. E nisso os senhores do mundo, os mesmos que também estão por trás de causas como liberação da maconha e outras drogas, da prostituição e do casamento entre pessoas do mesmo sexo acabam usando esses artistas para divulgarem suas causas. Feministas como aquelas que fizeram as pichações na Catedral da Sé dias antes do lançamento desse trailer em realidade não passam de títeres nas mãos dos senhores do mundo. E em caso de liberação do aborto total e irrestrita para o mundo inteiro quem serão os grandes beneficiados com isso não será o povo, e sim esses sujeitos privilegiados ligados ao sistema financeiro internacional. Os mesmos sujeitos que provocam crises mundo afora (quer sejam elas políticas, econômicas ou sociais) e ainda por cima saem ganhando rios de dinheiro com isso à custa da miséria de milhões.
 

Foto – José Mujica (o qual em seu mandato como presidente do Uruguai liberou não só a maconha como também o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e o aborto) à esquerda e George Soros à direita. É o mesmo Mujica que vive pagando de pobre para o mundo e que os grandes meios de comunicação adulam, ao mesmo tempo em que tratam líderes como Hugo Chávez, Nicolás Maduro e Rafael Correa como verdadeiras encarnações do mal.
E, além disso, que aborto será que é esse que essas feministas tanto desejam que seja liberado? É um aborto que na verdade apenas contempla as mulheres que podem pagar por caríssimos tratamentos. Elas costumam justificar de forma demagógica suas posições pró-aborto falando nas mulheres pobres que morrem em clínicas clandestinas tentando abortar, mas o que elas querem de verdade com essa história de aborto liberado para todo e qualquer caso é poder continuar levando sua vida hedonista e libertina regada a drogas, festas universitárias, baladas e micaretas sem ter que arcar com as consequências de seus atos. Isso é a mesma coisa que alguém ir a um restaurante, pedir um prato, consumi-lo e ir embora sem pagar a conta. Ou então andar na chuva sem proteção alguma e querer não se molhar. Resumindo a ópera, elas querem saber dos direitos e desfrutá-los ao máximo possível, mas das responsabilidades fogem correndo como se fossem um diabo que foge da cruz. Elas pensam que a vida é como se fosse um grande filme pornográfico ou um mangá/anime hentai[4], onde um casal (se é que podemos chama-lo assim) faz sexo entre si e aparentemente nada acontece depois do coito.
Aliás, digam-se de passagem, é lugar comum esses abortistas falarem por ai que o sexo é algo natural e belo, mas que a religião distorce o seu verdadeiro sentido, sendo que ela em realidade apenas impõe alguns limites quanto à atividade sexual. Quem na verdade faz isso são os meios de comunicação através da pornografia (quer seja ela filmada, animada ou desenhada), que nos últimos anos tem feito para as pessoas um grande desserviço quanto ao assunto sexo. Nessas produções, o sexo é tratado como um mero prazer hedonista e onde nada é dito sobre as consequências desse ato, entre eles o risco que a pessoa corre de pegar uma DST (doença sexualmente transmissível), entre elas a AIDS, a sífilis, gonorreia e herpes genital. Parece que ali tudo se resume ao prazer que o casal desfruta durante o ato e nada mais. E o prazer sendo tratado como o mais importante de tudo no ato (ou seja, o prazer pelo prazer e nada mais), sem levar em consideração todo o resto, incluindo o aspecto reprodutivo e a intimidade do casal. Alguns vão querer me acusar de puritanismo e adjetivos similares, mas saibam vocês que eu nada tenho contra o sexo em si, e sim a maneira como ele tem sido tratado nessas produções pornográficas, ao ponto de comumente as pessoas fazerem sexo sem compromisso algum com a outra pessoa e sem nutrir sentimento especial algum pelo outro. Em outras palavras, um sexo coisificado, como se fosse uma mercadoria descartável.

Foto – Recordar é viver: hipocrisia abortista ontem e hoje. À esquerda, Gregório Duvivier; ao centro, Alessandra Negrini; e à direita, um feto abortado.
Portanto, essa história toda de “meu corpo, minhas regras” que essas abortistas vendem ao mundo não passa de grandes falácias para justificar o aborto que elas querem que seja liberado, assim como esconder suas reais pretensões. A pessoa é livre para fazer o que quiser e o que ela bem entender, só que o que eles se esquecem de dizer (quer sejam por ingenuidade, quer sejam por vigarice) é que certos atos tem consequências. E muitas vezes a conta a ser paga pelas consequências de certos atos pode ser alta, muito alta. Assim como fato de que o próprio aborto é algo que deixa sequelas na mulher, tanto físicas quanto psicológicas, e que deixa marcas que muitas vezes são irreversíveis. Consequências físicas incluem lesões cervicais, cancro na mama, no útero, nos ovários e no fígado, perfuração uterina, endometrioses e complicações imediatas como infecções, hemorragias, embolias e outros. Todas essas complicações podem levar à esterilidade. E as psicológicas incluem maior propensão a tabagismo, alcoolismo, abuso de drogas, perturbações alimentares como anorexia e bulimia, negligência ou abuso infantil, instabilidade nas relações afetivas e até mesmo tentativas de suicídio, entre outras. E então abortistas, eu lhes pergunto: é isso que vocês querem para si mesmas e para as mulheres de todo o Brasil? Pois isso eu não quero de forma alguma.
E onde será que essas imbecis querem chegar com essa história de “ser ou não ser mãe”, em “opção de não ter filho” e em “o que é ser mulher”? É hora de desmistificar e traduzir mais uma falácia abortista para seu verdadeiro significado. Uma mulher, quando se torna mãe, terá que obrigatoriamente abdicar da vida hedonista e libertina que antes levava. Tendo que cuidar de uma criança não vai mais poder participar das baladas, micaretas e festas universitárias regadas a sexo (entre outras coisas) da qual participava antes (talvez até possa participar, só que de forma mais comportada, sem se envolver em atos sexuais. E ai as amigas da moça em questão vão chama-la de careta e adjetivos similares). Não vai mais poder voltar para a casa as cinco da madrugada bêbada, chapada e/ou cheia de esperma na cara. Agora terá que arcar com responsabilidades que antes não tinha que arcar. E quando a criança estiver crescida, terá de dar um bom exemplo de conduta para ela. Se ela de repente descobre que está grávida, qual seria a forma mais fácil e rápida de poder voltar a essa vida hedonista e libertina sem ter que esperar ¾ de um ano inteiro e poder curtir todas essas baladas, micaretas e festas universitárias junto com sua turma? Fazendo um aborto, obviamente. Pergunto a essas abortistas se é tão ruim assim ter um filho. Ainda mais tendo em vista que vocês foram gestados por suas respectivas mães. E por um acaso vocês vão morrer se tiver que parar de ir nessas baladas, micaretas e festas universitárias regadas a sexo com homens desconhecidos e com os quais não tem compromisso maior algum? E será que essa vida libertina e hedonista de vocês é a coisa mais importante do mundo? Eu acho que não.
O fato é que essas abortistas em realidade não representam a mulher brasileira, e sim seus patrões. Elas em realidade a envergonham ao fazer o papel de fantoches na mão dessas organizações eugenistas que cedo ou tarde as descartarão como se fosse lixo. Pergunto-me que moral essas abortistas tem em dizer que a Igreja é instrumento do patriarcado (como insinuou Jacqueline Vasconcellos na manifestação na Catedral da Sé que desembocou naquelas pichações todas), sendo que elas são instrumentos na mão dessa gente e seus objetivos sinistros? E abortistas, para concluir meu manifesto gostaria de lembrar a vocês da seguinte expressão bíblica: “quem semeia vento, colhe tempestade”.

Foto – “Boicote os hipócritas”. Foto da campanha lançada contra o filme “O olmo e as gaivotas”, ressaltando a hipocrisia desses artistas.
Fontes
A quem interessa a legalização do aborto? Disponível em:
A Fundação Ford e a legalização do aborto. Disponível em:
A Universidade Necessária: reforma curricular e a utilidade da História – Nildo Ouriques (ENEH 2013). Disponível em:
Aborto no Brasil. Disponível em:
Alain Soral – Feminismo, uma ideologia a serviço do sistema? Disponível em:
Bruna Linzmeyer, Bárbara Paz e mais famosos se unem em vídeo a favor do aborto. Disponível em:
Campanha pró-aborto com atores globais questiona o nascimento de Jesus. Disponível em:
Consequências do aborto. Disponível em:
El magnate Soros admite su implicación en el golpe de Estado en Ucrania (em español). Disponível em:
George Soros, el magnate detrás de la liberación de la marihuana en Uruguay (em espanhol). Disponível em:
Jovens se mobilizam para limpar pichações na Catedral da Sé. Disponível em:
Hentai. Disponível em:
Mulher brasileira denuncia a indústria do aborto e as feministas que o apoiam. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=PMhAoligN0c.
Surpreendente – a verdade sobre o aborto: o que está por trás. Disponível em:
Soros, o exportador de revoluções, digo golpes. Disponível em:
Privatización y Privatería (em espanhol). Disponível em:


NOTAS:

[1] Leia-se “Alen”, pois no francês a partícula ai tem valor de e.
[2] O termo privataria é um neologismo que une as palavras “privatização” e “pirataria”. Foi criado pelo jornalista brasileiro Hélio Gaspari e popularizado pelo também jornalista Amaury Ribeiro Júnior (autor do livro “A Privataria Tucana”, sobre as falcatruas do processo de privatização no Brasil durante o governo Fernando Henrique Cardoso [1995 – 2002]).
[3] Leia-se “Rrossê Murrica”, pois no espanhol o é tem o mesmo valor do ê no português e o j tem o mesmo valor do h no inglês, do ch no alemão e do kh no russo: r aspirado.
[4] Termo em japonês que significa “pervertido/perversão”, usado para designar mangás e animes de conteúdo pornográfico, geralmente heterossexual. Há também conteúdos similares de teor gay (yaoi), lésbico (yuri) e pedófilo (ecchi/moe/lolicon), entre outros.