quinta-feira, 25 de maio de 2017

Mitt Brennender Sorge, parte 3 – A demonização da política entre a população.


Foto – Veja, Temer e Aécio ontem e hoje.
Recentemente, o Brasil viu atônito a delação de Joesley Batista (o qual fugiu para os EUA após fazer a delação). Em 17 de maio de 2017 o dono da JBS (uma das principais empresas brasileiras do ramo do agronegócio) entregou ao Supremo Tribunal Federal uma gravação feita na noite de sete de março de 2017 de uma conversa reservada que teve com Michel Temer (vulgo Conde Drácula) no Palácio do Jaburu, tratando a respeito de uma suposta “compra do silêncio” de Eduardo Cunha. Com essa delação figuras como Michel Temer e Aécio Neves (os quais eram protegidos pelo juiz Sérgio Moro) em cheio foram atingidos. Bem provavelmente, agora está sendo feito o descarte de Michel Temer pelas mesmas forças (entre elas a Rede Globo) que o ajudaram a colocar no poder por meio do impeachment de Dilma Rousseff. Fala-se em colocar o bankster Henrique Meirelles no lugar de Temer por meio de eleições indiretas, ou em Rodrigo Maia, o atual presidente da Câmara, assumir o posto. No que seria o golpe do poder econômico, que ao que tudo indica não se encontra satisfeito com o desempenho de Temer como o encarregado de fazer as reformas neoliberais (trabalhista e da previdência) as quais ele foi encarregado de fazer.
Algumas ponderações sobre isso serão feitas. Primeiro, no tocante a Aécio Neves, bem provavelmente essa delação veio a calhar para políticos tucanos rivais tais como Geraldo Alckmin (levando em consideração que o PSDB possui várias alas rivais entre si), cuja posição dentro do partido possa se fortalecer depois desse último episódio. E cabe aqui ressaltar também que essa não é a primeira vez que a Rede Globo age dessa forma: fez isso com os militares em 1964, cresceu sob o tacão dos milicos e quando viu que eles estavam para cair parou de apoiá-los. Posteriormente, fez o mesmo com Collor. O alavancou em 1989 para bater de frente com Brizola e Lula e posteriormente ajudou a derrubá-lo quando começaram os escândalos em seu governo. Ou seja, eles criam os monstros e depois os matam depois que eles não mais lhe são úteis. Portanto, a Globo assim agir com Michel Temer não é nenhuma surpresa.
Algo também digno de nota é o comportamento da Veja, que anteriormente apoiou tanto Temer quanto Aécio (o primeiro no golpe do ano passado e o segundo no pleito presidencial de 2014). A capa da última edição da Veja veio com um anúncio exigindo grandeza da parte dos homens públicos brasileiros, que eles devem colocar os interesses da nação acima de seus interesses pessoais e que os milhões de brasileiros honestos não merecem pagar o pato da ganância dos poderosos de plantão com uma bandeira do Brasil no fundo.

Foto – A última capa da Veja.
Há várias coisas que me preocupam no presente momento, e uma delas é a crescente onda de demonização da política que ando vendo ultimamente. Periodicamente vejo pessoas por aí dizerem que não se deve ter políticos de estimação, que político é tudo igual, são todos corruptos e bandidos e retóricas afins. Esse tipo de discurso é extremamente perigoso e nocivo. Além de sugerir desconhecimento a respeito do papel de agentes do setor privado nesses esquemas (e assim engolindo o senso comum que os grandes meios de comunicação vendem sobre o assunto), é por causa de pessoas que assim pensam que proliferam figuras como Dória, Collor, Macron e Berlusconi (geralmente apresentados como “anti-políticos”, “caçadores de marajás” e “gestores” ao público, mas que na prática são tão mais corruptos quanto os políticos que eles dizem abominar) e o país está a caminho de ficar sob o tacão de uma ditadura do judiciário (ditadura essa que Ruy Barbosa definiu como a pior que pode existir, pois contra ela não há a quem recorrer). Bem provavelmente, esses mesmos que dizem abominar políticos são as mesmas pessoas que são as primeiras a jogar confetes para juízes como Sérgio Moro e Marcelo Bretas e procuradores como Deltan Dallagnol e a colocar adesivos “Eu apoio a Lava Jato” em seus carros, acreditando que eles estão limpando o país do mal secular da corrupção.

Foto – Sérgio Moro junto com Michel Temer, Geraldo Alckmin e Aécio Neves em evento.
Primeiro que eles mal sabem que a corrupção que ai está não é o maior de todos os males que afligem o país. Muito pior que a corrupção que aparece no noticiário envolvendo políticos e empresários que tratam o processo eleitoral como sua rinha de galo particular são problemas como a escravidão dos juros da dívida e os recursos que todo santo ela consome (vulgo Bolsa Banqueiro), a posição de subalternidade do país dentro da divisão internacional do trabalho, a concentração fundiária no campo na mão de grandes latifundiários (onde se encontra o agronegócio do qual a JBS de Joesley Batista é um de seus representantes), o poder avassalador da mídia de massa sobre a política, a economia e a cultura (a ponto de ser considerado como o quarto poder por muitos), as perdas internacionais e o desequilíbrio de nosso sistema tributário onde em termos proporcionais o pobre paga mais impostos que o rico.
E pelo que essas pessoas demonstram em suas falas, elas pensam que juízes como Sérgio Moro e procuradores como Deltan Dallagnol são pessoas que estão acima do bem e do mal e de todo o jogo político ao seu redor. Que estão ai para zelar por todas as pessoas sem distinção de classe social ou ideologia política e que não têm suas preferências político-partidárias (ou que elas não influenciam seus atos). Nada mais falso isso. Conversa liberal da mais fajuta, ainda mais levando em consideração que se há algo que a Lava Jato escancarou ao Brasil é que o tribunal tem lado dentro da luta de classes que atravessa a história brasileira desde seus primórdios, o lado da classe dominante (algo que a foto do juiz do Banestado ao lado de Dória, descendente de uma família de senhores de engenho dos tempos coloniais, muito bem simboliza). Assim sendo, os togados de plantão estão muito mais para servir ao dono do Itaú a um retirante nordestino. E sem se dar conta também de que eles são parte do mesmo sistema da corrupção que gera figuras como Joesley Batista, Marcelo Odebrecht e Leo Pinheiro. O que Moro, Dallagnol estão em realidade fazendo e que as pessoas não se dão conta é ajudar o mesmo sistema da corrupção a realizar mais uma de suas trocas de peças, dando-lhe uma cara mais elitista. No tocante às empreiteiras, faz tábua rasa de OAS, Odebrecht, Camargo Correa, Andrade Gutierrez e outras empreiteiras nacionais para que futuramente empreiteiras de países como EUA e China (entre elas a Halliburton), tão ou mais corruptas quanto, venham para cá fazer as mesmíssimas coisas. No tocante a Petrobrás, promove tábua rasa da estatal fundada em 1953 para futuramente justificar uma eventual privatização em favor de petrolíferas internacionais como a Chevron, a Shell e a Exxon Mobill.
E do adianta cobrar honestidade e comprometimento dos homens públicos como a Veja fez se o Estado continuar a ser o balcão de negócios particular dos grandes capitalistas de que Marx fala no Manifesto do Partido Comunista (situação essa que a demonização da política e a falácia de que o mercado é o espaço em virtudes enquanto que o Estado é o espaço das mazelas justificam perante a população)? De nada vai adiantar, pois essa gente vai continuar corrompendo políticos em troca de favores ad eternum. Entra governo e sai governo e esses agentes privados continuam fazendo seus esquemas de sempre. Até porque o verdadeiro nome da corrupção que aparece no noticiário onde políticos e empresários estão envolvidos é ingerência de agentes do poder econômico no processo político-eleitoral, a ponto de tratar o Estado como seu balcão de negócios particular e o processo eleitoral como sua rinha de galo particular (onde eles apostam em todos os lados da contenda e saem vencedores independente de quem vença a eleição).
Outra coisa que igualmente me preocupa é o que vai vir depois de uma eventual queda de Michel Temer. Segundo Rui Pimenta Costa, a direita e o poder econômico tem como pauta no presente momento eleições indiretas até 2020. Preocupa-me muito se o sucessor de Temer for um sujeito da laia de Rodrigo Maia ou o já citado Henrique Meirelles (diga-se de passagem, por causa de sua nomeação para o Banco Central que Brizola rompeu com o primeiro governo Lula). Que nada mais seriam que nomes de transição para que futuramente seja eleito alguém como o Dória. Está mais que evidente que de tudo estão fazendo para que Lula não disputa o pleito presidencial do ano que vem, quer seja pela impugnação de sua candidatura, quer seja pelo cancelamento das eleições. Igualmente me preocupa a possibilidade de futuramente ficarmos sob o tacão de uma ditadura do judiciário, sob o comando de uma figura como a Carmen Lúcia (vulgo Bento Carneiro[1]).
 
Foto – A corrupção como realmente é.
Fontes:
A pauta da direita é indiretas até 2020. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=1DTiUbVPrl8
Família Costa Dória. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Fam%C3%ADlia_Costa_Doria
Na queda de Temer e Aécio, basta de Veja não tem o rosto de seus heróis. Disponível em: http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/296650/Na-queda-de-Temer-e-A%C3%A9cio-basta-de-Veja-n%C3%A3o-tem-o-rosto-de-seus-her%C3%B3is.htm
Neto de Brizola, o vereador Leonel Brizola lembra que o avô insistia na conexão entre bancos e canais de TV. Disponível em: http://www.ocafezinho.com/2017/05/23/neto-de-brizola-o-vereador-leonel-brizola-lembra-que-o-avo-insistia-na-conexao-entre-bancos-e-canais-de-tv/


NOTA:


[1] Para quem não conhece o personagem em questão Bento Carneiro é o vampiro que o Chico Anysio interpretava, notável por seu bordão “Minha vingança será maligrina!”.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Manifesto - Não à prisão de Lula.


Foto – A frase atribuída a Rui Barbosa a respeito da ditadura do judiciário.
Como o próprio título diz, esse é o nosso manifesto contra a prisão de Lula nas mãos da República de Curitiba. No dia 10 de maio, o ex-presidente Luís Ignácio Lula da Silva irá depor em Curitiba ante o juiz Sérgio Moro. Mas, primeiramente, uma coisa tem que ficar bem clara a todos, da qual ele e os petistas não se dão conta a julgar por vários pronunciamentos deles a respeito do assunto: Lula está diante de um monstro que ele mesmo e Dilma ajudaram a criar ao fortalecer organizações como o Ministério Público, o Judiciário, a Controladoria da União e a Polícia Federal no combate à corrupção sem levar a presença dos elementos reacionários nessas instituições. Elementos esses que olham pessoas de esquerda como o próprio Lula e os finados Leonel Brizola, Miguel Arraes e Luís Carlos Prestes como bandidos cujo lugar é atrás das grades e que carregam consigo a mesma mentalidade dos tempos da República Velha (1889 – 1930) no tocante a questão social: que se trata de um “caso de polícia”. A própria maneira como a Operação Lava Jato tem sido conduzida desde que foi deflagrada revela bem o ódio rábico que essa gente nutre por pessoas de esquerda.
Segundo Rui Pimenta Costa, o capitão do mato de Curitiba quer com isso prendê-lo, e caso a prisão do político pernambucano se concretize, nas palavras do político do PCO, será “o sinal de largada para um ataque generalizado para todas as direções do movimento operário popular e da esquerda. É um ataque frontal, central contra o movimento operário”. Se há algo que está mais cristalino que água límpida para nós é que a Operação Lava Jato, depois de três anos e intermináveis fases recheadas de pirotecnia e show midiático barato, em realidade não quer acabar com a corrupção. Isso nada mais é que um pretexto, um eufemismo, uma cortina de fumaça para esconder a população seu verdadeiro objetivo, que é prender Lula e inviabilizar sua candidatura ao pleito eleitoral do ano que vem (isso para não falar da destruição da economia brasileira que tem promovido desde seu início).
O que Rui Pimenta Costa com tais palavras quis dizer? Bem ou mal, Lula é a principal liderança popular brasileira da atualidade, e como tal é o grande obstáculo para a consolidação dos intentos golpistas dessa gente, que tem todo um projeto de poder de implantação de uma espécie de ditadura do judiciário aqui no Brasil. Ditadura essa que, segundo frase atribuída a Rui Barbosa, é a pior ditadura existente, pois contra ela não a quem recorrer. Dentro do cenário atual, Lula é como se fosse o fosse a fortaleza que impede o inimigo de tomar conta e subjugar uma nação ou reino a seus desígnios. Se esse forte cair, essa gente terá o caminho livre para fazer o que quiserem, incluindo até mesmo instalar um regime de exceção onde os juízes serão os capatazes a serviço da classe dominante da vez e assim exercendo o mesmo papel que os militares exerceram entre 1964 a 1985. Com todo um verniz de legalidade eles exercerão uma pesada repressão sobre os movimentos populares. Repressão essa que se já é pesada para cima de Lula, Dilma e os petistas, para cima de outros partidos de esquerda como o PSOL e o PSTU, que não têm o mesmo lastro social que o PT tem, será ainda mais pesada. Tais partidos, diga-se de passagem, se encontram indiferentes a situação em que Lula se encontra. A tal ponto que alguns políticos do PSOL como Luciana Genro e Chico Alencar demonstram apoio a Lava Jato.
Assim sendo, Lula NÃO PODE e NÃO DEVE ser preso por Moro e pela Polícia Federal. Você pode não gostar e não concordar com a política do Lula ao longo de seus anos no Palácio do Planalto (como nós não concordamos com muita coisa que ele fez. Isso para não falar das várias coisas que deixou de fazer), mas de forma alguma a prisão de Lula pode ser tolerada por nós. Se Lula cometeu algo ilícito ou não, isso não vem ao caso agora (até agora nada se provou contra o político pernambucano). A prioridade do momento é defender o forte diante do avanço do inimigo.
Esse manifesto também se destina a você, que joga confete para Moro, Dallagnol e companhia limitada. Está mais que na hora de você acordar. Enquanto a cobra pica Lula e companhia limitada, para você está ótimo. Você acha que essa mesma cobra é o cara que está limpando o Brasil do flagelo da corrupção (que certamente se tornará ainda mais sofisticada tal qual aconteceu na Itália após a Operação Mãos Limpas), fica participando de passeata lhe prestando apoio e até colocando a foto dele em seu avatar do Facebook. Mas e na hora em que a mesma cobra resolver te picar, o que você achará? Uma coisa é certa: a picada irá doer e muito e será recheada com o mais letal veneno.
Resumo da ópera: se o poderoso Thor (o qual era um deus muito popular na Escandinávia e na Germânia pré-cristã entre a população mais humilde), o deus do trovão e filho de Odin e Jord[1], perece diante da serpente Jormungandr, o que ela não será capaz de fazer com os pobres mortais que habitam Midgard que não tem o mesmo poder que Thor tem? Pois se isso acontecer Jormungandr terá o caminho livre para tiranizar da forma mais vil possível os pobres mortais que vivem em Midgard, que é onde você, que vive jogando confete para Moro e seus asseclas, se encontra, e não entre os deuses que habitam Asgard ou Vanaheim. Aqueles que moram em Asgard e/ou Vanaheim, por mais que você se esforce e por mais que você tente jamais lhe aceitarão como membros de sua confraria. Se Moro e seu mecanismo reacionário pinta e borda para cima de Lula e a turma do PT, com você então será pior ainda. E ai você verá o que eles realmente acham de um cidadão comum como você, que não leva a mesma vida faustosa e cheia de mordomias e salários acima do teto permitido por lei para juízes (que é de R$ 33.763,00) que eles levam.

Foto – Jan Sobieski III, rei da Polônia e Grão-Duque da Lituânia entre 1674 a 1696 (figura ilustrativa).
Em 1683, quando os turcos otomanos sitiaram Viena pela segunda vez, o rei polonês Jan Sobieski III veio junto com um exército de cerca de 60 mil a 70 mil homens em auxílio dos austríacos, pois ele acreditava que em caso de uma eventual queda da Áustria a Polônia poderia ser um dos próximos alvos da Sublime Porta (que ambicionava capturar Viena há tempos por ser o ponto de cruzamento das rotas de comércio do Danúbio e do sul da Europa). No fim, o segundo cerco otomano à Viena foi vencido e desde então o expansionismo otomano Europa adentro nunca mais se repetiu com a mesma força de antes, a ponto de perder territórios (entre eles a Hungria, a Transilvânia, o sul da Ucrânia e a Criméia) para potências como Rússia e Áustria nos anos e séculos seguintes.
Alguém de vocês me fará a seguinte pergunta: onde eu quero chegar contando essa história do século XVII e o que tem a haver com o presente momento? Tudo. Há um ditado que diz que “a união faz a força”. Sem o auxílio do rei polonês, talvez a capital austríaca seria tomada pelos turcos e o caminho estaria livre para que eles avançassem ao norte e a oeste na direção da Polônia e do Sacro Império-Romano Germânico. Ou seja, rumo ao coração da Europa. E se o Sacro Império Romano-Germânico caísse nas mãos dos turcos, talvez os janísaros estariam batendo nas portas de Paris, Amsterdã e outras grandes cidades europeias a oeste do Rio Reno. Agora é a hora dos vários partidos de esquerda colocar suas diferenças de lado e prestar solidariedade à Lula. A hora é de se unirem contra o inimigo comum e botar a serpente para correr, e não de ficar se engalfinhando nessas picuinhas. Do contrário, os dias mais negros do Regime Civil-Militar voltarão, dessa vez com uma nova embalagem e a mesma truculência da época. Segundo Eduardo Guimarães, o alvo em realidade não é Lula, e sim a imagem da esquerda brasileira, com a direita querendo transformá-la em sinônimo de corrupção (e como se essa mesma direita não fosse corrupta até o talo).

Foto – Luís Ignácio Lula da Silva (figura ilustrativa).
Fontes:
A direita e a esquerda pequeno-burguesa contra Lula. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=JtDsas8450I
Battle of Vienna (em inglês). Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_Vienna
Não é Lula que é caçado, é o símbolo maior da esquerda brasileira. Disponível em: https://limpinhoecheiroso.com/2015/10/07/nao-e-lula-que-e-cacado-e-o-simbolo-maior-da-esquerda-brasileira/
3 de maio: ocupar Curitiba e defender Lula. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rUFXgvA3N6E


NOTA:


[1] Leia-se “Iord”. Nos idiomas escandinavos, assim como no alemão, no holandês, no húngaro, no polonês, no tcheco, no servo-croata, no esloveno e outros idiomas da Europa central e oriental, a partícula j tem valor de i.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Nota de solidariedade à República Popular Democrática da Coréia.


Foto – Bandeira da Coréia do Norte.
Como se não bastasse o assédio à Síria que se arrasta desde 2011, mais um país recentemente entrou na mira do imperialismo anglo-americano: a Coréia do Norte. Porta-aviões e frotas norte-americanas foram enviados para os mares que circundam a Coréia do Norte. Ou seja, uma nova escalada de tensões entre os dois países teve lugar. Pelo que estamos vendo, Donald Trump, que prometeu em sua campanha eleitoral se focar mais nos problemas internos de seu país, ao que tudo indica foi cooptado pelo mesmo Pântano que ele disse que ia drenar (certamente debaixo de chantagens similares às quais o Pântano brasileiro submeteu Lula em 2002 e que o Pântano francês certamente submeterá Marine Le Pen caso a política do Front National se eleja e vença o candidato favorito do sistema francês, Emmanuel Macron). Será isso (assim como o recente ataque na Síria) uma bravata do presidente norte-americano para agradar e acalmar os ânimos dos neocons (os quais em sua grande maioria estavam do lado de Hillary Clinton na campanha presidencial do ano passado) que o cercam no Partido Republicano ou o anúncio de que uma guerra está por vir no nordeste da Ásia (e ainda debaixo do nariz da China e da Rússia)?
O imperialismo anglo-americano vem promovendo uma verdadeira guerra de propaganda contra a nação fundada pelo finado Kim il-Sung (avô paterno de Kim Čong[1]-Un) onde se recorre a artifícios tais como o uso de pobres sul-coreanos que se passam por fugitivos vindos do norte tais como Jeon Mi Park. Ela, que fisicamente mais se parece com uma membra de uma girl band de k-pop e que já tirou fotos com Hillary Clinton. Segundo Alejandro[2] Caos de Benos, ela recebe entre 15 a 30 mil euros por conferência em que participa.
Nós do RTM esperamos que essa guerra não chegue às vias de fato, mas ainda assim fica a nossa solidariedade à República Popular Democrática da Coréia caso os EUA a ataque, quer seja diretamente por meio de uma invasão militar aberta como feito anteriormente com o Iraque em 2003 e com a Líbia em 2011, quer seja indiretamente por meio de uma guerra por procuração se utilizando de seus lacaios locais (Coréia do Sul e/ou Japão). Lembremos que essa não é a primeira vez que a Coréia se vê diante de ofensivas do imperialismo anglo-americano: a primeira delas se deu em 1871 (ou seja, quase meio século antes do nascimento de Kim il-Sung), seguido da Guerra de 1950 a 1953 que ceifou com a vida de três milhões de coreanos (de uma população antes estimada em 11 milhões). Assim como o fato de a Coréia do Norte ter sido incluída pelo ex-presidente George W. Bush em 2002 junto com o Irã e o Iraque em um suposto “Eixo do Mal” (algo no mínimo absurdo, ainda mais levando em consideração que o Irã sob os aiatolás e o Iraque sob Saddam Hussein nunca se entenderam no período de 1979 a 2003, a ponto de terem travado uma guerra que se arrastou por longos oito anos). E isso para não falar dos 35 anos em que a Coréia esteve sob o jugo colonial japonês (de 1910 a 1945), onde, entre outras coisas, os japoneses submeterem a Coréia a uma brutal política de niponificação (aonde muitas mulheres coreanas foram reduzidas à condição de prostitutas nas mãos do exército japonês, o idioma coreano chegou a ser proibido e os coreanos sendo incentivados a adotarem nomes nipônicos).
Também aqui fica nosso repúdio aos pedidos do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) para que o Brasil feche a embaixada na Coréia do Norte, sob a alegação de que o país asiático supostamente persegue cristãos. Tal história é mentirosa e fantasiosa, como mostra as matérias do site A Página Vermelha abaixo. Nada muito diferente, por exemplo, de histórias fantasiosas de que o Irã persegue minorias religiosas não-islâmicas. Trata-se do mesmo Marco Feliciano que votou a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados.
Fontes:
FARSAS: proibição de Bíblias na Coréia do Norte, mito ou verdade? Disponível em: https://apaginavermelha.blogspot.com.br/2013/09/farsas-proibicao-de-biblias-na-coreia.html
Marco Feliciano pede que governo feche embaixada brasileira na Coréia do Norte. Disponível em: https://jornalivre.com/2017/04/27/marco-feliciano-pede-que-governo-feche-embaixada-brasileira-na-coreia-do-norte/
OLCN: Sobre a garota propaganda do regime estadunidense, Yeon Mi Park. Disponível em: https://iep-coreia.blogspot.com.br/2017/01/sobre-garota-propaganda-do-regime-estadunidense-park-yeon-mi.html?m=1
Opinião – as Bíblias da Coréia do Norte. Disponível em: https://apaginavermelha.blogspot.com.br/2014/06/opiniao-as-biblias-da-coreia-do-norte.html
Os aiatolás do Irã ajudaram a minar a soberania do Iraque. Disponível em: http://blogak-47.blogspot.com.br/2012/06/os-aiatolas-do-ira-ajudaram-minar.html

NOTAS:


[1] Leia-se “Tchon”. A partícula č tem valor de tch e no coreano, assim como em idiomas como o francês e o chinês, quando uma palavra termina em consoante esta é muda.
[2] Leia-se “Alerrandro”. No espanhol o j, assim como o g quando sucedido por e ou i, tem o mesmo valor do ch no alemão e do kh no russo: r aspirado.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Nove verdades, uma pergunta e uma mentira sobre a corrupção no Brasil.


Foto – Marcelo Odebrecht e Sérgio Moro: O Jin e o Jang, o Alfa e o Ômega, as duas faces de Janus contrapostas entre si.
Aproveitando o jogo das nove verdades e uma mentira que circula no Facebook, resolvi fazer um artigo nesse formato a respeito do assunto corrupção, como se fosse uma espécie de FAQ informativo a respeito do assunto.
1 – Primeiro de tudo, a corrupção que volta e meia o noticiário televisivo mostra não é uma simples questão de moralidade como a mídia e os setores mais reacionários (do alto de seu tacanho e rasteiro moralismo) da política brasileira fazem crer, e sim um problema estrutural do próprio sistema, fruto do fato de o Estado moderno ser aquilo que Karl Marx definiu no “Manifesto do Partido Comunista” (ou seja, no longínquo 1848) como o “balcão de negócios da burguesia”. E o que com isso Marx quis dizer? Que a burguesia, sendo a máquina de governar do Estado moderno (termo utilizado por Muammar al-Kadaffi na primeira parte do Livro Verde para se referir a um partido, grupo ou classe social que se apodera do aparato de Estado de um determinado país e passa a utilizá-lo em seu proveito próprio, ao mesmo tempo em que lesa o resto da sociedade nesse processo), condiciona as políticas desse mesmo Estado em seu favor. Assim, no Estado burguês as políticas que este eventualmente adote são para atender acima de tudo os interesses de classe dos grandes capitalistas e não da sociedade como um todo.
2 – E segundo, o noticiário geralmente oculta ao público algo visceral a esse respeito: a corrupção em realidade começa em agentes do setor privado e termina em políticos, os quais por sua vez acabam sendo o bode expiatório da história. Vide, por exemplo, PC Farias nos esquemas de corrupção do governo Collor e Marcos Valério no mensalão. O que destrói com a falácia vendida pelos liberais de que o mercado é o espaço das virtudes e o Estado é o espaço do que há de pior que existe por excelência, como se só no segundo é que existe corrupção. O tipo do discurso que ajuda a justificar a ideologia neoliberal.
3 – Juízes como Sérgio Moro e procuradores como Deltan Dallagnol nada mais são que a outra face da moeda do sistema da corrupção existente no Brasil. O sistema, sob a alegação de combater a corrupção, a eles recorre para fazer seu trabalho sujo nos momentos em que quer trocar as velhas peças dos esquemas de corrupção por novas, tão ou até mais corruptas. Em outras palavras, Dallagnol de um lado e de outro Marcelo Odebrecht são como o Jin e o Jang[1] do taoísmo, os personagens Kami Sama e Piccolo em Dragon Ball e as duas faces de Janus[2], o deus supremo do panteão romano: dois elementos opostos entre si, mas que juntos formam uma unidade contraditória a ponto de um não existir sem o outro e vice-versa. E, como Rui Pimenta Costa pontua em um de seus vários vídeos, Dallagnol, Janot e companhia limitada não se reconhecem como parte integrante desse mesmo sistema que gera figuras como Marcelo Odebrecht, Marcos Valério, PC Farias e tantos outros.
4 – A corrupção que os jornais dos grandes meios de comunicação em que políticos estão envolvidos em realidade são o mais baixo nível da corrupção aqui no Brasil. O segundo nível da corrupção, segundo Nildo Ouriques, envolve as privatizações (entre elas a privatização da Vale do Rio Doce, feita em 1997) feitas no país desde o início da experiência neoliberal nos governos Collor e FHC. E o terceiro e mais alto nível da corrupção, também de acordo com o professor catarinense, se encontra no sistema de multiplicação de dívida por meio da manipulação do câmbio e a especulação em cima dos títulos dessa mesma dívida. O sistema da dívida é algo que todo santo ano consome entre 40 a 50% do orçamento da União, enquanto que o Bolsa Família em seus dias de glória consumiu não mais que 0,47% desse mesmo orçamento. E tudo isso com a conivência do Banco Central Brasileiro. Isso é um verdadeiro assalto a mão armada ao Estado brasileiro perpetrado por agentes do setor privado. Nessa farra estão envolvidas as diversas frações capitalistas brasileiras, entre elas o capital bancário, o industrial, comercial e agrário. E foi para, entre outras coisas, garantir os lucros desse sistema que houve o golpe do ano passado.
5 – Que moral será que juízes como Sérgio Moro (que segundo dados do TRF4 ganhou em dezembro do ano passado R$ 102.151,58), que ganham salários muito acima do teto permitido por lei (R$ 33.763,00), têm para querer colocar Lula, José Dirceu, Marcelo Odebrecht ou qualquer outra pessoa por eles tida como corrupta na cadeia? A meu ver, nenhuma moral eles têm, na medida em que agem como parasitas do Estado brasileiro. No fim não é uma questão de combate à corrupção, e sim de perseguição política. Pessoas essas que não raro pensam que estão acima da lei (haja vista o caso da fiscal de trânsito do Detran-RJ que em 2011 parou um veículo sem placa, seu motorista não portava carteira de habilitação e estava embriagado e o multou. O motorista em questão era um juiz, o qual se sentiu mordido ao ouvir da boca dela que “juiz não é Deus”. Posteriormente, o caso foi aos tribunais e o juiz em questão teve ganho de causa).
6 – Ao contrário do que os alienados de plantão pensam, a justiça que Moro, Dallagnol, Janot, Gilmar Mendes e companhia limitada exercem está muito mais voltada para atender aos interesses de classe das elites dominantes que da população como um todo. Quando eles fazem o que fazem com a Odebrecht[3] e outras empreiteiras nacionais, o que eles fazem na prática é abrir o caminho para que empreiteiras de países como os Estados Unidos e a China venham para cá e façam as mesmas coisas que as empreiteiras nacionais faziam antes (ou até pior). Em outras palavras, arrancam a erva daninha do solo sem arrancar a raiz junto. Ou seja, o que eles fazem em suas operações policialescas pirotécnicas é apenas atacar os sintomas da doença, nunca a doença em si.
7 – Historicamente, o flagelo da corrupção é muito antigo no Brasil, e tem sido usado da forma mais tacanha e moralista possível pelos meios de comunicação e outros setores reacionários contra governos de caráter popular como aconteceu nos anos 1950 e 1960 com o segundo governo Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart. Pela UDN (União Democrática Nacional) e por jornalistas como Carlos Lacerda, o governo Vargas era acusado de ser um “mar de lama”. Depois de Vargas, o governo Juscelino Kubistchek, que sofreu duas tentativas de golpe por parte de setores conservadores, foi acusado por essa mesma gente de ser o mais corrupto da história do Brasil. Jango, por seu turno, foi igualmente acusado de ser corrupto e de querer implantar no Brasil uma “República Sindicalista”. Ou seja, o que se viu durante os governos Lula e Dilma em episódios como o mensalão e o petrolão não foi nada de novo. Os grandes meios de comunicação apenas se utilizaram de um expediente que eles mesmos utilizaram meio século antes.
8 – Antes do PT chegar ao poder, comumente os casos de corrupção eram acobertados não só pela grande imprensa como também por Geraldo Brindeiro, o então procurador-geral da República, que ganhou a alcunha de “engavetador-geral da República”. Casos como a compra de votos da emenda da reeleição nunca chegaram ao STF nem em seus responsáveis porque o procurador-geral simplesmente arquivava-os. Quando o PT chegou ao poder, essa situação mudou drasticamente. O PT, para combater esse flagelo, fortaleceu órgãos como o Ministério Público, a Controladoria da Receita e a Polícia Federal para esse fim. Entretanto, acabou cometendo um erro fatal ao fazer isso sem levar em consideração a presença de elementos reacionários como Dallagnol, Janot e Gilmar Mendes incrustrados nessas instituições. Elementos esses para os quais pessoas de esquerda como Lula, Dilma, José Dirceu e os finados Brizola e Luís Carlos Prestes são pessoas cujo lugar é apodrecendo atrás das grades e não na política. Ou seja, são pessoas que tratam a questão social como “caso de polícia” que nem nos tempos da República Velha (1889 – 1930). No fim, Lula e Dilma chocaram o ovo da serpente que agora os pica.
9 – Se há algo que aqui no Brasil é apartidário isso atende pelo nome de corrupção. Haja vista, por exemplo, o fato de Marcos Valério, o operador do mensalão, ter começado sua carreira de mensaleiro não no PT, e sim no PSDB. Algo sobre o qual Lucas Figueiredo fala no livro “O Operador”, lançado em 2006. O mensalão, em realidade, começou em Minas sob os auspícios de Eduardo Azeredo e Marcos Valério, e só depois que Lula foi eleito é que Marcos Valério passou a irrigar os cofres do PT, quando viu que Lula e não Serra ia ganhar o pleito presidencial de 2002. Entretanto, o que vimos durante a Operação Lava Jato é Moro, Janot e companhia limitada tratarem a coisa da forma mais partidária possível. No fim essa gente, a julgar por sua atuação ao largo da Operação Lava Jato, não passa de políticos de toga.
10 – O que delações como a da Odebrecht mostram? Uma coisa, basicamente: que grandes capitalistas como ele e tantos outros tratam o processo eleitoral como se fosse a rinha de galo particular deles, onde apostam em todos os competidores com o dinheiro que ajuda a financiar suas milionárias campanhas eleitorais. Assim, independente de quem ganhe o pleito eleitoral, os capitalistas que apostam rios de dinheiros em todos os candidatos é que são os verdadeiros vencedores. E eles não fazem isso de graça: querem favores e concessões em troca, assim como o dinheiro que eles investiram de volta redobrado posteriormente. Como Kadaffi diz em um trecho da página 10 do Livro Verde, “É possível comprar e manipular os votos quando os mais pobres não podem estar no coração das lutas eleitorais; são sempre (e só) os ricos que ganham as eleições!”. A seguinte pergunta fica no ar: será que a Odebrecht era a única rinheira do pedaço durante todos esses pleitos eleitorais? E por que será que Moro, Marcelo Bretas, Dallagnol e camarilha limitada tanta questão fazem de demolir a Odebrecht e outras empreiteiras nacionais? E mais uma pergunta: será que a ingerência do capital no processo eleitoral é uma exclusividade da Terra Brasilis? Será que isso também não acontece em países do dito Primeiro Mundo tais como Estados Unidos, Canadá, Islândia, França, Inglaterra, Holanda, Bélgica, Alemanha, Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia e Japão? Levando em consideração que Marx há um século e meio já dizia que o estado moderno é o balcão de negócios da burguesia, eu acho que não é.
11 – O problema da corrupção se resolve com operações policiais pontuais e com ampla cobertura e show midiático pirotécnico tais como a Mãos Limpas (em italiano Mani Puliti) e sua inspiração tupiniquim que atende pelo nome de Operação Lava Jato.
Fontes:
Figueiredo, Lucas. O Operador: como (e a mando de quem) Marcos Valério irrigou os cofres do PSDB e do PT. Rio de Janeiro: Record, 2006.
Kadaffi, Muammar. O Livro Verde. Gráfica Renascença: Lisboa, 1984.
Marx, Karl. Engels, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. Disponível em: https://www.marxists.org/portugues/marx/1848/ManifestoDoPartidoComunista/cap1.htm
Combate à corrupção é marca dos governos do PT. Disponível em: http://www.pt.org.br/combate-a-corrupcao-e-marca-dos-governos-do-pt/
Dallagnol é parte integrante do regime político do Brasil. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=QHgF6ULA1VE
“Juiz não é Deus”, “mas você sabe com quem está falando?” Disponível em: https://professorlfg.jusbrasil.com.br/artigos/150116764/juiz-nao-e-deus-mas-voce-sabe-com-quem-esta-falando
Juízes estaduais e promotores: eles ganham 23 vezes mais do que você. Disponível em: http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2015/06/juizes-estaduais-e-promotores-eles-ganham-23-vezes-mais-do-que-voce.html
Nildo Ouriques – calote na dívida pública? Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=RUCNNCTyEi4
Nildo Ouriques – os três níveis da corrupção. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=xbgVmPeVn08
Nos tempos do engavetador-geral: refrescando Fernando Henrique Cardoso. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/politica/nos-tempos-do-engavetador-geral-refrescando-henrique-cardoso
Vargas, JK, Jango, Lula, Dilma e a oposição ao desenvolvimento. Disponível em: http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/159622/Vargas-JK-Jango-Lula-Dilma-e-a-oposi%C3%A7%C3%A3o-ao-desenvolvimento.htm


NOTA:


[1] Leia-se “Ian”, pois no mandarim, assim como no francês, quando uma palavra termina em consoante esta é muda.
[2] Leia-se “Ianus”. No latim, assim como em idiomas como o alemão, o holandês, o húngaro, o polonês, o servo-croata, as línguas escandinavas e bálticas, o tcheco, o eslovaco e outros tantos, a partícula j tem valor de i.
[3] Leia-se “Odebrerrt”. No alemão (Odebrecht é um sobrenome de origem germânica) a partícula ch tem o mesmo valor do j no espanhol e do kh no russo: r aspirado.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Valeu a pena, Luluzinha? As bolas foras do Ursinho Amarelista.


Foto – O Ursinho Amarelista (PSOL; imagem ilustrativa).
Recentemente, Luciana Genro, candidata do PSOL (vulgo Ursinho Amarelista) à presidência da República em 2014, foi acusada por Pedro Novis, ex-presidente do grupo Odebrecht[1], em delação de receber propina da Braskem pela ex-petista ter ajudado a empresa no polo petroquímico do Rio Grande do Sul. Segundo Pedro Novis, nos pleitos eleitorais de 2002 e 2006 ela, junto com os candidatos a governador do Estado do Rio Grande do Sul Germano Rigotto (PMDB) e Yeda Crusis (PSDB), assim como os deputados federais Pepe Vargas (PT), Marco Maia (PT) e a própria Luciana Genro (PT). Tais doações em forma de caixa 2 somam R$ 480 milhões ao todo. Posteriormente, ela negou tais acusações em sua página no Facebook e em seu site.
Primeiramente, o que delações essa e a de Marcelo Odebrecht mostram (os quais bem provavelmente estão fazendo acordo de delação premiada com Moro e sua equipe só para se livrarem das masmorras da República de Curitiba e de todo o terrorismo psicológico que eles lhe infligem), independentemente de sua veracidade? Que esses empresários tratam o processo eleitoral como se fosse sua rinha de galo particular, onde eles apostam em todos os participantes da contenda. Assim, independentemente do vencedor, eles é que são os verdadeiros vencedores no fim das contas e o político que ganha o pleito eleitoral entra no poder devendo favores a seus financiadores, e assim tem de fazer concessões e favores a eles. Isso também mostra o papel de agentes do setor privado nos esquemas de corrupção que volta e meia os grandes meios de comunicação divulgam aos quatro ventos. E aí eu pergunto aos que acham que o Brasil é o país da corrupção e retórica afins: será que essa ingerência do capital no processo eleitoral a ponto de trata-lo como sua rinha de galo particular é uma exclusividade da Terra Brasilis? Será que isso também não existe em países do dito Primeiro Mundo tais como Estados Unidos, Canadá, França, Inglaterra, Holanda, Alemanha, Noruega, Suécia, Dinamarca, Finlândia, Islândia e Japão? Enquanto a manada se deleita com mais um episódio da telenovela Operação Lava Jato (vulgo Operação Caça ao Lula), o governo Temer perdoou R$ 25 bilhões de dívida do Itaú de sonegação de imposto. Ou seja, tal qual acontece nos países da Europa meridional quem paga a farra dessa gente por meio de políticas de austeridade é você, plebeu, não eles.
E o curioso disso tudo é que se trata da mesma Luciana Genro que era a maior defensora da Operação Lava Jato dentro da esquerda brasileira. Referindo-se ao PT, ela afirmou que a Operação tinha que avançar doa a quem doer, que suas ações antidemocráticas são aceitáveis desde que a “corrupção” seja castigada. Segundo a filha de Tarso Genro, a Lava Jato “estava cumprindo um PAPEL POSITIVO ao enfraquecer um sistema político corrupto e burguês. As prisões da cúpula do PMDB do Rio falam por si só – o que a cara de Aécio na Veja mostra também [...] Ao contrário, creio que o partido perdeu uma imensa chance ao não defender de maneira resoluta esta CAUSA JUSTA APOIADA PELO POVO”. A mesma Lava Jato que favoreceu a entrada de Temer ao poder, ordenou uma condução coercitiva e ameaça prender sem provas o ex-presidente Lula, vazou ilegalmente ligações telefônicas de conversas envolvendo os ex-presidentes Lula e Dilma, que ajudou a levar a Dona Marisa ao falecimento, constrangeu por suposto crime de opinião pessoas como o petroleiro Emanuel Cancella, o jornalista Breno Altman, o blogueiro Eduardo Guimarães e o serventuário de justiça Roberto Ponciano por críticas ao juiz Sérgio Moro, usa e abusa de “prisões preventivas” com o intuito de forçar delações premiadas, que está desmontando com a economia brasileira em favor do capital estrangeiro, entre outras coisas. E o que está em jogo no Rio de Janeiro em realidade não é um verdadeiro combate à corrupção, e sim uma briga de poder onde as velhas peças dos esquemas de corrupção estão sendo substituídas por novas peças tão ou mais corruptas quanto, como bem apontou Rui Pimenta Costa. Esse conto de combate à corrupção não passa de uma cortina de fumaça para esconder tal fato à população. E a burguesia vai continuar mandando no jogo político por trás das cortinas do poder do mesmo jeito.
E então, valeu a pena ficar jogando confete esse tempo todo para o Moro, o Dallagnol e sua camarilha, Luluzinha? Valeu a pena se posicionar a favor do golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff desde o início do processo golpista? Valeu a pena comemorar a prisão do José Dirceu quando ele foi preso? Valeu a pena atacar o Lula em sua página no Facebook quando houve a tentativa de condução coercitiva da parte da República de Curitiba? Valeu a pena fazer coro com a imprensa golpista nesses casos todos e não defender nenhum daqueles que a República de Curitiba prendeu injustamente? O que você está achando do sabor da mordida da cobra? Está gostando do veneno que a cobra começou a injetar em você? Está gostando da dor da mordida? Espero que agora você reveja isso e caia na real. Na opinião de alguém como o Sérgio Moro (um sujeito que a julgar por suas ações no decorrer da Operação Lava Jato é reacionário até a medula e trata a questão social como “caso de polícia”, tal como era feito no tempo da República Velha [1889 – 1930]) o teu lugar não é na política, e sim apodrecendo na prisão atrás de grades de ferro. Luluzinha, por favor, acorde antes que seja tarde demais. A tua citação na delação em questão certamente é apenas o começo. O começo de uma série de delações e processos onde os juízes e promotores da Lava Jato (que nada mais fazem que exercer o mesmo papel que os milicos exerceram entre 1964 a 1985: capatazes a serviço da Casa Grande) irão utilizar as mais frívolas acusações contra você para dar um verniz legal e assim justificar perante a opinião pública uma eventual prisão tua, que nem estão fazendo contra o Lula no presente momento. E você ser presa por eles será bem mais fácil que prender o Lula, já que você não tem o mesmo apelo popular que o ex-presidente tem. Ou seja, o pior ainda está por vir. Espero que esteja preparada enfrentar e receber as mordidas da cobra chamada Operação Lava Jato, Luluzinha. Se isso vier a acontecer com você, eu serei solidário com você como tenho sido com o Lula. Mas por favor, Luluzinha, caia na real. Ainda mais para você que teve a audácia de falar na última campanha presidencial a respeito do flagelo do Bolsa Banqueiro junto com Levy Fidelix e Eduardo Jorge.
Isso também é sintomático do fato de que os principais partidos da esquerda brasileira, em especial o PSTU (vulgo Ursinho Morenista), o PSOL e o próprio PT, agem e se comportam como se aqui no Brasil não houvesse um dos mais terríveis (se não o mais) conflitos de classe da face da Terra, resultado do grande abismo social existente entre o andar de cima e o andar de baixo. Como se aqui não houvesse uma das direitas mais reacionárias e raivosas da face da Terra que não tem o menor pudor em utilizar os mais baixos expedientes para se perpetuar no poder e em promover golpes de Estado contra governos que contrariem seus interesses. Como se aqui não houvesse juízes, promotores, policiais e militares reacionários que tratam a questão social como caso de polícia, uma classe dominante entreguista e escravagista até a medula (isso passados já 13 décadas da Lei Áurea) e meios de comunicação que na prática são o quarto poder e todos eles exercendo o poder em favor dessa mesma classe dominante. Como se não bastasse seus desastrosos posicionamentos em política exterior (como no caso da Líbia e da Síria de 2011 em diante e da Ucrânia em 2014, onde eles tratam a fina flor do terror wahhabita e grupos neonazistas como revolucionários) onde eles fazem coro à direita e as ações do imperialismo estadunidense, eles se comportam como um sujeito que está diante de um vulcão adormecido há muito tempo e que acha que ele não irá mais expelir lava. A esquerda brasileira precisa mudar essa postura. Do contrário, continuará apanhando das forças reacionárias ad eternum. E, se de fato o pior de nossos prognósticos se concretizarem, de o Brasil se transformar em um país regido por um regime de terror de Estado similar ao existente na Colômbia amparado pelo Judiciário, uma coisa é certa: Luluzinha e companhia limitada, vocês terão culpa no cartório por isso.

Foto – Luciana Genro (imagem ilustrativa).
Fontes:
Até Luciana Genro ataca Lula e o PT depois de condução coercitiva do ex-presidente. Disponível em: http://www.folhapolitica.org/2016/03/ate-luciana-genro-ataca-lula-e-o-pt.html?m=1
Carf e Itaú: o escândalo do financismo que a mídia não mostra. Disponível em: http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2017/04/carf-e-itau-o-escandalo-do-financismo-que-a-midia-nao-mostra
Lista de Fachin: PSOL tem de escolher entre ser hipócrita ou golpista. Disponível em: http://causaoperaria.org.br/blog/2017/04/15/lista-de-fachin-psol-tem-que-escolher-entre-ser-hipocrita-ou-golpista/
Luciana Genro, a líder da esquerda pró-Lava Jato. Disponível em: http://www.ocafezinho.com/2017/04/06/luciana-genro-lider-da-esquerda-pro-lava-jato/
Luciana Genro adorava delações sobre outros... até aparecer na delação nesta sexta. Disponível em: http://www.ceticismopolitico.com/luciana-genro-adorava-delacoes-sobre-outros-ate-aparecer-na-delacao-nesta-sexta/
Luciana Genro defende prisão de Lula e faz inacreditável e pueril apologia ao fascismo da Lava Jato! Saiba mais... Disponível em: http://maisvisto.com/2017/04/06/luciana-genro-defende-prisao-de-lula-e-faz-inacreditavel-e-pueril-apologia-ao-fascismo-da-lava-jato-saiba-mais/
Luciana Genro rejeita pedido da Odebrecht para que interferisse a favor dos interesses dos interesses da empresa no RS. Disponível em: https://lucianagenro.com.br/2017/04/luciana-genro-rejeita-pedido-da-odebrecht-para-que-interferisse-a-favor-dos-interesses-da-empresa-no-rs/
Não existe uma luta contra a corrupção e sim de poder. Disponível em:
O sistema da dívida em debate – eleições 2014. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=I__hgZdV-cE
Pedro Novis: Braskem pagou R$ 480 milhões em Caixa 2 entre 2006 a 2014. Disponível em: http://www2.valor.com.br/politica/4938368/pedro-novis-braskem-pagou-r-480-milhoes-em-caixa-2-entre-2006-e-2014
“Viva a Lava Jato!” disse Luciana Genro, denunciada por ter recebido Caixa Dois. Disponível em: http://causaoperaria.org.br/blog/2017/04/15/viva-a-lava-jato-disse-luciana-genro-denunciada-por-ter-recebido-caixa-2/

NOTA:


[1] Leia-se “Odebrerrt”. No alemão (Odebrecht é um sobrenome de origem germânica) a partícula ch tem o mesmo valor do j no espanhol e do kh no russo: r aspirado.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Solidariedade ao Vice-Almirante Othon.


Foto – Othon Pinheiro da Costa.
É impressionante a falta de consideração que um país como o Brasil tem tido com um cientista da envergadura de Othon Pinheiro da Costa, o pai do programa nuclear brasileiro e formulador da matriz energética brasileira. O Vice-Almirante Othon, formando em 1966 em Engenharia Naval pela Escola Politécnica de São Paulo com especializado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts em 1978, recebeu no mesmo ano a incumbência de iniciar os primeiros estudos para a construção do submarino nuclear brasileiro, e entre 1979 a 1994 liderou o Programa Nuclear Paralelo. Tal projeto, executado de forma sigilosa pela Marinha, resultou no desenvolvimento de uma tecnologia 100% nacional de enriquecimento de urânio por meio do método de ultracentrifugação. Entre 1982 a 1984 Othon foi diretor de pesquisas de reatores do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN). Em 1994 se aposentou como Vice-Almirante e abriu uma empresa de consultoria para projetos na área de energia.
Em 2005, Othon assumiu a presidência da Eletronuclear, e em sua gestão as obras da usina Angra 3, até então paradas há 23 anos, foram retomadas. Eis que em abril de 2015 ele foi afastado de seu cargo depois que apareceram denúncias de pagamento de propina a dirigentes da empresa e por causa disso foi preso em decorrência das investigações da Operação Lava Jato, sendo novamente preso pela Polícia Federal em julho de 2016 e condenado a 43 anos de prisão por decisão de Marcelo Bretas (o mesmo Marcelo Bretas que autorizou a prisão de Eike Batista e que Osvaldo Bertolino descreveu como uma “cópia piorada de Sérgio Moro”. Sob os auspícios de Teori Zavascki passou a cuidar do caso Eletronuclear), juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Com tal pena ele, que já tem 78 anos de idade, só sairá da cela com 121 anos de idade. Ou seja, quando já estiver morto.
Em 29 de março de 2017, o deputado Wadih Damous (PT-RJ) fez um discurso na Câmara dos Deputados em defesa do Vice-Almirante Othon, algo que até agora Jair Bolsonaro (o mesmo Bolsonaro que recentemente passou vexame diante de Sérgio Moro) nem ousou fazer. Segundo o deputado petista, a acusação feita ao Vice-Almirante Othon (que domina o ciclo do urânio e seus mecanismos de enriquecimento) de que ele recebeu benefícios da Andrade Gutierrez é infundada, já que a empreiteira não ganhou a licitação para as obras de Angra 3. Damous também conta nessa defesa que o Vice-Almirante Othon estava desenvolvendo um projeto revolucionário de hidroturbogerador, que permite que se gere energia com uma queda d’água de apenas um 1,20 metro de altura, no que beneficiaria milhares e milhares de famílias com energia barata. Assim sendo, o cientista (que já tentou o suicídio em seu presídio ante as humilhações por ele sofridas) merece a comutação da pena e sua prisão atende a interesses estrangeiros, em especial norte-americanos, que não veem com bons olhos a soberania nacional na questão energética, e que o que tem sido feito com ele foi uma espécie de “punitivismo fascista”.
O curioso disso tudo é que enquanto as grandes potências recorrem de sanções econômicas e até mesmo ações militares para combater as iniciativas atômicas de países como a Coréia do Norte, o Irã e o Iraque no tempo de Saddam Hussein (que teve sua usina nuclear destruída por um ataque militar israelense em 1981), aqui no Brasil isso não é preciso. Basta apenas a ação de um Judiciário, um Ministério Público e uma Polícia Federal que aqui agem como se fossem sua quinta-coluna. Ainda mais levando em consideração que o próprio Marcelo Bretas, segundo dados do artigo sobre o magistrado carioca na Wikipédia em português, passou quatro meses estudando o funcionamento da justiça estadunidense antes de assumir o caso em questão, e que os procuradores e investigadores da Lava Jato de modo geral vivem dizendo que a justiça ianque é um exemplo a ser seguido pelo Brasil (sendo que lá nos EUA o juiz Moro seria no mínimo executado na cadeira elétrica ou receberia prisão perpétua caso divulgasse na mídia uma conversa telefônica entre o atual presidente Donald Trump com Barack Obama ou com George W. Bush como ele fez com as conversas entre Lula e Dilma e de Dona Marisa e seu filho).
Segundo Leonardo Stoppa, por trás da prisão do Vice-Almirante Othon o que há é o seguinte: para baratear os custos da produção de energia elétrica, o Brasil começou a construir a usina de Angra 3, e isso colocou em cheque os interesses dos produtores de energia termelétrica das nações capitalistas centrais (em especial os Estados Unidos). Diz também que Washington, que vinha boicotando o programa nuclear brasileiro desde os anos 1960 ante o temor que o Brasil conseguisse uma eventual soberania na produção de energia elétrica, mais uma vez interferiu na soberania nacional e fez com que o povo brasileiro trabalhe para que pague energia elétrica cara por meio dos juízes ligados a Operação Lava Jato.
Se essa gente da Lava Jato e suas filiais espalhadas pelo Brasil condenaram o Vice-Almirante Othon a 43 anos de cadeia, não seria nenhuma surpresa se eles fizessem algo similar com Bautista Vidal, pai do Proálcool e falecido em 2013, caso ainda o físico baiano estivesse vivo. Fica aqui minha solidariedade ao Vice-Almirante Othon diante das injustiças às quais ele está sendo submetido desde que foi preso. Assim como deixo aqui minhas preocupações quanto ao futuro do Brasil. Eu temo que o Brasil, em termos políticos e institucionais, esteja caminhando para se tornar a Colômbia lusófona. Ou seja, que se torne um país regido por um terror de Estado amparado e respaldado por gente reacionária como Moro, Bretas e Dallagnol (que nada mais são que os capatazes da Casa Grande da vez, tal como foram os milicos entre 1964 a 1985) onde uma feroz repressão a todo e qualquer opositor a ordem vigente será punido, perseguido e preso. E em termos econômicos, a Itália da América Latina (que teve sua economia arrasada pela Operação Mãos Limpas, na medida em que a indústria nacional sofreu grande baque ao mesmo tempo que multinacionais, tão ou mais corruptas quanto seus congêneres nacionais, não foram tocadas).

Foto – José Walter Bautista Vidal (1934 – 2012).
Fontes:
Filme vai mostrar a cama em que D. Marisa dormia! Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=2sA7QyQHvyc
Gravíssimo! A “justiça” brasileira recebe ordens de um comando que não pertence ao nosso país! Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=7jV1gcTBG2A
Leonardo Stoppa explica os verdadeiros motivos por trás da prisão do Almirante Othon. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=KKunaxd8tro
Marcelo Bretas. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Marcelo_Bretas
Othon Luiz Pinheiro da Silva. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=60H1Mnjp6nE&t=69s
Saturnino: Almirante Othon é herói e golpistas serão julgados por traição nacional. Disponível em: http://www.ocafezinho.com/2017/04/03/saturnino-almirante-othon-e-heroi-e-golpistas-serao-julgados-por-traicao-nacional/
Sérgio Moro e Marcelo Bretas, comportando-se como crianças, comandam jogo mortal para o Brasil. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=PW4E-5dp_io

Wadih Damous discursa sobre almirante Othon. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=60H1Mnjp6nE