sexta-feira, 21 de julho de 2017

Lista dos senadores que votaram a favor da "reforma" trabalhista


Foto – Os rostos dos senadores que votaram a favor da Reforma Trabalhista. Crédito: Avante.
Estes são os senadores que votaram a favor da “Reforma Trabalhista”. Segue abaixo a lista deles, para que esse crime hediondo em nome dos super-lucros dos bancos e outros elementos ligados ao sistema financeiro brasileiro jamais seja esquecido. Nunca mais votem em qualquer um desses listados abaixo:

Aécio Neves (PSDB-MG)

Airton Sandoval (PMDB-SP)

Ana Amélia (PP-RS)

Antonio Anastasia (PSDB-MG)

Armando Monteiro (PTB-PE)

Ataídes Oliveira (PSDB-TO)

Benedito de Lira (PP-AL)

Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)

Cidinho Santos (PR-MT)

Ciro Nogueira (PP-PI)

Cristovam Buarque (PPS-DF)

Dalirio Beber (PSDB-SC)

Dário Berger (PMDB-SC)

Davi Alcolumbre (DEM-AP)

Edison Lobão (PMDB-MA)

Eduardo Lopes (PRB-RJ)

Elmano Férrer (PMDB-PI)

Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)

Flexa Ribeiro (PSDB-PA)

Garibaldi Alves (PMDB-RN)

Gladson Cameli (PP-AC)

Ivo Cassol (PP-RO)

Jader Barbalho (PMDB-PA)

João Alberto Souza (PMDB-MA)

José Agripino Maia (DEM-RN)

José Maranhão (PMDB-PB)

José Medeiros (PSD-MT)

José Serra (PSDB-SP)

Lasier Martins (PSD-RS)

Magno Malta (PR-ES)

Marta Suplicy (PMDB-SP)

Omar Aziz (PSD-AM)

Paulo Bauer (PSDB-SC)

Pedro Chaves (PSC-MS)

Raimundo Lira (PMDB-PB)

Ricardo Ferraço (PSDB-ES)

Roberto Muniz (PP-BA)

Roberto Rocha (PSB-MA)

Romero Jucá (PMDB-RR)

Ronaldo Caiado (DEM-GO)

Rose de Freitas (PMDB-ES)

Sérgio Petecão (PSD-AC)

Simone Tebet (PMDB-MS)

Tasso Jereissati (PSDB-CE)

Valdir Raupp (PMDB-RO)

Vicentinho Alves (PR-TO)

Waldemir Moka (PMDB-MS)

Wellington Fagundes (PR-MT)

Wilder Morais (PP-GO)

Zezé Perrella (PMDB-MG)

quarta-feira, 12 de julho de 2017

"A Indiferença", de Bertold Brecht.


Foto – Bertold Brecht (1898 – 1956).
Esse poema, de autoria atribuída ao dramaturgo e poeta alemão Bertold Brecht[1], é dedicado especialmente a aqueles que estão se regozijando da condenação de Luís Ignácio da Silva pelo juiz Sérgio Moro por causa do caso do tríplex a nove anos e meio de cadeia. Em especial a aqueles que não se dão conta do perigo que correm de viverem em um país sob o tacão da ditadura do judiciário, onde uma pessoa acusada de um crime qualquer pode muito bem ser condenada e presa sem provas. É esse o país que vocês querem para seus filhos e netos? Como se não bastasse o período de 1964 a 1985?
Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.

Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.

Agora me levaram a mim
E quando percebi,
Já era tarde.

Foto – Luís Ignácio Lula da Silva.

NOTA:

[1] Leia-se “Brerrt”. No alemão a partícula ch tem valor de r aspirado.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

O atentado em Londres e a kosovização da Europa.


Foto – Hašim Taçi e George W. Bush em Washington.
Em três de junho de 2017 mais um atentado ocorreu na Inglaterra. Em Londres a ponte da capital (onde os terroristas atropelaram os pedestres com uma van) e o Borough Market (onde pessoas que estavam nos restaurantes e bares do local foram esfaqueadas) foram alvos de ataques. Saldo da tragédia: 10 mortos (sete vítimas e três terroristas) e 48 feridos. Assim como o atentado em Manchester, o Estado Islâmico também o reivindicou por meio de sua agência AMAQ.
No dia seguinte, a premiê Theresa May, em pronunciamento à imprensa após reunião com o comitê de segurança, disse que “temos que ter uma estratégia robusta. Temos que revisar a estratégia contra-terrorista no Reino Unido. Se tivermos que aumentar as penas, faremos isso. Chegou a hora de dizer: basta. Nossa sociedade precisa continuar com os nossos valores”. Ainda disse que os ataques em Manchester e em Londres não estão conectados entre si, mas mostram uma nova “onda” onde “terrorismo gera terrorismo” e evidencia que eles estão “copiando uns aos outros e usando as mais cruéis formas de ataque”.
Ora, do que adiantará aumentar o rigor da lei se a Inglaterra, a França e outros países europeus não mudar sua políticas no Mundo Islâmico? Ou seja, parar de apoiar Arábia Saudita e as outras petro-monarquias locais (algo que remonta ao século XVIII) e de se envolver em guerras de saqueio imperialistas a reboque dos Estados Unidos, como a guerra contra a Líbia em 2011? Nada, de nada adiantará. Isso é apenas atacar os sintomas de uma doença, mas não a causa. Arrancar a erva daninha que está a vista no solo, mas não a raiz que está abaixo do solo. Nada mais que isso. E quem não garante que alguns desses terroristas presos na Inglaterra eventualmente depois não serão utilizados pela mesma Inglaterra em guerras no Mundo Islâmico onde esses sujeitos cerrarão fileiras em grupos como o Estado Islâmico e a Al Qaeda contra regimes que eles queiram derrubar, tal como fizeram com Kadaffi na Líbia e que vem fazendo com Assad na Síria desde 2011? Até por que o que realmente gera terrorismo não é o terrorismo em si, e sim a política de caos e de quanto pior melhor do Ocidente no Mundo Islâmico.
Além disso, tal atentado, assim como outros que antes aconteceram e outros que ainda estarão por vir, é o sintoma do início de um processo de kosovização da Europa. Tal questão foi levantada pela primeira vez em novembro de 2008 quando Andreas Melzer, então deputado pelo Partido da Áustria Livre, durante a reunião do Parlamento europeu que a Europa futuramente possa ter o mesmo destino que os sérvios de Kosovo tiveram nas mãos de grupos terroristas como o Exército de Libertação de Kosovo durante os anos 1990 e 2000. Kosovo sempre foi uma terra pertencente à Sérvia desde os primórdios da história da nação eslava meridional, até que em 2008, por meio de um referendo (o qual teve o beneplácito do Ocidente “livre e democrático”. O mesmo Ocidente “livre e democrático” que posteriormente repudiou o referendo que fez a Criméia voltar a ser parte da Rússia em 2014), teve sua secessão em relação à Belgrado. Isso foi possível por que a população albanesa, antes minoritária, se tornou majoritária devido a altas taxas de natalidade, imigração da Albânia para Kosovo, políticas de limpeza étnica (como as expulsões de sérvios durante a Segunda Guerra Mundial, quando Kosovo era parte da Grande Albânia e mais recentemente o terrorismo promovido por grupos como o Exército de Libertação de Kosovo a partir de 1989).
Segundo dados de várias fontes (entre eles censos oficiais otomanos, sérvios, iugoslavos e austro-húngaros), a população albanesa de Kosovo em 1455 era de apenas 2%, cresceu para 30% em 1878, 50% em 1913, 70% em 1945 e 90% em 1991. Hoje em dia, quase a totalidade da população kosovar é de etnia albanesa, enquanto que os sérvios são uma minoria em vias de extinção. E não é só isso: após a secessão de Kosovo da Sérvia, os EUA lá instalaram a base militar de Camp Bondsteel, e se tornou uma das principais rotas de imigração da Península Balcânica para a Europa central, principalmente para a Hungria e a Áustria, e de lá para a Alemanha, a França, a Suécia e outros países europeus mais ricos. Obviamente, buscando melhores condições de vida, algo que o estado-máfia kosovar não pode oferecer. E junto com todo esse êxodo de kosovares Europa adentro, tradições como as vinganças de sangue viajaram.

Foto – Andreas Melzer (foto ilustrativa).
Segundo a opinião do deputado austríaco e de muitos demógrafos europeus, não apenas a Áustria, mas a maior parte de toda a Europa irá experimentar tal flagelo nos próximos 50 anos, pois ao mesmo tempo em que a população europeia nativa declina em termos numéricos, os imigrantes vindos de lugares como a África e a Ásia, por terem taxas de natalidades maiores, se tornarão majoritários em meados do século XXI. Segundo estudos do Departamento de Estatísticas do Estado Britânico, em 2066 a Inglaterra terá mais imigrantes que habitantes nativos. Mais recentemente, tal possibilidade foi aventada pelo professor sérvio Vladislav Sotirović, professor da Universidade Mykolas Romeris em Vilna, Lituânia, no artigo “Europe between Kosovization and Jihadization (Europa entre Kosovização e Jihadização)”, publicado em seu blog em 14 de março de 2015.
Primeiro o Ocidente “livre e democrático” desestabiliza o Mundo Islâmico, derruba e mata governantes como Saddam Hussein e Muammar al-Kadaffi, coloca em sua mira Bašar al-Assad e os aiatolás iranianos e cerca a Rússia e a China por meio de um “cinturão verde”. Kadaffi disse que caso fosse deposto a Europa seria flagelada por imigração em massa e o Mediterrâneo se tornaria um mar de caos. Agora que o dique de contenção foi destruído, a Europa está literalmente vivenciando o mesmo que o Império Romano vivenciou a partir dos anos 370, quando milhares de refugiados godos foram deslocados da atual Ucrânia para as fronteiras romanas após terem sido vencidos pelos hunos (os quais séculos antes tinham sido vencidos pelos chineses em uma série de guerras na Ásia Central): um novo volkerwanderung. Ou seja, uma nova grande migração de povos.
Passado um tempo esses imigrantes desesperados e ideologicamente fanatizados por seu envolvimento em conflitos no Mundo Islâmico ao lado de grupos salafistas como a Al Qaeda e o Estado Islâmico, em solo europeu, se organizarão em grupos que farão pressões para que se implante uma teocracia ao estilo saudita em seus respectivos países. Se nada for feito contra tal tendência, fatalmente aparecerá um Emirado do Cáucaso na Alemanha, um Boko Haram na Suécia, um Exército de Libertação de Kosovo na França, um Estado Islâmico na Inglaterra, um Front Al Nusra na Holanda ou uma Al Qaeda na Noruega. Se nada for feito contra isso, a aparição de tais grupos que vão fazer as mesmas chacinas e intimidações que o Exército de Libertação de Kosovo fazia com os sérvios de Kosovo e o Emirado do Cáucaso fazia contra os russos do Cáucaso é apenas questão de tempo. E assim crises como a que a Síria e a Líbia hoje se debatem vão se repetir e desta vez não será no Oriente Médio, no norte da África ou em algum rincão periférico da Europa, e sim em grandes metrópoles do coração da Europa como Berlim, Paris, Hamburgo, Hannover, Londres, Copenhagen, Amsterdã, Oslo, Turim, Milão, Berna, Zurique, Estocolmo, Helsinque, Trondheim, Viena, Munique, Nice, Manchester, Eindhoven, Dortmund, Estrasburgo, Liverpool, Barcelona, Marselha e outras tantas. Algumas dessas cidades que em suas áreas periféricas já têm seus guetos onde a situação é tal que nem mesmo a polícia entra, as chamadas no-go zones.
E se algum governante europeu eventualmente resolver propor-se a combater tal flagelo, que nem Slobodan Milošević[1] fez na Bósnia e em Kosovo nos anos 1990 e mais recentemente Marine Le Pen nas eleições francesas, fatalmente será demonizado e achincalhado pelos grandes meios de comunicação com porretes linguísticos tais como “fascista”, “nazista” e “racista”. Ou mesmo sofrer as ditas “intervenções humanitárias” da OTAN, como a que ocorreu em 1999 contra a Iugoslávia. A situação é tal que o prefeito de Londres, uma das principais capitais europeias, não é um inglês nativo e sim um paquistanês cujo nome atende por Sadiq Khan[2], e o atual presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou uma vez que não existe cultura francesa, e sim cultura na França. Por aí vemos que na hora em que a situação apertar, a Europa que nós conhecemos estiver na bacia das almas e atolada na lama de tal maneira que não dará mais para ser salva, como se estivesse com um câncer em estágio de metástase celular, pouca ou nenhuma resistência efetiva poderá oferecer a tal problema. Com uma elite político-econômica dessas, que não tem o menor pudor em importar centenas ou milhares desses imigrantes para usá-los como exército industrial de reserva em suas fábricas contra reivindicações trabalhistas e como massa de manobra eleitoral para que vote em candidatos que não terão o menor pudor em fazer políticas de austeridade e redução/extinção de direitos como as que Michel Temer (vulgo Conde Drácula) tem feito na Terra Brasilis, não se dá conta do perigo civilizatório em que se encontra, a Europa se encontra condenada a ter o mesmo destino que Roma teve nos séculos IV e V. Ou os europeus se livram dessa gente ou a kosovização da Europa será algo inexorável. Os últimos atentados em países como França e a Inglaterra nada mais estão mostrando que o preço do envolvimento europeu nessas guerras de saqueio imperialista já está sendo cobrado. Esse tipo de coisa, como já dito anteriormente, não se combate com pedidos de amor, paz e compreensão e muito menos cantando músicas do tipo “Imagine” de John Lennon como muitos ingênuos pensam, e sim enfrentando essa gente no campo de batalha e ao mesmo tempo denunciando a todos a histórica relação espúria do terror salafista com o Ocidente “livre e democrático”, assim como exigir que as nações europeias deixem de participar de tais guerras no Mundo Islâmico. Ou seja, tal combate não se faz com flores e corações, e sim com fuzis, espadas, lanças, baionetas, metralhadoras e bombas.
E me pergunto será que essa kosovização da Europa não faz parte da agenda de gente poderosa dentro dos círculos de poder que mandam nas nações europeias por trás das cortinas do poder, assim como do Pentágono, do Departamento de Estado norte-americano e outras altas instâncias de poder dentro dos EUA para o Velho Continente (que estão acima do presidente, diga-se de passagem), de forma a fazer com que futuramente a Europa se torne a fronteira ocidental do “cinturão verde”[3] contra a Rússia? Ainda mais levando em conta que historicamente o grande temor geopolítico das potências anglo-saxônicas sempre foi o de uma articulação entre a Europa e a Rússia?

Foto – Kosovo é Sérvia.
Fontes:
A verdade sobre Kosovo. Disponível em:
Claudio Mutti – uso ocidental do islamismo. Disponível em:
Estado Islâmico assume autoria do ataque em Londres. Disponível em: http://g1.globo.com/mundo/noticia/estado-islamico-assume-autoria-do-ataque-de-londres.ghtml
Kosovo – a verdade oficial e oculta (I). Disponível em:
Kosovo independence precedent (em inglês). Disponível em:
No-go area (em ingles). Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/No-go_area
The real history of Zbigniew Brzezinski that the Media isn’t telling (em inglês). Disponível em: http://theantimedia.org/real-story-zbigniew-brzezinski/
Was Kosovo deliberately created as an enemy base for launching Moslems into Europe? (em inglês). Disponível em: https://www.dailystormer.com/was-kosovo-deliberately-created-as-an-enemy-base-for-launching-moslems-into-europe/


NOTAS:

[1] Leia-se “Milochevitch”. Em idiomas da Europa centro-oriental como o servo-croata, o tcheco, o eslovaco, o esloveno, o lituano e outros, as partículas š e ć tem o mesmo valor do ch e do tch no português e no francês, respectivamente.
[2] Leia-se “Rran”. Em idiomas como o russo, o mongol, o farsi e o persa a partícula kh (cirílico х) tem o mesmo som do j no espanhol e do ch no alemão: r aspirado.
[3] Idéia geopolítica norte-americana que consiste do fomento a grupos fundamentalistas islâmicos reacionários em países de maioria islâmica no entorno da União Soviética como meio de enfraquecer o país no médio e longo prazo, de forma a cercar Moscou com regimes teocráticos de estilo saudita em suas fronteiras meridionais. Um dos principais teóricos dessa ideia foi o recém-finado polaco-americano Zigbiniew Brzezinski, assessor de segurança nacional durante o governo Carter.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

O atentado em Manchester e a Líbia hoje.


Foto – A profecia de Kadaffi, 2011.
Terça feira, dia 23 de maio de 2017, teve lugar em Manchester um atentado suicida ao final de um show da cantora norte-americana Ariana Grande. Saldo: 22 mortes (entre elas crianças e adolescentes), 116 feridos. Fica aqui nossas condolências aos mortos e feridos da tragédia e o repúdio ao atentado. Segundo a Polícia de Manchester, tal atentado foi perpetrado por apenas um homem com artefato explosivo improvisado. Algo que muito chama a atenção a respeito desse ataque (cuja autoria o Estado Islâmico assumiu) é que seu autor, Salman Abedi (que morreu logo após acionar a carga), é descendente de uma família de origem líbia. O pai de Salman Abedi, Ramadan (o qual alega que seu filho é inocente), era na década retrasada um operador de um grupo ligado a Al Qaeda na Líbia, o Grupo Islâmico Líbio de Luta, que advogava na época a deposição de Kadaffi para substituir a Líbia Verde por um regime teocrático similar ao das petro-monarquias do Golfo Pérsico. Posteriormente, os pais de Salman Abedi fugiram para a Inglaterra, em 2011 voltaram à Líbia após a queda de Kadaffi e hoje moram em Tripoli. Salman Abedi (que cresceu na Inglaterra em uma comunidade de emigrados que se opunham ao regime de Muammar al-Kadaffi), poucos dias antes de voltar à Inglaterra, esteve treinando com terroristas na Líbia.
Na cobertura da grande mídia a respeito do incidente em questão, não vi nenhum deles falar a respeito da situação em que a Líbia se encontra desde que Muammar al-Kadaffi foi deposto há seis anos. Muammar al-Kadaffi assumiu o poder na Líbia em 1969, quando derrubou o Rei Idris I durante a Revolta dos Oficiais Livres. Antes da Revolução de 1969, a Líbia era um dos países mais pobres do mundo. Embora fosse um grande produtor de petróleo, as petroleiras ocidentais é que ficavam com a maior parte da riqueza petroleira do país enquanto que a maioria da população passava fome e inanição. Para piorar ainda mais a situação, o país contava com várias bases da OTAN. Ou seja, era um país de soberania quase nula.
Sob Kadaffi, a Líbia se tornou o país mais rico e com o maior IDH de toda a África. Ao contrário do que fazem, por exemplo, os monarcas dos Estados do Golfo Pérsico, não usava o dinheiro do petróleo para enriquecimento próprio, muito menos para construir palácios luxuosos ou comprar iates e carros importados. Ele utilizou a renda do petróleo (após sua devida nacionalização) para reconstruir o país e garantir melhores condições de vida para o povo. O país e a infraestrutura foram modernizados e inúmeros avanços sociais foram atingidos. Alcançou uma altíssima taxa de alfabetização, a saúde e a eletricidade eram gratuitas, empréstimos bancários eram livres de juros, recém-casados recebiam cerca de €50 mil para construir uma nova casa, mães recebiam cerca de €5 mil por filho, os cidadãos recebiam uma percentagem de todas as vendas do petróleo (cerca de €0,14 por litro), o governo pagava a metade do preço do seu carro, desempregados líbios recebiam o salário médio por sua profissão em benefícios, entre outros. A título de ilustração, em 1970 a Líbia tinha um IDH um pouco abaixo do Brasil (0,541 contra 0,551 do Brasil), ao passo que 37 anos depois o IDH líbio subiu para 0,810, enquanto que o IDH brasileiro era de 0,764.
Desde que Kadaffi morreu, a Líbia enquanto estado nacional se encontra esfacelada e se tornou uma terra de ninguém, um verdadeiro grande campo de treinamento de terroristas que depois são exportados para outros países. O país perdeu sua unidade política e agora abriga três diferentes governos: um em Tobruk (que domina a região oriental e que tem sob seu controle os principais recursos petroleiros) e dois em Tripoli, capital nacional, que competem pela supremacia na parte ocidental do país. Além disso, também há atualmente na Líbia células de grupos terroristas como o Estado Islâmico e a Al Qaeda. Diante de tamanha instabilidade interna, a Líbia, a partir de 2011, se tornou a partir uma das principais rotas de refugiados vindos do norte da África para a Europa. De acordo com diversos organismos internacionais, desde 2015 mais de 15 mil pessoas têm sido mortas nas regiões costeiras do país tentando atravessar o Mar Mediterrâneo em direção à Europa. O próprio Kadaffi, em seus últimos meses de vida, alertou ao mundo que uma eventual deposição sua nas mãos dos grupos wahhabitas apoiados pelo Ocidente e as petro-monarquias do Golfo Pérsico a Europa e o Mar Mediterrâneo se transformaria em um mar de caos. Isso para não falar do genocídio perpetrado contra negros africanos que conta com o silêncio dos grandes meios de comunicação ocidentais.

Não vejo ninguém na mídia mainstream dizer que atentados como esse, assim como anteriores tais como os ocorridos em Paris contra o Charlie Hebdo e o Le Bataclan, nada mais são que sintomas da tragédia humanitária que tem afligido vários países do Oriente Médio e do norte da África desde a invasão norte-americana ao Afeganistão em 2001, assim como do envolvimento de países como a Inglaterra e a França (os quais durante muitos anos financiaram grupos de oposição a Kadaffi) nesses conflitos a reboque dos EUA e sua política de caos e desestabilização de governos na região. Ou seja, a Europa nada mais está que colhendo o que tem plantado no Mundo Islâmico desde o início da Primavera Árabe e arcando com o ônus de uma política teleguiada desde Washington.

Foto – “O terrorismo não será parar aqui, será exportado através da imigração ilegal para a Europa”. O aviso do presidente sírio Bašar al-Assad (em inglês).
Em entrevista concedida a um jornal alemão em junho de 2013, Bašar al-Assad disse que um dia a Europa pagará um preço muito caro se continuar a armar os rebeldes sírios, pois isso acarretará futuramente em uma expansão do terrorismo de matiz salafista em solo europeu, na medida em que chegarão ao Velho Continente terroristas com experiência de combate e ideologias extremistas que fatalmente vão tirar proveito da situação de marginalização social que sofrem as populações islâmicas da Europa. E o próprio Kadaffi, dois anos antes, disse que caso ele fosse derrubado pelos grupos terroristas apoiados pelo Ocidente, a Europa seria inundada por uma onda de refugiados vindos do norte da África. As profecias de Kadaffi e Assad agora estão se cumprindo na forma de uma grande onda de refugiados vindos do Mundo Islâmico em direção a Europa.
Assim, crises como a que a Síria e a Líbia (que sob a estabilidade trazidas pelos governos Assad e Kadaffi funcionavam como um dique de contenção contra tal fluxo migratório) hoje se debatem vão se repetir e desta vez não será no Oriente Médio, no norte da África ou em algum rincão periférico da Europa, e sim em grandes metrópoles do coração da Europa como Berlim, Paris, Hamburgo, Hannover, Londres, Copenhagen, Amsterdã, Oslo, Turim, Milão, Berna, Zurique, Estocolmo, Helsinque, Trondheim, Viena, Munique, Nice, Frankfurt, Manchester, Eindhoven, Dortmund, Estrasburgo, Liverpool, Barcelona, Marselha e outras tantas. Ante essa saia-justa eu vou querer ver como que os governos ocidentais vão se sentir tendo que lidar em seu próprio solo com os monstros que eles criaram e armaram no passado, ainda mais agora que a caixa de Pandora foi aberta.

Foto – A dupla moral de países como a França, a Inglaterra e os EUA na questão do terrorismo.
Algo digno de nota a respeito da repercussão que o atentado teve foi a pérola que a cantora estadunidense Katy Perry soltou em uma entrevista no dia seguinte ao atentado. A antiga cantora gospel disse que não deveria haver barreiras, fronteiras e que “nós apenas precisamos coexistir”. É a mesma Katy Perry que no pleito presidencial do ano passado apoiou Hillary Clinton (a mesma Hillary Clinton que foi a arquiteta da guerra que levou a Líbia à ruína e que riu da morte de Kadaffi e que, portanto tem responsabilidade no cartório pelo ocorrido em Manchester), participou de comícios prestando apoio à candidata democrata e que participou de uma marcha feminista contra Donald Trump logo após o republicano tomar posse. Que moral será que artistas como ela e a própria Ariana Grande (que também apoiou Hillary Clinton) tem para ficar chorando pelas mortes em Manchester sendo que apoiaram a grande responsável pela ruína da Líbia verde? Nenhuma. Talvez com a Líbia verde de pé até hoje tais crianças não estariam mortas no presente momento.

Foto – Katy Perry em comício ao lado de Hillary Clinton.
Também digno de nota é que aconteceu na mesma Manchester no dia 25 de maio, onde após um minuto de silêncio pelas vítimas do atentado uma multidão cantou a música “Don’t Look Back on Anger”, da banda Oasis (a qual foi formada em Manchester). Pelo visto ela e muitos outros artistas, estupidamente, pensam que é com amor, flores e musiquinhas do tipo “Imagine” de John Lennon que se vence o flagelo trazido por Estado Islâmico, Al Qaeda, Al Nusra e outros grupos terroristas wahhabitas que o Ocidente “livre e democrático” apoia. Quero ver se ela vai continuar com essa conversa mole na hora em que um desses fanáticos salafistas aparecer na mansão milionária dela (que certamente tem todo um sistema de segurança), enchê-la de bombas e depois estupra-la e degola-la com um facão. Talvez só assim para esses artistas deixarem de ser tão estúpidos, imbecis e cínicos. Tal flagelo se vence é denunciando o histórico apoio que o Ocidente dá a essa gente, a política de quanto pior melhor do Ocidente no Mundo Islâmico e os combatendo no campo de batalha da mesma forma com que a Rússia e o Irã fazem hoje na Síria, não com tais musiquinhas cretinas e imbecis e pedidos de paz e amor.

Foto – Charge de Latuff sobre o atentado em Manchester.
Fontes:
Assad diz que política francesa no Oriente Médio contribui para avanço do terrorismo. Disponível em:
Atentado suicida em show de Ariana Grande deixa 22 mortos e mais de 50 feridos em Manchester. Disponível em: http://brasil.elpais.com/brasil/2017/05/23/internacional/1495490731_587061.html
Autor de atentado a Manchester é identificado como filho de líbios. Disponível em: https://oglobo.globo.com/mundo/autor-de-atentado-manchester-identificado-como-filho-de-libios-21380843
Bomber’s father fought against Gadaffi regime with “terrorist” group (em inglês). Disponível em: https://www.theguardian.com/uk-news/2017/may/24/bombers-father-fought-against-gaddafi-regime-with-terrorist-group
Hillary Clinton bears responsibility for the Manchester atrocity (em inglês). Disponível em: http://theduran.com/hillary-clinton-bears-responsibility-for-the-manchester-atrocity/
Katy Perry on Manchester bombings: “No barriers, no borders, we all just need to co-exist” (em inglês). Disponível em: http://www.breitbart.com/big-hollywood/2017/05/23/katie-perry-on-manchester-bombing-no-barriers-no-borders-we-all-just-need-to-co-exist/
Multidão canta Oasis após minuto de silêncio em Manchester; vídeo viraliza. Disponível em: http://g1.globo.com/mundo/noticia/multidao-canta-oasis-apos-minuto-de-silencio-em-manchester-video-viraliza.ghtml

No laughing matter: The Manchester Bomber is the Spawn of Hilary and Barack’s Excellent Jihad adventure (em inglês). Disponível em: http://www.counterpunch.org/2017/05/29/no-laughing-matter-the-manchester-bomber-is-the-spawn-of-hillary-and-baracks-excellent-libyan-adventure/

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Mitt Brennender Sorge, parte 3 – A demonização da política entre a população.


Foto – Veja, Temer e Aécio ontem e hoje.
Recentemente, o Brasil viu atônito a delação de Joesley Batista (o qual fugiu para os EUA após fazer a delação). Em 17 de maio de 2017 o dono da JBS (uma das principais empresas brasileiras do ramo do agronegócio) entregou ao Supremo Tribunal Federal uma gravação feita na noite de sete de março de 2017 de uma conversa reservada que teve com Michel Temer (vulgo Conde Drácula) no Palácio do Jaburu, tratando a respeito de uma suposta “compra do silêncio” de Eduardo Cunha. Com essa delação figuras como Michel Temer e Aécio Neves (os quais eram protegidos pelo juiz Sérgio Moro) em cheio foram atingidos. Bem provavelmente, agora está sendo feito o descarte de Michel Temer pelas mesmas forças (entre elas a Rede Globo) que o ajudaram a colocar no poder por meio do impeachment de Dilma Rousseff. Fala-se em colocar o bankster Henrique Meirelles no lugar de Temer por meio de eleições indiretas, ou em Rodrigo Maia, o atual presidente da Câmara, assumir o posto. No que seria o golpe do poder econômico, que ao que tudo indica não se encontra satisfeito com o desempenho de Temer como o encarregado de fazer as reformas neoliberais (trabalhista e da previdência) as quais ele foi encarregado de fazer.
Algumas ponderações sobre isso serão feitas. Primeiro, no tocante a Aécio Neves, bem provavelmente essa delação veio a calhar para políticos tucanos rivais tais como Geraldo Alckmin (levando em consideração que o PSDB possui várias alas rivais entre si), cuja posição dentro do partido possa se fortalecer depois desse último episódio. E cabe aqui ressaltar também que essa não é a primeira vez que a Rede Globo age dessa forma: fez isso com os militares em 1964, cresceu sob o tacão dos milicos e quando viu que eles estavam para cair parou de apoiá-los. Posteriormente, fez o mesmo com Collor. O alavancou em 1989 para bater de frente com Brizola e Lula e posteriormente ajudou a derrubá-lo quando começaram os escândalos em seu governo. Ou seja, eles criam os monstros e depois os matam depois que eles não mais lhe são úteis. Portanto, a Globo assim agir com Michel Temer não é nenhuma surpresa.
Algo também digno de nota é o comportamento da Veja, que anteriormente apoiou tanto Temer quanto Aécio (o primeiro no golpe do ano passado e o segundo no pleito presidencial de 2014). A capa da última edição da Veja veio com um anúncio exigindo grandeza da parte dos homens públicos brasileiros, que eles devem colocar os interesses da nação acima de seus interesses pessoais e que os milhões de brasileiros honestos não merecem pagar o pato da ganância dos poderosos de plantão com uma bandeira do Brasil no fundo.

Foto – A última capa da Veja.
Há várias coisas que me preocupam no presente momento, e uma delas é a crescente onda de demonização da política que ando vendo ultimamente. Periodicamente vejo pessoas por aí dizerem que não se deve ter políticos de estimação, que político é tudo igual, são todos corruptos e bandidos e retóricas afins. Esse tipo de discurso é extremamente perigoso e nocivo. Além de sugerir desconhecimento a respeito do papel de agentes do setor privado nesses esquemas (e assim engolindo o senso comum que os grandes meios de comunicação vendem sobre o assunto), é por causa de pessoas que assim pensam que proliferam figuras como Dória, Collor, Macron e Berlusconi (geralmente apresentados como “anti-políticos”, “caçadores de marajás” e “gestores” ao público, mas que na prática são tão mais corruptos quanto os políticos que eles dizem abominar) e o país está a caminho de ficar sob o tacão de uma ditadura do judiciário (ditadura essa que Ruy Barbosa definiu como a pior que pode existir, pois contra ela não há a quem recorrer). Bem provavelmente, esses mesmos que dizem abominar políticos são as mesmas pessoas que são as primeiras a jogar confetes para juízes como Sérgio Moro e Marcelo Bretas e procuradores como Deltan Dallagnol e a colocar adesivos “Eu apoio a Lava Jato” em seus carros, acreditando que eles estão limpando o país do mal secular da corrupção.

Foto – Sérgio Moro junto com Michel Temer, Geraldo Alckmin e Aécio Neves em evento.
Primeiro que eles mal sabem que a corrupção que ai está não é o maior de todos os males que afligem o país. Muito pior que a corrupção que aparece no noticiário envolvendo políticos e empresários que tratam o processo eleitoral como sua rinha de galo particular são problemas como a escravidão dos juros da dívida e os recursos que todo santo ela consome (vulgo Bolsa Banqueiro), a posição de subalternidade do país dentro da divisão internacional do trabalho, a concentração fundiária no campo na mão de grandes latifundiários (onde se encontra o agronegócio do qual a JBS de Joesley Batista é um de seus representantes), o poder avassalador da mídia de massa sobre a política, a economia e a cultura (a ponto de ser considerado como o quarto poder por muitos), as perdas internacionais e o desequilíbrio de nosso sistema tributário onde em termos proporcionais o pobre paga mais impostos que o rico.
E pelo que essas pessoas demonstram em suas falas, elas pensam que juízes como Sérgio Moro e procuradores como Deltan Dallagnol são pessoas que estão acima do bem e do mal e de todo o jogo político ao seu redor. Que estão ai para zelar por todas as pessoas sem distinção de classe social ou ideologia política e que não têm suas preferências político-partidárias (ou que elas não influenciam seus atos). Nada mais falso isso. Conversa liberal da mais fajuta, ainda mais levando em consideração que se há algo que a Lava Jato escancarou ao Brasil é que o tribunal tem lado dentro da luta de classes que atravessa a história brasileira desde seus primórdios, o lado da classe dominante (algo que a foto do juiz do Banestado ao lado de Dória, descendente de uma família de senhores de engenho dos tempos coloniais, muito bem simboliza). Assim sendo, os togados de plantão estão muito mais para servir ao dono do Itaú a um retirante nordestino. E sem se dar conta também de que eles são parte do mesmo sistema da corrupção que gera figuras como Joesley Batista, Marcelo Odebrecht e Leo Pinheiro. O que Moro, Dallagnol estão em realidade fazendo e que as pessoas não se dão conta é ajudar o mesmo sistema da corrupção a realizar mais uma de suas trocas de peças, dando-lhe uma cara mais elitista. No tocante às empreiteiras, faz tábua rasa de OAS, Odebrecht, Camargo Correa, Andrade Gutierrez e outras empreiteiras nacionais para que futuramente empreiteiras de países como EUA e China (entre elas a Halliburton), tão ou mais corruptas quanto, venham para cá fazer as mesmíssimas coisas. No tocante a Petrobrás, promove tábua rasa da estatal fundada em 1953 para futuramente justificar uma eventual privatização em favor de petrolíferas internacionais como a Chevron, a Shell e a Exxon Mobill.
E do adianta cobrar honestidade e comprometimento dos homens públicos como a Veja fez se o Estado continuar a ser o balcão de negócios particular dos grandes capitalistas de que Marx fala no Manifesto do Partido Comunista (situação essa que a demonização da política e a falácia de que o mercado é o espaço em virtudes enquanto que o Estado é o espaço das mazelas justificam perante a população)? De nada vai adiantar, pois essa gente vai continuar corrompendo políticos em troca de favores ad eternum. Entra governo e sai governo e esses agentes privados continuam fazendo seus esquemas de sempre. Até porque o verdadeiro nome da corrupção que aparece no noticiário onde políticos e empresários estão envolvidos é ingerência de agentes do poder econômico no processo político-eleitoral, a ponto de tratar o Estado como seu balcão de negócios particular e o processo eleitoral como sua rinha de galo particular (onde eles apostam em todos os lados da contenda e saem vencedores independente de quem vença a eleição).
Outra coisa que igualmente me preocupa é o que vai vir depois de uma eventual queda de Michel Temer. Segundo Rui Pimenta Costa, a direita e o poder econômico tem como pauta no presente momento eleições indiretas até 2020. Preocupa-me muito se o sucessor de Temer for um sujeito da laia de Rodrigo Maia ou o já citado Henrique Meirelles (diga-se de passagem, por causa de sua nomeação para o Banco Central que Brizola rompeu com o primeiro governo Lula). Que nada mais seriam que nomes de transição para que futuramente seja eleito alguém como o Dória. Está mais que evidente que de tudo estão fazendo para que Lula não disputa o pleito presidencial do ano que vem, quer seja pela impugnação de sua candidatura, quer seja pelo cancelamento das eleições. Igualmente me preocupa a possibilidade de futuramente ficarmos sob o tacão de uma ditadura do judiciário, sob o comando de uma figura como a Carmen Lúcia (vulgo Bento Carneiro[1]).
 
Foto – A corrupção como realmente é.
Fontes:
A pauta da direita é indiretas até 2020. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=1DTiUbVPrl8
Família Costa Dória. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Fam%C3%ADlia_Costa_Doria
Na queda de Temer e Aécio, basta de Veja não tem o rosto de seus heróis. Disponível em: http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/296650/Na-queda-de-Temer-e-A%C3%A9cio-basta-de-Veja-n%C3%A3o-tem-o-rosto-de-seus-her%C3%B3is.htm
Neto de Brizola, o vereador Leonel Brizola lembra que o avô insistia na conexão entre bancos e canais de TV. Disponível em: http://www.ocafezinho.com/2017/05/23/neto-de-brizola-o-vereador-leonel-brizola-lembra-que-o-avo-insistia-na-conexao-entre-bancos-e-canais-de-tv/


NOTA:


[1] Para quem não conhece o personagem em questão Bento Carneiro é o vampiro que o Chico Anysio interpretava, notável por seu bordão “Minha vingança será maligrina!”.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Manifesto - Não à prisão de Lula.


Foto – A frase atribuída a Rui Barbosa a respeito da ditadura do judiciário.
Como o próprio título diz, esse é o nosso manifesto contra a prisão de Lula nas mãos da República de Curitiba. No dia 10 de maio, o ex-presidente Luís Ignácio Lula da Silva irá depor em Curitiba ante o juiz Sérgio Moro. Mas, primeiramente, uma coisa tem que ficar bem clara a todos, da qual ele e os petistas não se dão conta a julgar por vários pronunciamentos deles a respeito do assunto: Lula está diante de um monstro que ele mesmo e Dilma ajudaram a criar ao fortalecer organizações como o Ministério Público, o Judiciário, a Controladoria da União e a Polícia Federal no combate à corrupção sem levar a presença dos elementos reacionários nessas instituições. Elementos esses que olham pessoas de esquerda como o próprio Lula e os finados Leonel Brizola, Miguel Arraes e Luís Carlos Prestes como bandidos cujo lugar é atrás das grades e que carregam consigo a mesma mentalidade dos tempos da República Velha (1889 – 1930) no tocante a questão social: que se trata de um “caso de polícia”. A própria maneira como a Operação Lava Jato tem sido conduzida desde que foi deflagrada revela bem o ódio rábico que essa gente nutre por pessoas de esquerda.
Segundo Rui Pimenta Costa, o capitão do mato de Curitiba quer com isso prendê-lo, e caso a prisão do político pernambucano se concretize, nas palavras do político do PCO, será “o sinal de largada para um ataque generalizado para todas as direções do movimento operário popular e da esquerda. É um ataque frontal, central contra o movimento operário”. Se há algo que está mais cristalino que água límpida para nós é que a Operação Lava Jato, depois de três anos e intermináveis fases recheadas de pirotecnia e show midiático barato, em realidade não quer acabar com a corrupção. Isso nada mais é que um pretexto, um eufemismo, uma cortina de fumaça para esconder a população seu verdadeiro objetivo, que é prender Lula e inviabilizar sua candidatura ao pleito eleitoral do ano que vem (isso para não falar da destruição da economia brasileira que tem promovido desde seu início).
O que Rui Pimenta Costa com tais palavras quis dizer? Bem ou mal, Lula é a principal liderança popular brasileira da atualidade, e como tal é o grande obstáculo para a consolidação dos intentos golpistas dessa gente, que tem todo um projeto de poder de implantação de uma espécie de ditadura do judiciário aqui no Brasil. Ditadura essa que, segundo frase atribuída a Rui Barbosa, é a pior ditadura existente, pois contra ela não a quem recorrer. Dentro do cenário atual, Lula é como se fosse o fosse a fortaleza que impede o inimigo de tomar conta e subjugar uma nação ou reino a seus desígnios. Se esse forte cair, essa gente terá o caminho livre para fazer o que quiserem, incluindo até mesmo instalar um regime de exceção onde os juízes serão os capatazes a serviço da classe dominante da vez e assim exercendo o mesmo papel que os militares exerceram entre 1964 a 1985. Com todo um verniz de legalidade eles exercerão uma pesada repressão sobre os movimentos populares. Repressão essa que se já é pesada para cima de Lula, Dilma e os petistas, para cima de outros partidos de esquerda como o PSOL e o PSTU, que não têm o mesmo lastro social que o PT tem, será ainda mais pesada. Tais partidos, diga-se de passagem, se encontram indiferentes a situação em que Lula se encontra. A tal ponto que alguns políticos do PSOL como Luciana Genro e Chico Alencar demonstram apoio a Lava Jato.
Assim sendo, Lula NÃO PODE e NÃO DEVE ser preso por Moro e pela Polícia Federal. Você pode não gostar e não concordar com a política do Lula ao longo de seus anos no Palácio do Planalto (como nós não concordamos com muita coisa que ele fez. Isso para não falar das várias coisas que deixou de fazer), mas de forma alguma a prisão de Lula pode ser tolerada por nós. Se Lula cometeu algo ilícito ou não, isso não vem ao caso agora (até agora nada se provou contra o político pernambucano). A prioridade do momento é defender o forte diante do avanço do inimigo.
Esse manifesto também se destina a você, que joga confete para Moro, Dallagnol e companhia limitada. Está mais que na hora de você acordar. Enquanto a cobra pica Lula e companhia limitada, para você está ótimo. Você acha que essa mesma cobra é o cara que está limpando o Brasil do flagelo da corrupção (que certamente se tornará ainda mais sofisticada tal qual aconteceu na Itália após a Operação Mãos Limpas), fica participando de passeata lhe prestando apoio e até colocando a foto dele em seu avatar do Facebook. Mas e na hora em que a mesma cobra resolver te picar, o que você achará? Uma coisa é certa: a picada irá doer e muito e será recheada com o mais letal veneno.
Resumo da ópera: se o poderoso Thor (o qual era um deus muito popular na Escandinávia e na Germânia pré-cristã entre a população mais humilde), o deus do trovão e filho de Odin e Jord[1], perece diante da serpente Jormungandr, o que ela não será capaz de fazer com os pobres mortais que habitam Midgard que não tem o mesmo poder que Thor tem? Pois se isso acontecer Jormungandr terá o caminho livre para tiranizar da forma mais vil possível os pobres mortais que vivem em Midgard, que é onde você, que vive jogando confete para Moro e seus asseclas, se encontra, e não entre os deuses que habitam Asgard ou Vanaheim. Aqueles que moram em Asgard e/ou Vanaheim, por mais que você se esforce e por mais que você tente jamais lhe aceitarão como membros de sua confraria. Se Moro e seu mecanismo reacionário pinta e borda para cima de Lula e a turma do PT, com você então será pior ainda. E ai você verá o que eles realmente acham de um cidadão comum como você, que não leva a mesma vida faustosa e cheia de mordomias e salários acima do teto permitido por lei para juízes (que é de R$ 33.763,00) que eles levam.

Foto – Jan Sobieski III, rei da Polônia e Grão-Duque da Lituânia entre 1674 a 1696 (figura ilustrativa).
Em 1683, quando os turcos otomanos sitiaram Viena pela segunda vez, o rei polonês Jan Sobieski III veio junto com um exército de cerca de 60 mil a 70 mil homens em auxílio dos austríacos, pois ele acreditava que em caso de uma eventual queda da Áustria a Polônia poderia ser um dos próximos alvos da Sublime Porta (que ambicionava capturar Viena há tempos por ser o ponto de cruzamento das rotas de comércio do Danúbio e do sul da Europa). No fim, o segundo cerco otomano à Viena foi vencido e desde então o expansionismo otomano Europa adentro nunca mais se repetiu com a mesma força de antes, a ponto de perder territórios (entre eles a Hungria, a Transilvânia, o sul da Ucrânia e a Criméia) para potências como Rússia e Áustria nos anos e séculos seguintes.
Alguém de vocês me fará a seguinte pergunta: onde eu quero chegar contando essa história do século XVII e o que tem a haver com o presente momento? Tudo. Há um ditado que diz que “a união faz a força”. Sem o auxílio do rei polonês, talvez a capital austríaca seria tomada pelos turcos e o caminho estaria livre para que eles avançassem ao norte e a oeste na direção da Polônia e do Sacro Império-Romano Germânico. Ou seja, rumo ao coração da Europa. E se o Sacro Império Romano-Germânico caísse nas mãos dos turcos, talvez os janísaros estariam batendo nas portas de Paris, Amsterdã e outras grandes cidades europeias a oeste do Rio Reno. Agora é a hora dos vários partidos de esquerda colocar suas diferenças de lado e prestar solidariedade à Lula. A hora é de se unirem contra o inimigo comum e botar a serpente para correr, e não de ficar se engalfinhando nessas picuinhas. Do contrário, os dias mais negros do Regime Civil-Militar voltarão, dessa vez com uma nova embalagem e a mesma truculência da época. Segundo Eduardo Guimarães, o alvo em realidade não é Lula, e sim a imagem da esquerda brasileira, com a direita querendo transformá-la em sinônimo de corrupção (e como se essa mesma direita não fosse corrupta até o talo).

Foto – Luís Ignácio Lula da Silva (figura ilustrativa).
Fontes:
A direita e a esquerda pequeno-burguesa contra Lula. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=JtDsas8450I
Battle of Vienna (em inglês). Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_Vienna
Não é Lula que é caçado, é o símbolo maior da esquerda brasileira. Disponível em: https://limpinhoecheiroso.com/2015/10/07/nao-e-lula-que-e-cacado-e-o-simbolo-maior-da-esquerda-brasileira/
3 de maio: ocupar Curitiba e defender Lula. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rUFXgvA3N6E


NOTA:


[1] Leia-se “Iord”. Nos idiomas escandinavos, assim como no alemão, no holandês, no húngaro, no polonês, no tcheco, no servo-croata, no esloveno e outros idiomas da Europa central e oriental, a partícula j tem valor de i.