segunda-feira, 27 de março de 2017

Brasil, a eterna máquina de moer gente.


Foto – O pato da FIESP esmagando o trabalhador brasileiro.
No dia 22 de março de 2017 o Projeto de Lei 4330, que facilita a terceirização e a subcontratação do trabalho, foi aprovado na calada da noite em plena Câmara dos Deputados com 231 fotos favoráveis, 188 contra e oito abstenções. Com a aprovação desse projeto, patrões poderão contratar seus funcionários sem garantias tais como férias, décimo-terceiro, licença-maternidade, abono salarial e outros direitos trabalhistas. É mais uma vez o Brasil mostrando sua eterna vocação de máquina de moer gente que remonta aos primórdios de sua história (e da qual até hoje nunca se livrou), como se fosse um grande engenho colonial movido por mão-de-obra escrava negra. Para a alegria dos representantes da Casa Grande e para o pesadelo da Senzala (onde a maioria esmagadora da população brasileira se encontra, incluindo a classe média que acha que é rica só porque tem dois carros e um apartamento ou casa em bairro nobre), a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), fruto de longos anos de lutas populares, foi rasgada na cara dura diante de todos nós. É a Casa Grande, sob o pretexto de “dinamizar as relações entre empregador e empregador”, exigindo todo o dinheiro investido em políticas sociais nesses anos todos de volta para seus bolsos e jogando sobre a Senzala o ônus da crise econômica que eles mesmos criaram e que vem flagelando o país há tempos. Ou seja, nós é que estamos pagando o pato deles, não eles. Getúlio Vargas, por seu turno, certamente está se virando de seu túmulo no presente momento, com Fernando Henrique Cardoso (que tanto falava que o Brasil deveria enterrar a Era Vargas) e Michel Temer o torturando.
Periodicamente, vemos representantes da classe dominante do nosso país soltar algumas pérolas que revela bem quem eles realmente: senhores de escravos modernos. O presidente da Confederação Brasileira da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, afirmou em entrevista realizada em julho do ano passado que as relações de trabalho deveriam ser flexibilizadas, que a jornada semanal de trabalho deveria ser aumentada de 44 para 80 horas e que o governo deveria tomar “medidas muito duras” na Previdência Social e nas leis trabalhistas para equilibrar as contas públicas (assunto sobre o qual abordamos no artigo “Recordar é viver, parte 2 – Revolução Industrial ontem e hoje”). Em 2014, o ex-presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Benjamin Steinbruch, em entrevista ao Portal UOL se queixou do fato de que no Brasil o trabalhador desfruta de uma hora de almoço (algo por ele visto como desnecessário), citando o exemplo dos Estados Unidos onde supostamente o indivíduo com uma mão opera uma máquina e com outra come um sanduíche (sendo que, para começo de conversa, uma pessoa não consegue operar uma máquina normalmente e comer ao mesmo tempo).
É uma gente que, como Rui Pimenta Costa diz em um de seus vídeos, fala grosso com trabalhador, mas perante banqueiros e multinacionais são umas ovelhinhas bem mansas. Que não tem pudor algum em falar em veículos de mídia barbaridades como as citadas acima, mas que nunca ousam pedir para que se baixe a taxa de juros ou tomar qualquer outra medida para defender a atividade da indústria nacional (e que, portanto não merecem nosso respeito). E que certamente sonha poder submeter seus empregados a condições similares a que os operários ingleses do século XVIII e começo do século XIX eram submetidos. Ante esses exemplos, eu entendo o que o sociólogo e ex-presidente do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) Jessé de Souza quer dizer quando afirma que o Brasil não é filho da colonização portuguesa, e sim da escravidão, pois segundo o sociólogo potiguar essa era a instituição que no período colonial englobava todas as outras e que moldou nossa forma de organização social desde então. Assim sendo, a escravidão deixou suas marcas na mentalidade da população brasileira, e declarações como as elencadas acima mostram que a escravidão, a despeito de ter sido formalmente abolida há 13 décadas, ainda continua viva nos corações e nas mentes dos representantes da classe dominante nacional, que como Darcy Ribeiro disse em entrevista concedida ao Programa Roda Viva em 1988 encara até hoje o povo mais humilde como carvão a ser queimado em uma fundição da forma mais descartável possível.

Foto – Jessé de Souza (foto ilustrativa).
Hoje a turma capitaneada pelos políticos venais do Congresso e do Senado e apoiada por organizações como a FIESP rasgam a CLT, que desde que foi promulgada durante a Era Vargas (1930 – 1945) tem sido a principal proteção dos trabalhadores brasileiros contra a superexploração da força de trabalho que rege o capitalismo dependente brasileiro (na medida em que define de forma pouco flexível os direitos e deveres trabalhistas e exige obediência tanto do lado dos empregados quanto dos empregadores, os quais ficam submetidos a um mecanismo que restringe os abusos em um país de passado colonial escravista até hoje não devidamente superado e que se manteve a despeito de alguns problemas como principal referência de defesa jurídica contra a exploração do trabalho). E depois, quem será a próxima bola da vez? Com certeza essa camarilha de políticos e empresários vai querer rasgar a Lei Áurea. E depois da lei sancionada pela princesa Isabel em 1888, a Lei Saraiva-Cotegipe (também conhecida como a Lei dos Sexagenários) e a Lei Eusébio de Queiroz, sancionadas em 1885 e 1850, respectivamente. Pelo visto, foi para fazer o Brasil voltar ao século XVIII que os coxinhas verde-amarelo inflaram pixulecos com Lula e Dilma vestidos de roupas de presidiário, fizeram tantas manifestações nas ruas pedindo a queda de Dilma, panelaços nos horários de programas eleitorais do Partido dos Trabalhadores e prestaram apoio ao capitão do mato de Maringá. No fim, não passaram de massa de manobra dessa malta de políticos e empresários. Malta essa que, ao contrário daqueles que agitaram bandeiras e panelas pela queda de Dilma e pelo impeachment não terá prejuízo algum com a terceirização, muito menos a casta de juízes e procuradores que do alto de seus salários nababescos e mordomias comandam o crescente processo de judicialização da política tupiniquim.

Foto – Escravidão ontem e hoje.
Os anos, séculos e ciclos econômicos da história brasileira vão e vem, mas há algo que até hoje permanece: o Brasil ainda é uma grande máquina de moer gente dos tempos coloniais. Máquina essa que historicamente se caracterizou ao longo da história por ter uma economia muito mais voltada para atender interesses econômicos internacionais que aos interesses de sua própria gente, e assim transformando seu povo em proletariado externo (parafraseando Darcy Ribeiro) dos países capitalistas centrais. Tudo em nome do processo de acumulação de capital nas mãos dos senhores de escravos (que muito lucram com tal situação) e da super-exploração da força de trabalho que rege o capitalismo dependente brasileiro. O fato é que o engenho açucareiro dos séculos XVI e XVII e sua organização até hoje ainda está vivo entre nós, mas com um verniz moderno (e que mantém sua essência reacionária e escravagista de sempre), e os últimos acontecimentos estão escancarando ao Brasil que classe dominante nós temos (cujos integrantes certamente quando estavam na faculdade em cursos como Administração de Empresas estudavam e aprendiam coisas tais como esfolar e vampirizar o povo mais humilde) e que até hoje seu passado colonial escravista não foi superado completamente. Segundo Jessé de Souza, isso decorre do fato de que até hoje não houve a devida crítica para com a herança escravagista, que teria sido ocultada por intelectuais como Sérgio Buarque de Holanda.

Foto – Aprovação da terceirização: quem paga o pato é você, plebeu.
Fontes:
A burguesia quer descarregar sua crise nas costas do trabalhador. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=QjcRh2G7m6I
Celebração de obra mostra miséria de nosso debate, diz Jessé Souza. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2016/08/1799284-celebracao-de-obra-mostra-miseria-de-nosso-debate-diz-jesse-souza.shtml
Darcy Ribeiro, sobre a elite brasileira. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=SX5O-IAyO38
FIESP rasgando a CLT – 15 minutos de almoço. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=l9WL6gT9vuA
Jessé de Souza: “a origem dos brasileiros é escravocrata, não de corruptos”. Disponível em: http://g1.globo.com/natureza/blog/nova-etica-social/post/jesse-souza-origem-dos-brasileiros-e-escravocrata-nao-de-corruptos.html
Nove motivos para você se preocupar com a nova lei da terceirização. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/politica/nove-motivos-para-voce-se-preocupar-com-a-nova-lei-da-terceirizacao-2769.html
Pela jornada de 80 horas para quem vestiu camisa verde e amarela. Disponível em: http://www.blogdacidadania.com.br/2016/07/pela-jornada-de-80-horas-para-quem-vestiu-camiseta-amarela/
Porque a FIESP quer o impeachment? Será pelo bem dos trabalhadores? InfoDigit-PC TIMOL. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=nIuEAOI7_Sw
Terceirização revela a alma plutocrática e escravista da direita, quem paga o trabalhador. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=UVeIf10QvNU


quinta-feira, 23 de março de 2017

Mit Brennender Sorge, parte 2 - O caso dos frigoríficos e os perigosos rumos do país.


Foto – Eduardo Guimarães (foto ilustrativa).
Semana passada, a Polícia Federal deflagrou a Operação Fraca, mais uma das inúmeras fases da telenovela Operação Lava Jato. Todos os capítulos dessa telenovela são acompanhados por um grande show midiático, e com a Carne Fraca não está sendo exceção. A Operação Carne Fraca foi desencadeada após quase dois anos de investigação. Descobriu-se que as superintendências regionais do Ministério da Pesca e Agricultura dos Estados do Paraná, Minas Gerais e Goiás atuavam para proteger grupos empresariais em detrimento do interesse público e que carne imprópria para o consumo humano e que foram encontradas irregularidades como reembalagem de produtos vencidos, propina e venda de carne vencida para consumo humano.
Por um lado, somos favoráveis a que sejam punidos os responsáveis por tais falcatruas e que medidas sejam tomadas, assim como de que tais frigoríficos sejam estatizados. Mas, por outro lado, repudiamos a pirotecnia barata e o show midiático da Polícia Federal. É algo que não deveria ter ficado sob segredo de justiça. Tal escândalo veio a calhar para o governo Temer (vulgo Conde Drácula), na medida em que está desviando a atenção da população quanto a Reforma Trabalhista e Reforma da Previdência que ele quer enfiar goela abaixo na população e assim poder aprovar seu pacote de maldades na surdina, sem que ninguém dê a devida atenção. Reformas essas que nós repudiamos, pois invariavelmente a cinta, tal como acontece em toda política de austeridade do mundo capitalista que se preze, será apertada apenas na barriga da plebe (que em sua maioria ganha aposentadorias que equivalem a não mais que três ou quatro salários mínimos por mês. Ou seja, um valor abaixo do salário mínimo necessário estipulado pelo DIEESE para o sustento de uma família) ao mesmo tempo em que as aposentadorias de juízes, militares, desembargadores e toda uma malta de funcionários privilegiados continuarão intocadas com seus rendimentos e mordomias altíssimas.
Por trás disso tudo o que está havendo é a destruição da economia brasileira e sua infraestrutura. Primeiro sob a mira de Moro e seus asseclas estiveram a indústria naval, a Petrobrás e a construção civil. E agora a bola da vez são os frigoríficos. Nessa brincadeira toda, muito desemprego foi gerado (segundo notícia publicada no site do jornal Valor Econômico, as empresas envolvidas na Lava Jato demitiram 300 mil desde 2014, quando a operação policial teve início). Algo que para Moro, Dallagnol e companhia limitada, do alto de seus super-salários e suas vidas nababescas regadas a altas mordomias, não é problema algum (e que certamente quando se aposentarem vão ganhar polpudas aposentadorias, muito acima de que nós, pobres mortais, iremos receber). Agora, os frigoríficos e a produção de carne estão sob a mira da Lava Jato. E depois dos frigoríficos, quem serão os próximos? Pois podem ter certeza de que Moro e seus asseclas não vão parar por aí. Quem sabe depois de um tempo vão bater as portas em lotéricas, em taxistas, supermercados, pet-shops, hospitais, postos de gasolina e outros, certamente debaixo de alegações tais como supostas irregularidades ou recebimento de propina por parte de alguma figura que eles investigam. Até que chegará a hora em que não vai restar mais nada para eles demolirem. E o serviço sujo estará feito. O resultado prático disso é que isso está abrindo o caminho para que multinacionais dos países capitalistas centrais (os quais segundo Leonardo Stoppa estão destruindo a produção de carne brasileira para poderem comprar a preço baixo a carne brasileira in natura e depois revendê-la ao resto do mundo como se fosse deles), tão ou mais corruptas quanto, venham ocupar o lugar que até então essas empresas ocupavam e uma transnacionalização ainda maior da economia brasileira (que já é muito grande, diga-se de passagem). E o mais trágico de tudo é que isso está sendo feito sem que seja preciso jogar uma única bomba sobre o território brasileiro tal qual foi feito com o Iraque de Saddam Hussein e a Líbia de Muammar al-Kadaffi. Para tal apenas foi necessário a ação de agentes de quinta-coluna infiltrados em órgãos como o Ministério Público, a Polícia Federal e o Judiciário. Como bem disse Leonardo Stoppa em um de seus vídeos, os brasileiros dentro em breve vão se transformar em turistas dentro de seu próprio país. E como disse Rui Pimenta Costa, o que se está fazendo aqui no Brasil com essa brincadeira toda é permitir que apenas as empresas transnacionais dos países centrais possam aqui pagar propina, comprar deputados e senadores e outras falcatruas do tipo.
Em termos econômicos, o Brasil está se transformando na Itália da América Latina. Assim como tem acontecido com o Brasil, na Itália, por causa da Operação Mãos Limpas (que não por acaso é a grande inspiradora de Moro e companhia limitada, haja vista que o próprio escreveu em 2004 um artigo de sete páginas sobre a operação policial italiana da década retrasada) a economia do país, que também passava por um momento de otimismo antes do início da operação, foi severamente abalada pelas investigações (que levaram a 2993 mandatos de prisão e 6059 pessoas debaixo de investigação), já que uma devassa em empresas nacionais foi feita ao mesmo tempo em que empresas multinacionais, tão ou mais corruptas quanto, ficaram intocadas. Hoje vemos a Itália reduzida a um mero país periférico dentro da União Europeia que periodicamente é flagelado por crises econômicas (crises essas que em realidade começam nos países centrais do bloco como a Alemanha, a Suécia e a França e que cujo ônus é transferido para os países periféricos pagar a conta) e submetidos às políticas de austeridade (o mesmo tipo de política que o governo Temer está impondo ao Brasil por 1/5 de século) pela Alemanha. Isso ao ponto de hoje em dia a nação peninsular, ao lado de Espanha, Portugal, Irlanda e Grécia fazer parte daquilo que a imprensa de língua inglesa chama de PIIGS para se referir aos seus péssimos desempenhos econômicos. Politicamente, a Mãos Limpas (em italiano Mani Puliti[1]) abriu o caminho para Silvio Berlusconi, então presidente do A.C. Milan, se tornar o poderoso chefão da política italiana, já que enfraqueceu as principais forças políticas do país que lhe poderiam fazer frente. Segundo matéria do Esquerda Diário, os procuradores da Mãos Limpas também tinham suas conexões com a Justiça norte-americana na época.
E não é só isso. Segundo notícia publicada no blog “Limpinho e Cheiroso”, a empresária Renata Loureiro Borges Monteiro, que no começo do mês postou em sua conta no Facebook a foto do juiz Moro e a mensagem “É de cabeça erguida que iremos limpar o país”, foi intimada no dia 14 desse mês de forma coercitiva e levada por agentes da Polícia Federal para prestar depoimento sobre um milionário esquema de propina no Rio de Janeiro em decorrência da Operação Tolypeutes (braço da Lava Jato no Rio de Janeiro, que investiga crimes de corrupção e pagamentos de propina em contratos da linha 4 do metrô). Três dias depois, o médico veterinário e funcionário da Seara Flávio Evers, também fã do juiz de Maringá e que fazia ativismo de Extrema Direita em sua conta no Facebook (onde o trabalho de Moro era exaltado, assim como pedidos para que o Partido dos Trabalhadores saísse do poder), foi preso e teve bens bloqueados como resultado da Operação Carne Fraca. Mas o que mais me impressiona nessa história não é a hipocrisia e o farisaísmo dessa gente, e sim seu analfabetismo político, a ponto de não se darem conta do perigo que correm ao ficar jogando confete para Moro, Dallagnol e companhia limitada. Mal sabem do perigo que correm ao dar muito poder a esses juízes e procuradores. Para eles, enquanto a cobra pica apenas Lula, Dilma e a turma do PT e de outros partidos de esquerda, tudo está ótimo. Mas e agora que a cobra está os picando e neles destilando todo seu veneno, o que será que estão achando? E quem serão os próximos a serem picados nessa brincadeira toda?
E não é só isso. Como dono desse blog, sinto-me muito preocupado com o que aconteceu recentemente com o blogueiro Eduardo Guimarães. O dono do Blog da Cidadania (a quem prestamos nossa solidariedade), por acusar vazamentos seletivos da parte da Polícia Federal, foi detido no dia 21 de março em São Paulo em mais uma ação da Operação Lava Jato sob ordens de Sérgio Moro (o qual também mandou apreender seus equipamentos, incluindo celulares, notebooks e pendrive e depois lançou um mea culpa dizendo que errou com o blogueiro. Talvez esteja recuando momentaneamente para depois lhe aplicar uma punhalada nas costas). Na mesma manhã foi liberado ao afirmar não ter entendido a condução coercitiva. Segundo o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), a ação da PF contra o blogueiro foi algo extremamente grave e uma tentativa de constranger àqueles que questionam os atos do Judiciário e do juizeco de Maringá (o qual afirmou que Eduardo Guimarães não é jornalista). Suspeita-se que a ação contra o blogueiro tenha sido motivado pelo fato de no ano passado ter vazado informações a respeito da condução coercitiva contra Lula que teve lugar em 4 de março do ano passado.
Isso mostra que se essa gente da Lava Jato faz o que faz para cima do Lula, do Marcelo Odebrecht, do Eike Batista e do Almirante Othon, o que dirá de nós, pobres mortais. É por isso que o Lula NÃO PODE e NÃO DEVE ser preso por essa gente (que já exerce um poder paralelo na política nacional). Pois para que o projeto de poder que essa gente tem (onde a política brasileira será cada vez mais judicializada tal como acontece na Colômbia e com os juízes exercendo o mesmo papel de capatazes da classe dominante que os militares exerceram entre 1964 a 1985) se consolide, a prisão de Lula, na condição de líder popular e maior obstáculo para a concretização de tal objetivo, é uma condição sine qua non (ou seja, obrigatória). Com uma eventual prisão do ex-presidente, essa gente (que nada mais são que um monstro que os governos Lula e Dilma criaram nesses anos todos ao fortalecer o MPF, PF e outras instituições no combate à corrupção sem levar em consideração a presença do elemento reacionário nessas instituições) terá o caminho livre para pintar e bordar em cima de nós, pobres mortais, podendo fazer as arbitrariedades que quiserem sob a desculpa de “manutenção da ordem pública” e afins. Deixa-me abismado ver uma figura como a Luciana Genro apoiar a Operação Lava Jato. Eu quero ver o que ela vai achar na hora em que a Lava Jato resolver picá-la com todo o seu veneno. Uma coisa é a certa: a surpresa não será nenhum um pouco agradável para ela. Ou será que essa gente da Lava Jato, reacionária até a medula, tem piedade alguma por gente de esquerda? Para esses juízes, procuradores, promotores e agentes da Polícia Federal que participam da Lava Jato gente de esquerda como ela, Lula, Dilma, José Dirceu, José Genoíno e os finados Leonel Brizola, Miguel Arraes e Luís Carlos Prestes são pessoas cujo lugar é atrás das grades. A julgar por suas ações, eles demonstram carregar a mesma mentalidade dos tempos da Primeira República Brasileira (1889 – 1930) onde a questão social era tratada como “caso de polícia”. Ou será que o que eles fazem hoje em dia difere em alguma coisa do que os órgãos de repressão da época fizeram em episódios como a Revolta da Vacina e a Revolta da Chibata? Esses juízes não são mais que capitães do mato dos tempos modernos a serviço da Casa Grande.
Espero eu que um dia a Operação Lava Jato, seus operadores e sua equipe sejam submetidos ao escrutínio de uma Comissão da Verdade. E que seja revelada ao país a serviço de quem o capitão do mato de Maringá e sua equipe estavam, suas conexões internacionais, seus abusos, o que eventualmente ganharam com tais ações e outras coisas mais. Pois se nada for feito nessa gente essa gente reacionária até a medula continuará encastelada em órgãos como o Judiciário, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal ad eternum e sempre serão um problema para qualquer governante de esquerda que venha a ocupar a Presidência da República. Eu, como cidadão brasileiro, já estou farto dessa telenovela e suas fases intermináveis (que deveria mudar seu nome para “Operação Caça ao Lula” de uma vez).

Foto – Moro ao lado de políticos tucanos.
Fontes:
Empresas envolvidas na Lava Jato demitem 300 mil em três anos. Disponível em: http://www.valor.com.br/brasil/4906972/empresas-envolvidas-na-lava-jato-demitem-300-mil-em-tres-anos
Fãs de Sérgio Moro são indiciados e presos. Disponível em: https://limpinhoecheiroso.com/2017/03/20/fas-de-sergio-moro-sao-indiciados-e-presos/
Lava Jato, política criminal e sistema penal. Disponível em: https://lucianagenro.com.br/2017/03/lava-jato-politica-criminal-e-sistema-penal/
O ataque golpista contra as indústrias nacionais. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Z3PYlDt0sMw
O Plano “Mãos Limpas” de Sérgio Moro e os interesses dos EUA. Disponível em: http://esquerdadiario.com.br/spip.php?page=gacetilla-articulo&id_article=11749
Os procuradores preparando o ataque aos blogs. Disponível em: http://jornalggn.com.br/noticia/os-procuradores-preparando-o-ataque-aos-blogs
Mecanismos de especulação. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=KkYQJberwY0&t=263s
PF detém blogueiro Eduardo Guimarães. Disponível em: http://www.tijolaco.com.br/blog/pf-detem-blogueiro-eduardo-guimaraes/
Por acusar vazamentos seletivos da PF, blogueiro Eduardo Guimarães é detido em SP. Disponível em: http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2017/03/por-acusar-vazamentos-seletivos-da-pf-blogueiro-eduardo-guimaraes-e-detido-em-sp
Salário mínimo nominal e necessário. Disponível em: http://www.dieese.org.br/analisecestabasica/salarioMinimo.html
Sérgio Moro volta atrás e admite erro com blogueiro Eduardo Guimarães. Disponível em: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/03/sergio-moro-volta-atras-e-admite-erro-com-blogueiro-eduardo-guimaraes.html


NOTA:

[1] O idioma italiano utiliza a letra i para o plural ao invés do s tal como em idiomas como o português, o espanhol, o francês e o inglês.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

O levantamento da direita raivosa e a miopia da esquerda "paz e amor" brasileira.


Foto – O eclipse da inocência (imagem ilustrativa).
No dia 26 de abril de 2014 publiquei o seguinte texto em uma das minhas notas do meu perfil do Facebook, intitulado “O levantamento da direita raivosa – Golpe a vista no Brasil?”:
Recentemente, vimos a Ucrânia e a Venezuela serem assoladas por manifestações contra seus respectivos presidentes, os quais foram ambos democraticamente eleitos por seus respectivos povos. O que se vê em ambos os países não são revoluções, e sim golpes de Estado orquestrados e financiados por poderosas ONGs internacionais. E uma vez consumado o golpe de Estado, os grupos que assumem o poder pouco ou nada fazem para melhorar a situação do país, não raro a piorando. Nos últimos anos a direita brasileira tem se organizado e a se fortalecido cada vez mais, a ponto de no aniversário dos 50 anos do golpe de 1964 terem sido feitas em algumas cidades do Brasil as famigeradas Marchas da Família com Deus pela Liberdade. Muito embora tais manifestações tenham reunido pouca gente, ainda assim é um presságio perigoso. Estaria o Brasil caminhando para um novo golpe civil-militar como o de 1964, ou então uma Revolução Colorida, similar as que ocorreram na Sérvia em 2000, na Geórgia em 2003, na Ucrânia em 2004 e no Quirguistão em 2005?
Como todos nós sabemos 2014 é um ano eleitoral, e mais uma vez o PT vai disputar o pleito contra os partidos da tradicional direita do nosso país, como tem feito desde 1989. Há anos afastada da chefia da nação, a direita golpista de tudo fará para voltar ao poder, nem que para isso recorra a expedientes como difamações, calúnias e histórias falsas. Basta ver que em 2010 a grande imprensa nacional tratou de explorar histórias como a de uma suposta ligação do PT com as FARC, e em 2012 partidarizou o julgamento do mensalão a ponto de colocar os réus do caso como se fossem culpados antes mesmo de sair o resultado final do inquérito. A respeito disso, José Dirceu, em uma entrevista ao portal UOL no dia 9 de abril de 2013, afirmar que o julgamento do mensalão teve um caráter político e de exceção. Em outras palavras, linchamento. Mais recentemente, usou-se do episódio da vinda dos médicos cubanos para trabalhar em regiões do Brasil e agora está usando os recentes problemas na Petrobrás com o mesmo intuito, entre outros.
Mas por que será que isso está acontecendo? O que está permitindo toda essa situação pré-golpe? A grande verdade é que no Brasil a esquerda, mesmo tendo o poder político em suas mãos, ainda assim não tem o poder midiático que a direita, através de grandes veículos de comunicação como a revista Veja, possui. Muito menos possui em mãos o poder econômico do país. Assim sendo, um partido como o PT, quando assume o poder no nosso país, acaba ficando de mãos atadas diante disso tudo, e para poder governar precisa fazer uma série de conchavos com a direita. E isso implica em compromissos com tais grupos. Fora que o Partido dos Trabalhadores, desde que assumiu a chefia da nação em 2003, tem feito quase nada contra a reação direitista. De forma similar, na Ucrânia o ex-presidente Viktor Yanukovych prendeu em 2011 uma de suas principais opositoras, Yuliya Tymoshenko (recentemente libertada do cárcere), mas não fez o mesmo com gente como o líder do Setor de Direita, Dmitriï Yarosh, e nem com Oleh Tyagnybok, o líder do partido Svoboda, ambos neonazistas e russófobos convictos. E estes neonazistas, sem a devida punição, acabaram sendo decisivos para a derrubada de Yanukovych na sequência dos protestos da Euromaïdan. Talvez sem eles na linha de frente das manifestações Yanukovych estaria no poder até agora e as rebeliões não teriam chegado aonde chegaram.
Ao passo que na vizinha Belarus os golpes que se tentaram fazer em 2006 e em 2010 contra o presidente Aleksandr Lukashenko (conhecidos como Revolução Branca), fracassaram graças a enérgica ação da polícia e do KGB bielorrusso. Não obstante, em 2007, na cidade de Nesvizh[1] foram presos cinco jovens que foram até lá comemorar o centésimo aniversário de Mikhail[2] Vitushka, que nada mais foi que o equivalente bielorrusso de Stepan Bandera. Assim como o líder da OUN-UPA[3], Vitushka também colaborou ativamente com os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, a ponto de ter liderado uma tropa anti-guerrilha a serviço dos alemães, a Chorny Kot/Чорны кот[4] (Gato Negro). Aliás, vale ressaltar que durante a fracassada Revolução Branca, assim como em outras manifestações anti-governo, seus líderes usavam a mesma bandeira branca com uma faixa vermelha no meio que os colaboradores bielorrussos dos nazistas usavam. A Rússia, por vez, proibiu em 2012 a propaganda e o uso de simbologias nazistas, e a Venezuela durante as eras Chávez e Maduro também fizeram medidas contra a oposição reacionária.
E o PT, o que tem feito para conter vozes reacionárias tais como Jair Bolsonaro (notório por sua simpatia pelo Regime Civil-Militar instaurado em 1964 e condenações a política externa do governo brasileiro, entre outras), o pessoal da Revista Veja, Raquel Sheherazade, Lobão, entre outros? Nada, absolutamente nada. E também não fez nada para impedir a realização das marchas da família desse ano em homenagem aos 50 anos do golpe Civil-Militar de 1964 e que pediam intervenção militar. E o que será feito com o professor Eduardo Lobo Botelho Gualazzi, que em uma aula no dia 31 de março de 2014 na Faculdade de Direito do Largo do São Francisco exaltou o golpe de 1964, alegando que teria salvado o Brasil de um suposto golpe comunista? Isso tudo mostra a falta que faz para um país a existência de um órgão de segurança interna eficaz e combativo, a exemplo da FSB na Rússia e do KGB bielorrusso.
Qual será o prognóstico disso tudo? E o que será que a direita golpista tentará fazer para retirar o PT do poder? Ainda estamos em maio e faltam cinco meses para a realização das eleições. Estamos vendo a grande mídia nacional promovendo uma campanha de ódio e desgaste da imagem do governo petista perante a opinião pública nacional e assim abrir o caminho para que volte ao poder o tucanato ou algum grupo político mais afinado com seus interesses. Em outras palavras, aqui no Brasil a direita reacionária, diferente do que acontece na Ucrânia e na Venezuela, ou mesmo na Líbia e na Síria, está tentando promover um golpe branco, de forma a derrubar a presidente dando uma aparência de normalidade institucional. Foi assim o golpe perpetrado contra Manuel Zelaya em Honduras em 2009, assim como o contra Fernando Lugo no Paraguai em 2012. E caso a direita perca para o PT nas urnas pela quarta vez consecutiva, certamente aparecerão acusações de que as eleições foram fraudadas, tal como fez Viktor Yushchenko na Ucrânia em 2004, os opositores de Aleksandr Lukashenko em Belarus em 2006 e em 2010 e os opositores de Mahmoud Ahmadinejad no Irã em 2009. Assim mais uma vez a história se repete.
Muitos dos prognósticos apontados nesse meu texto de 2014 infelizmente acabaram se tornando realidade. No fim, Dilma teve o mesmo destino que Yanukovych teve dois anos antes. E não só eu que fiz previsões a respeito de um cenário golpista no Brasil antes mesmo de 2016. Rui Pimenta Costa fez previsão similar em 2013. Na previsão que o político do PCO (Partido da Causa Operária) fez na ocasião, ele diagnosticou o seguinte: que o PT não controlava de fato nenhuma instituição (entre elas a Polícia Federal, as Forças Armadas e a ABIN), que a esquerda não vinha dando a devida seriedade quanto às ameaças golpistas da direita e que o PT e que o combate à ameaça golpista da atualidade perpassa pela punição dos torturadores da época do regime civil-militar e assim fazendo uma limpeza do entulho reacionário da época (se bem que não basta apenas punir e prender os torturadores da época. Também se faz necessário fazer o mesmo com os apoiadores civis dos torturadores). E ainda em 2012 Samuel Pinheiro Guimarães falou em entrevista que aqui no Brasil estava em curso um golpe de caráter jurídico seguindo a tendência golpista vista no Paraguai naquele mesmo ano e o crescente fortalecimento do poder judiciário. Segundo as palavras do diplomata brasileiro, “eles estão se arrogando, com o apoio fortíssimo da mídia, essa função de órgão supremo do sistema político brasileiro”, que isso é extremamente perigoso e que havia uma campanha de exaltação do judiciário e execração dos outros órgãos legislativos. Algo que a própria Operação Lava Jato mostrou ao país desde 2014.
O fato é que infelizmente a esquerda brasileira “paz e amor” está tomada por uma cegueira a ponto de achar que é com flores, corações em forma de origami que se enfrenta gente como Michel Temer, Sérgio Moro, Deltan Dallagnol, Paulo Skaf, Jair Bolsonaro, Sérgio Etchegoyen, Kim Kataguiri e toda sua patota do MBL e outros dessa laia. Ingenuidade essa que pode ser vista na mensagem postada pela senadora petista Gleisi Hoffmann no dia sete de fevereiro desse ano, contendo uma frase do finado cantor Renato Russo e dizendo que o amor prevalecerá. Esquerda essa acha que vive na Escandinávia e não no Brasil, um país atravessado desde os primórdios de sua história por uma grande desigualdade social entre os cima e os de baixo e um dos mais atrozes conflitos sociais do planeta. Conflito esse que a política social petista nesses anos todos anestesiou por meio de seus programas sociais e que voltou com força total a partir dos eventos de junho de 2013.
Aí eu pergunto para esses desmiolados: Nicolás Maduro na Venezuela combate os distúrbios promovidos pelos elementos reacionários de lá pedindo paz e amor a Capriles e companhia limitada? Bashar al-Assad na Síria combate a fina flor do terror wahhabita pedindo paz e amor a Estado Islâmico, Al Qaeda, Al Nusra e outros grupos que tocam o terror em seu país desde 2011? Saddam Hussein venceu os levantes separatistas que flagelaram o Iraque logo após o término da Primeira Guerra do Golfo pedindo paz e amor aos grupos reacionários al-Dawah e al-Badr no sul e aos separatistas curdos no norte? Hugo Chávez venceu o golpe perpetrado contra ele em 2002 e retomou o cargo de Presidente da Venezuela pedindo paz e amor aos golpistas? Os comunistas enfrentaram os integralistas na Batalha da Praça da Sé em 1934 pedindo paz e amor aos partidários de Plínio Salgado? Getúlio Vargas venceu as intentonas de 1935 e 1938 pedindo paz e amor a Luís Carlos Prestes e Plínio Salgado? A União Soviética venceu os brancos na Guerra Civil de 1918 a 1922 pedindo paz e amor para Kolchak, Denikin, Vrangel e as potências vencedoras da guerra que vieram em auxílio dos brancos e depois a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial pedindo paz e amor a Hitler e seus aliados? Mao Tsé Tung expulsou os japoneses da China pedindo paz e amor a Hirohito? Kim il-Sung estabeleceu a República Popular Democrática da Coréia pedindo paz e amor as autoridades coloniais japonesas lá estabelecidas? Fidel Castro e os revolucionários cubanos rechaçaram o ataque à Baía dos Porcos em 1961 pedindo paz e amor aos invasores reacionários? A resposta para essas perguntas todas é um rotundo e contundente não. Essa esquerda deve abandonar esse republicanismo e esse humanismo tacanho e medíocre e acordar para a realidade, do contrário continuará fazendo o papel de saco de pancada da direita. Há momentos em que o uso da força contra inimigos é inevitável e certa quantidade de sangue terá de ser vertida, e a esquerda brasileira parece que não se dá conta disso. Prefere viver em seu mundo colorido de suas fantasias de paz e amor. Pelo visto essa gente nada aprendeu com o martírio que a Dona Marisa sofreu diante do terrorismo psicológico-jurídico-midiático perpetrado pelo conluio mídia de massa-Operação Lava Jato.
Aliás, falando em Lava Jato e pegando um gancho na previsão de Rui Pimenta Costa feita em 2013, eu defendo que não só o período de 1964 a 1985 como também a privataria tucana, a carta aos brasileiros e a própria Operação Lava Jato também devem futuramente ser submetidas ao escrutínio de uma Comissão da Verdade. Que sejam abertos seus arquivos e que mostrem ao país a serviço de quem Moro, Dallagnol e companhia limitada agem. Que venha a tona ao país toda a cooperação que Moro e sua equipe tiveram com autoridades norte-americanas, entre tantas outras coisas. Até porque o que está em jogo aqui no Brasil, para além de um processo golpista, é um crescente processo de judicialização da política, onde os juízes exercem o mesmo papel que os militares exerceram no período de 1964 a 1985: o de capatazes da classe dominante contra as lutas populares, os quais utilizam os dispositivos legais do Estado para tal e assim dar um verniz de legalidade a tal estado de coisas. Algo que irá se consolidar caso Lula eventualmente seja preso.

Foto – A frase de Renato Russo mencionada na postagem da página do Facebook da senadora Gleisi Hoffmann. Uma parte significativa da esquerda  nacional pelo visto acha que é com uma fraseologia barata dessas que se combate os elementos reacionários da sociedade brasileira.
Fontes:
Antecipação do golpe em 2013 pelo PCO e a cegueira da esquerda. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=vjd7gXmxfLA
Os aiatolás do Irã ajudaram a minar a soberania do Iraque. Disponível em: http://blogak-47.blogspot.com.br/2012/06/os-aiatolas-do-ira-ajudaram-minar.html
Samuel Pinheiro Guimarães (2012) – Há um golpe em curso: o golpe jurídico. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=NY9TLDjz3sc

NOTAS:


[1] Leia-se Niesvij, pois no bielorrusso, assim como no russo e no ucraniano, a partícula zh (cirílico ж) tem valor de j.
[2] Leia-se Mirrail, pois no bielorrusso, assim como no russo, no ucraniano, no árabe, no persa e no mongol, a partícula kh (cirílico х) tem valor de r aspirado.
[3] Em ucraniano Organizatsiya Ukraïns’kikh Natsionalistiv-Ukraïns’ka Povstans’ka Armiya (Organização dos Nacionalistas Ucranianos-Exército de Libertação da Ucrânia/cirílico ucraniano Органiзацiя Украïнських Нацiоналiстiв-Українська Повстанська армія).
[4] Leia-se Tchorny Kot, pois no bielorrusso, assim como no russo, no ucraniano, no espanhol, no inglês, no mandarim, no mongol e outros idiomas, a partícula ch tem valor de tch.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Os próximos anos da União Europeia.

Por Leonid Savin (Traduzido por Lucas Novaes)
Depois do Brexit e do avanço significativo da influência dos eurocéticos e dos populistas na Europa, a incerteza no rumo da União Europeia parece não ser mais questionada. Entretanto, o futuro permanece aberto e, portanto, há mais de um cenário possível.
O Conselho de Inteligência Nacional dos Estados Unidos propõe três opções para o desenvolvimento dessa situação: duas negativas e uma positiva.
Um Cenário de Colapso tem baixa possibilidade de ocorrer, mas implicaria altos riscos internacionais. Nesse cenário, empresas domésticas e as famílias respondem a indicações de uma iminente mudança no regime monetário com corrida para retirar seus euros depositados em empresas nacionais. Seguindo-se do contágio para outros estados-membros e dano econômico para os países principais, o euro seria a primeira vítima a cair. A União Europeia como instituição seria provável vítima colateral, porque o mercado único e a liberdade de movimento por toda a Europa ficariam ameaçados pela reinstituição de controles sobre capitais e fronteiras. Nesse cenário, deslocamento econômico severo e fratura política levariam a uma ruptura na sociedade civil. Se o colapso for repentino e inesperado, muito provavelmente disparará uma recessão global ou outra Grande Depressão.
Num Cenário de Declínio Lento, a Europa consegue escapar dos aspectos piores da atual crise, mas não consegue fazer as reformas estruturais necessárias. Como os estados-membros já vêm de vários anos de baixo crescimento, mantêm-se unidos para evitar maiores rupturas políticas e econômicas. As instituições da UE são mantidas, mas o descontentamento das populações mantém-se alto. O euro sobrevive, mas não a ponto de rivalizar com o dólar ou o renminbi. Dados os muitos anos de baixo crescimento econômico, a presenta internacional da Europa é reduzida; os países renacionalizam as respectivas políticas exteriores.
Nosso terceiro cenário, de Renascimento, baseia-se no padrão bem conhecido de crise e renovação, que a Europa já conheceu muitas vezes no passado. Tendo olhado diretamente na cara do abismo, muitos líderes concordam com promover um "salto federalista". A opinião pública apoia esse passo, dados os riscos iminentes que advêm de se manter o status quo. Uma Europa mais federal pode começar com apenas um grupo central de países da zona do euro que escolham, optem ou adotem política de 'esperar-para-ver'. Ao longo do tempo, apesar de haver uma Europa de várias pistas de velocidade, o mercado único ainda seria completado; e definir-se-ia uma política de segurança mais unida, com elementos reforçados da democracia europeia. Influência europeia aumentaria, reforçando o papel da Europa e das instituições multilaterais no palco mundial.
Ilaria Maselli, economista sênior para a Europa na The Conference Board (associação independente de pesquisa de negócios), propôs quatro cenários possíveis para a União Europeia:
Estagnação Continuada. Uma combinação de reforma inadequada e baixo crescimento global prolonga o clima presente. Esse cenário traz vantagens principalmente para empresas focadas na demanda doméstica, e muito do crescimento lento advém do gasto dos europeus em consumo. O investimento do setor privado hesita ante a alta incerteza política, enquanto o investimento público fica paralisado pelo medo de se separar com firmeza e para sempre, da 'austeridade' [de fato, é arrocho].
Um reset Uma combinação de reforma e crescimento global mais alto resulta num 'reset'. Sob o guarda-chuva da UE, os governos renovam seu compromisso com investimento futuro e removem barreiras comerciais. Renovam também a atenção à desigualdade de renda e de riqueza, dentro de cada país e entre os países. Ventos de popa de crescimento global ajudam a financiar o esforço, bem como a decisão de pôr fim ao quadro da 'austeridade' [de fato, é arrocho] e aumentar os gastos do estado mediante um orçamento único menos rígido. Porque muitas diferentes fontes e fatores contribuem para o crescimento, businesses de todos os setores beneficiam-se nesse ambiente. A vida é bela, mesmo que não seja igualmente bela em todos os pontos. Esse cenário exige também que um subconjunto dos 27 países mova-se na direção de uma união política.
Na corda bamba. Uma combinação de reforma institucional no nível europeu com fraco crescimento global leva a alta incerteza. A decisão de reformar vem em resposta a pressões por todo o continente, incluindo o Brexit. Resultado disso, os estados-membros e a União Europeia têm de andar numa corda bamba entre gerenciar aspirações e criar crescimento suficiente. Reformas demoram a gerar os resultados que se esperam, e no meio tempo, o crescimento da produtividade pode tornar-se mais lento. Por causa da fraca demanda externa, os gastos do governo desempenham papel substancial para estimular a economia. Assim sendo, esse cenário mais favorece os negócios do que garante o provimento de serviços públicos
Só Conversa (promessas verbais, mas nenhuma ação). Publicamente, os países não se cansam de 'promover' a integração europeia, mas na realidade encontram as respectivas fontes de financiamento fora do bloco. Nesse ambiente, negócios bem-sucedidos incluem principalmente os exportadores localizados na Europa Continental – seus empregados, fornecedores e também os acionistas. Numa combinação com reforma inadequada, a existência do Mercado Único só beneficia alguns países, enquanto a renda em outros torna-se estagnada; assim só crescem as fraturas que dividem a Europa.
Se a situação é considerada objetivamente, nesse caso os dois cenários positivos (um Renascimento, na versão dos EUA; e um Reset(na versão da UE) mostram-se praticamente irrealizáveis. As instituições políticas da UE estão tomadas por controvérsias. A burocracia não consegue dar conta dos desafios correntes, e o impacto das forças externas (por exemplo, a situação na Romênia) pode ainda desempenhar papel crítico. O evidente esfriamento das relações entre EUA e Alemanha, mesmo no plano retórico, além do colapso da Parceria Trans-Pacífico exacerbam a atual situação.
Quais são as expectativas russas e qual o prognóstico para o provável futuro da Europa? Ironicamente, a Rússia está interessada numa Europa unida e estável. Mas só há uma condição: tem de ser ator independente, mesmo sendo coletivo. Até agora Bruxelas tem sido uma das peças com que Washington joga no tabuleiro de xadrez da Eurásia. As sanções contra a Rússia, o Projeto da Parceria Ocidental, a Operação "Decisão Atlântica" [Atlantic Resolve] da OTAN – nenhum desses arranjos ou combinações são decisões autenticamente europeias.
Mesmo que se considere uma possível melhora nas relações Rússia-EUA, é indispensável alguma espécie de revisão da integração euroatlântica, para que possa haver relação de confiança entre Moscou e Bruxelas. Idealmente, a integração euroatlântica tem de ser substituída pela integração eurasiana.
Mas a Rússia deve estar preparada para o cenário possível do colapso da UE.
Nesse caso, relações bilaterais com países chaves na região têm de ser intensificadas, embora isso não signifique que as preferências se façam à custa de outras partes. Antes da imposição das sanções, o principal núcleo das relações de exportação-importação entre Rússia e a UE estava na Alemanha, Países Baixos e Itália. As novas condições dos tempos (segundo Fernando Braudel) podem alterar o equilíbrio do poder e as preferências.
Além disso, a base demográfica da UE mudou. Os problemas dos refugiados e migrantes dificilmente serão resolvidos no futuro próximo. Enquanto dentro da UE há algumas ilhas liberais, africanos e asiáticos continuarão a entrar na península europeia e a ali criar seus ghettos e enclaves étnicos. Isso, por sua vez, afetará as políticas sociais e econômicas em vários países. Como a experiência já mostrou, a assimilação baseada no multiculturalismo não é viável. Mas a liderança da UE não parece pronta a tomar quaisquer medidas radicais, por causa da natureza das culturas políticas da UE. Basta isso para levar ao poder na UE novas forças da contra as elites? No mínimo, essa parece ser a tendência. Esse cenário pode, talvez, ser alcançado mediante procedimentos democráticos.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

A verdadeira face do juiz Sérgio Moro e o perigo da judicialização da política no Brasil.


Foto – Juiz Sérgio Moro, o falso herói (imagem ilustrativa).
Na última quinta-feira, dia 2 de fevereiro de 2017, a ex-primeira dama do Brasil, Dona Marisa Letícia, veio a falecer aos 66 anos de idade, após ter sofrido um AVC na semana anterior seguido de alguns dias de internamento no Hospital Sírio-Libanês. Presto aqui minhas condolências a Lula e toda sua família e que a Dona Marisa agora descanse em paz nas mãos do Criador.
Algumas pessoas em redes sociais colocaram na conta do juiz Moro a morte da esposa de Lula. Entretanto, há de se ressaltar que as ações do juizeco provinciano (o qual no ano passado divulgou ilegalmente na mídia uma conversa da ex-primeira dama com seu filho onde ela demonstra indignação com os paneleiros. Tal áudio foi depois utilizado pela imprensa golpista de forma a constrangê-la e humilhá-la) em conluio com os veículos da grande imprensa nacional não criaram do nada magicamente os problemas de saúde que a Dona Marisa tinha. Ela já tinha tais problemas de saúde há 10 anos. Em outras palavras, a bomba já estava lá há algum tempo. Entretanto, para que uma bomba exploda, ela precisa ser acionada. E quem a acionou foi justamente as ações da República de Curitiba (obviamente em conluio com a grande imprensa) ao exercer tamanha pressão psicológica e emocional sobre ela e sua família. Também vi algumas pessoas em redes sociais ridicularizando as afirmações de que as investigações da República de Curitiba teriam levado a Dona Marisa para a cova. A essas pessoas, só lhes digo o seguinte: ponham-se no lugar do Lula e seus familiares. Por um acaso vocês acham que é brincadeira a pressão psicológica e emocional e todo o desgaste dele advindo que o conluio mídia de massa-República de Curitiba lhes infligiu acusando-lhes de tudo quanto é coisa frívola, perseguindo-lhes ferozmente e querendo a todo custo prender o Lula (vale ressaltar que o golpe, para sua consolidação, precisa que Lula seja preso ou então inabilitado de disputar as eleições 2018), com direito a seus nomes aparecendo nos jornais praticamente que o tempo envolvido em escândalos esdrúxulos? Não se esqueçam de que foi sob uma pressão desse tipo que Getúlio Vargas se matou em 1954.
Aproveito esse momento não só para deixar minhas condolências a família Lula, mas também para falar a respeito de certo personagem (o qual com o poder e o prestígio que tem agora não vai parar por aí) e sua real face. Na semana retrasada, tive uma discussão no Facebook com alguns indivíduos, que postaram uma notícia a respeito do recente discurso da presidente deposta Dilma Rousseff na Espanha. Lá eu disse que o juiz Moro não é flor que se cheire, e um deles me perguntou se eu pertencia a alguma quadrilha criminosa ou coisa do tipo por ter dito aquilo. Outro disse que o juiz Sérgio Moro, por supostamente ser um herói que combate o flagelo da corrupção no Brasil, não pode ser criticado. Ou seja, fui apedrejado verbalmente por esses indivíduos só por ter ousado criticar o juizeco de Maringá (e ainda bloqueado por um deles).
Mais uma vez estou usando o espaço do blog para lavar roupa suja de discussões de fóruns e redes sociais. Como dito em um artigo anterior, não acho que aqui seja o espaço adequado para tal, mas levando em consideração a veneração que o juiz paranaense tem entre parte significativa da população brasileira e vendo o grau de bovinidade da população quanto a isso (que se manifesta, por exemplo, nas manifestações de rua verde-amarelas em que eles prestam apoio ao juizeco), resolvi tratar disso no presente artigo. Por várias razões o juiz Moro, ao contrário do que a boiada pensada, não é o herói e o paladino que eles pensam que é. E por que não é? Abaixo serão listadas algumas razões pelas quais essa imagem que se criou em torno dele e da Operação Lava Jato não passa de uma farsa, uma ideologia barata criada pelos grandes meios de comunicação como a Rede Globo e a Revista Veja. Esse artigo é destinado especialmente a você, plebeu, que apoia de forma incondicional as ações do juiz Moro, Dallagnol e companhia limitada e que fica jogando confete para ele em manifestações de rua e em redes sociais, para lhe mostrar o que você está apoiando com isso e a que está levando.

Foto – Marisa Letícia Lula da Silva (1950 – 2017).
Caráter de classe elitista da justiça brasileira – Para começo de conversa, a justiça brasileira possui um caráter de classe elitista muito forte. A boiada, do alto de sua mediocridade, pensa que gente como Moro, Dallagnol e companhia limitada são como se fossem paladinos da justiça e da moralidade e que legislam pelo bem comum da sociedade brasileira de forma abnegada. Nada mais falsa tal imagem. Gente como Moro, Dallagnol e companhia limitada acima de tudo defendem os interesses de classe de sua categoria e legislam em favor da classe dominante. Ou seja, a justiça que eles exercem está muito mais voltada para atender aos interesses de FIESP, FEBRABAN, Itaú, Santander e bancada ruralista que aos favelados do Rio de Janeiro ou os retirantes nordestinos. Ou será que é por um mero acaso que o Maluf dizia “eu confio na justiça brasileira”? Pois se há algo que a Operação Lava Jato escancarou ao Brasil a respeito do judiciário é justamente tal fato.
Para uma pessoa poder se tornar juiz aqui no Brasil, o indivíduo precisa, além de fazer um concurso público e estudar direito durante muitos anos em uma faculdade de magistratura, fazer uma entrevista pessoal onde tem grande peso fatores como o fato de a pessoa pertencer a uma família tradicional e ter amizades com autoridades constituídas do status quo vigente, entre elas políticos tradicionais e grandes empresários. Isso para não falar do fato de que não existem eleições para a ocupação de cargos dentro do Judiciário. Tudo isso visando à perpetuação ad eternum do status quo privilegiado da classe dominante nacional.
Segundo matéria do site DCM a respeito das raízes familiares do juiz Moro, filho de professores reacionários de Maringá, só foi andar de ônibus pela primeira vez aos 18 anos e até próximo aos 30 anos não sabia o que era um pobre. Seu pai, Dalton Áureo Moro (falecido em 2005), teria sido segundo a mesma matéria ocupado um cargo público nomeado por políticos da ARENA (o partido de sustentação ao Regime Civil-Militar), era frequentador do Country Club da cidade (clube de elite onde o título hoje custa cerca de R$ 30 mil) e um dos fundadores do núcleo tucano de Maringá. Em 2002, Dalton Moro teria ido a uma locadora de Maringá e ao saber que seu dono ia votar no Lula no pleito presidencial daquele ano, disse que nunca mais entraria naquele estabelecimento por causa de sua opção política. Ou seja, o background social e ideológico perfeito para ser aceito como juiz pela elite brasileira.
Vida nababesca – A coxinhada gosta de falar que Lula, Dona Marisa, Dilma e outros petistas (e que a mídia de massa vive reverberando periodicamente) desfrutaram de supostas mordomias enquanto estiveram no poder, a tal ponto que nas redes sociais alguns desses elementos que torceram pela morte da ex-primeira dama do Brasil após a notícia que ela teve um AVC tem que se tratar no SUS. Mas e o paladino deles, cuja categoria é notória por seus salários altíssimos, geralmente muito acima do salário da maioria da plebe do país e levar uma vida cheia de mordomias, como fica? Segundo dados do site TRF4, em janeiro último o juiz Moro recebeu no total a quantia de R$ 61.056,61, e em dezembro do ano passado R$ 102.151,58. Ou seja, ele é um parasita que vive à custa do Estado Brasileiro.
O Brasil possui uma das justiças mais caras do mundo (para além de ineficaz, classista e partidária até a medula), que anualmente consome cerca de 2% de todo o orçamento da União (isso ao mesmo tempo em que o Bolsa Família só consume 0,47% e as Forças Armadas 1,40% do mesmo orçamento). Também é comum juízes ganharem salários acima do teto permitido por lei, que é de R$ 33.763,00. Uma breve pesquisa no TRF4 mostra bem isso.
Caso Banestado – O Caso Banestado foi um caso que envolveu o envio ilegal de US$ 124 bilhões para o exterior por meio do sistema financeiro público brasileiro na segunda metade dos anos 1990. Em 2003 foi feita uma investigação federal, seguido da instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.
E sabem quem foi o juiz desse caso? Sérgio Fernando Moro. E sabem quem era o doleiro desse caso? O mesmo Alberto Yousseff que se encontra sob a mira da República de Curitiba. Entretanto, tal caso não teve a mesma repercussão que o Petrolão teve. Apurou-se que cerca de US$ 124 bilhões foram enviados e depois lavados no exterior e que estiveram envolvidas grandes empresas como a Rede Globo e políticos de alto escalão (entre eles tucanos de alta plumagem). Entretanto, as investigações desse caso terminaram em pizza. Ou seja, deram em nada. Como sempre acontece em casos de corrupção tupiniquins, se jogou pesado contra laranjas e apenas bodes expiatórios foram presos. Mas os chefões do esquema não foram pegos. Tucanos e aliados foram denunciados pelo procurador Celso Três e pelo delegado José Castilho, que por sua vez se deram mal, tiveram suas carreiras encerradas e desde então se tornaram críticos das instituições em que trabalham. Esse foi o primeiro grande caso que esteve nas mãos de Moro.
Partidarismo – Se há algo que o juiz Moro demonstrou ao longo das investigações da Operação Lava Jato é que ele é um sujeito extremamente partidário. Haja vista que ele, ao mesmo tempo em que persegue ferozmente os petistas e seus aliados, passa a mão na cabeça dos tucanos deletados, alguns deles de alta plumagem (entre eles José Serra, Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves e Geraldo Alckmin). Além disso, ele já deu palestras para João Dória, o atual prefeito de São Paulo. No que o torna em nada mais que um político togado.

Foto – Moro e Dória.
A própria família de Moro, diga-se de passagem, possui estreitas ligações com o tucanato (o qual é o partido favorito da maioria esmagadora dos juízes e magistrados do Brasil). O seu pai, como dito no primeiro item, teria sido um dos fundadores do núcleo tucano de Maringá. Sua esposa, por sua vez, segundo matéria originalmente publicada em 2014 no i9, é assessoria jurídica de Flávio José Arns (o vice do governador do Paraná, o tucano Beto Richa e sobrinha de Zilda Arns e Dom Paulo Evaristo Arns) e é membra do escritório de Advocacia Zucolotto Associados de Maringá, o qual defende várias empresas do ramo petrolífero (entre elas a INGRAX e a Helix da Shell Oil Company [subsidiária nos EUA da Royal Dutch Shell, multinacional petrolífera de origem anglo-holandesa, uma das maiores do ramo no mundo e uma das principais concorrentes de mercado da Petrobrás] e do ramo de farmácias e clínicas médicas). Ou seja, ela é ligada a uma das principais concorrentes de mercado da Petrobrás. Além disso, seu irmão César é igualmente raivosamente anti-petista.
O surgimento da Operação Lava Jato – Segundo o jornalista Pepe Escobar, a operação Lava Jato começou da seguinte forma: os EUA precisavam escolher uma parte do sistema judiciário brasileiro para que pudesse se acomodar a seus interesses, e assim escolheram o juiz Moro, que já tinha trabalhado no Departamento de Estado dos EUA anos antes e que já estava em sua lista de contatos, para iniciar tal operação. De um dia para outro, caíram nas mãos do juizeco paranaense uma quantidade gigantesca de informações obtidas sobre tudo o que acontecia nos altos escalões da Petrobrás. De onde veio essas informações? Por meio dos dados obtidos por meio da espionagem feita pela NSA (National Security Administration) sobre a Petrobrás (que como todos nós sabemos existe todo um interesse dos grandes conglomerados petrolíferos internacionais em se apoderar do pré-sal). Tal espionagem, que também se estendeu ao governo brasileiro, foi denunciada por Edward Snowden e pelo Wikileaks, mas não teve a devida atenção da parte da presidente Dilma (a qual teve seu celular espionado na época). Um de seus informantes era um sujeito que fazia mercado negro de dólar, que era a cobertura dessa operação toda. Assim teve início a Operação Lava Jato, cujo objetivo inicial era supostamente desmontar uma “célula criminosa” dentro da empresa estatal. Acompanhado de vários procuradores regionais e alguns outros nacionais, identificaram suspeitos dentro da Petrobrás e fizeram toda uma ligação entre Petrobrás e várias empreiteiras. E assim a Operação Lava Jato deu seus primeiros passos, ainda em 2014.
Ilegalidades – Por muitos juristas, o juiz Moro cometeu uma série de ilegalidades no curso de suas investigações, e a mais notória delas foi a divulgação na imprensa de conversas telefônicas entre Lula e Dilma. Posteriormente, ele, que vive falando que os Estados Unidos são um exemplo a ser seguido pelo Brasil, foi questionado pelo deputado petista do Rio Grande do Sul Paulo Pimenta, que lhe perguntou o que aconteceria com um juiz de primeira instância de um Estado dos Estados Unidos caso divulgasse na imprensa uma conversa telefônica por ele captada entre Bill Clinton e Barack Obama ou de uma condução coercitiva como a feita contra Lula para gerar manchetes na mídia de massa. Diante dos questionamentos de Paulo Pimenta, o juizeco de Maringá se esquivou de respondê-lo. Também fez o mesmo com a já citada conversa entre Marisa Letícia e seu filho onde ela se indigna diante dos paneleiros.
O que ele tem feito contra Lula e sua família é algo que alguns especialistas chamam de lawfare. Law em inglês significa lei, e fare vem de warfare, que significa guerra, estado de guerra. Em outras palavras, lawfare consiste do uso de dispositivos legais para atingir um determinado alvo político, e tudo isso com um verniz de legalidade para justificar tal ato perante a população acompanhado de ampla cobertura da imprensa, de forma a constranger o inimigo diante das acusações (por mais fajutas, ridículas e sem provas que sejam). Procedimento semelhante tem sido feito na Argentina contra Cristina Kirchner e no Paraguai contra Fernando Lugo, os quais tal como Lula aqui no Brasil despontam como líderes em intenções de votos em pesquisas eleitorais.
Vende-Pátria – Segundo documentos do Wikileaks, o juiz Sérgio Moro, junto com outros de seus colegas da Operação Lava Jato, participou do seminário “Projeto Pontes: construindo pontes para a aplicação da lei no Brasil”, realizado no Rio de Janeiro em outubro de 2009, que contou com a presença de membros seletos da Polícia Federal, Judiciário, Ministério Público e autoridades norte-americanas. Juízes e promotores federais de todos os estados brasileiros, além de 50 policiais federais, participaram desse seminário, que também contou com participantes do México, Costa Rica, Panamá, Argentina, Uruguai e Paraguai. Tal seminário buscava consolidar treinamento bilateral de aplicação das leis e habilidades práticas de contraterrorismo. O que mostra as ligações de Moro, Dallagnol e companhia limitada com o imperialismo das nações hegemônicas. Algo que deveria ser posto a escrutínio público.
Isso para não falar do caso do almirante Othon Pinheiro da Costa, o pai do programa nuclear brasileiro e em 2005 assumiu a presidência da Eletronuclear. Em sua gestão, as obras da usina Angra 3, que estiveram paralisadas por 23 anos, foram retomadas. Até que em abril de 2015 foi afastado de seu cargo depois que apareceram denúncias de pagamento de propina a dirigentes da empresa e preso em 28 de julho por causa das investigações da Operação Lava Jato, voltando a ser preso novamente pela PF em seis de julho de 2016. Por causa disso recebeu 43 anos de prisão por decisão de Marcelo Bretas (o qual foi descrito por Osvaldo Bertolino como “cópia piorada de Sérgio Moro”), juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio. Com tal pena ele, que já tem 77 anos de idade, só sairá de lá aos 120 anos. Ou seja, quando já estiver morto. Ele, que, além disso, também teve sua filha condenada a uma pena de 14 anos. Não duvido nem um pouco que Moro e sua trupe, levando em consideração suas ligações com o imperialismo e o que tem feito desde que Operação Lava Jato teve início, fariam o mesmo com Bautista Vidal, o pai do pró-Álcool e falecido desde 2013, caso ainda estivesse vivo.

Foto – Othon Pinheiro da Costa, o pai do programa nuclear brasileiro.
A crise na engenharia brasileira – Moro e seu séquito se gabam de terem recuperado aos cofres da nação cerca de R$ 2 bilhões. Entretanto, suas ações ao mesmo tempo causaram um dano na economia brasileira muito maior, avaliado em cerca de R$ 140 bilhões, como mostra o documentário do You Tube “Destruição a Jato”. Ou seja, um saldo negativo de R$ 138 bilhões. E isso para não falar do desemprego causado pelas ações de Moro e companhia limitada por causa da interrupção de empreendimentos, alguns deles em estágio avançado de execução, tais como as obras do COMPERJ, Angra III, o submarino a propulsão nuclear, a refinaria Abreu e Lima no Nordeste, o estaleiro Enseada do Paraguaçu em Maragogipe na Bahia (que em fevereiro de 2015 tinha mais de 80% de suas instalações concluídas e que em seu ápice chegou a empregar 4000 operários), o estaleiro Mauá em Angra dos Reis no Rio de Janeiro (o qual teve que demitir 2500 operários de suas obras) e outras tantas. Por causa das ações do juiz Moro e sua gangue, a engenharia brasileira se encontra sob uma forte crise devido às paralisações decorrentes dos processos jurídicos a que estão respondendo, e assim são demitidos milhares de profissionais (principalmente engenheiros) e obras são suspensas. Calcula-se que os processos das Operações Lava Jato e Zelotes geraram cerca de um milhão de desempregados (sendo 140 mil deles na construção civil, mais de 170 mil na Petrobrás e cerca de 50 mil na Odebrecht[1]), segundo matéria do Estadão.
Ou seja, as vidas de milhões de pessoas foram afetadas pelas as ações de Moro, Dallagnol e companhia limitada. E com isso se segue um grande desmonte da infraestrutura econômica brasileira, levando adiante assim o sonho de Fernando Henrique Cardoso quando disse que queria enterrar com a Era Vargas. E, após o fim do desmonte, ocorrerá aqui no Brasil o mesmo que aconteceu no Iraque após a queda de Saddam Hussein e na Líbia após a queda de Muammar al-Kadaffi: multinacionais como a Halliburton ocuparão o espaço antes ocupado pela Odebrecht e outras empresas da engenharia nacional, no que implicará uma transnacionalização ainda maior da economia brasileira (segundo o documentário “Destruição a Jato”, empresas chinesas já estão ocupando o espaço antes ocupado pelas empreiteiras nacionais no Brasil e na América Latina). E o mais trágico de tudo é que enquanto que empresas como a Halliburton tiveram que recorrer a invasões militares para meter a mão na infraestrutura do Iraque e da Líbia, aqui no Brasil foi preciso apenas a ação de um judiciário vendido a interesses internacionais em conluio com a mídia de massa, igualmente vendida a interesses internacionais.
Moro e seus sequazes gostam muito de citar os Estados Unidos como um exemplo de país a ser seguido pelo Brasil. E aí eu pergunto será que lá, na Alemanha ou no Japão seria permitido a ele fazer o que tem feito com empresas como a Odebrecht, Andrade Gutierrez, Engevix e outras (ou seja, investigar os corruptos, prendê-los e em seguida fazer tábua rasa das empresas, reduzindo-as a escombros)? A resposta para essa pergunta é não. Se o dirigente de uma empresa como a Wolkswagen, a Mercedes Benz, a Halliburton, a Mitsubishi ou a General Motors é indiciado e preso por causa de alguma falcatrua, apenas ele é preso, ao passo que o corpo e o conjunto da empresa, como uma entidade que gera tecnologias, divisas e empregos para o país, é mantida intacta. É o que foi feito na Alemanha no pós-guerra com algumas empresas que estiveram envolvidas com o regime hitlerista. Como foi o caso da indústria química IG Farben, que no pós-guerra ao invés de ser dissolvida foi dividida em quatro firmas: Henkel, Hoechst, Bayer e a Basf. Caso ele resolvesse fazer o que faz com a Odebrecht com alguma grande empresa da Alemanha, dos EUA ou do Japão, certamente teria suas asinhas cortadas e seria exonerado de suas funções, no mínimo. Pelo visto, ele, Dallagnol e companhia passam suas temporadas de estudos nos Estados Unidos e depois de um voltam abobados (se é que já não o eram antes) a respeito do que são os Estados Unidos e seu funcionamento, a tal ponto de o fundamentalista religioso Dallagnol ter dito uma vez que a diferença de desenvolvimento entre Brasil e Estados Unidos se deu por causa do fator religioso dos colonos que povoaram os dois países durante o período colonial (assim não levando em consideração, por exemplo, o fato de que os EUA, desde que se tornou independente da Inglaterra, sempre praticou um forte protecionismo de seu mercado interno).
Mãos Limpas – Em 2004, o juiz Moro escreveu um artigo de sete páginas a respeito da Operação Mãos Limpas (em italiano Mani Puliti), ocorrida na Itália nos anos 1990. Essa operação policial é a grande inspiração da Lava Jato. E qual foi o resultado prático dessa operação policial, que em dois anos expediu 2993 mandados de prisão e colocou 6059 pessoas sob investigação? Economicamente, foi desastrosa para a Itália, já que fez uma devassa em empresas nacionais e ao mesmo tempo não tocou em multinacionais. E hoje vemos a Itália como sendo um dos países periféricos da União Européia que periodicamente se encontram sob situação de crise econômica e submetidos às políticas de austeridade impostas pela Alemanha. A tal ponto que hoje em dia o país peninsular, junto com Espanha, Portugal, Irlanda e Grécia, faz parte daquilo que a imprensa anglófona chama de PIIGS, como uma referência ao péssimo desempenho econômico dos cinco países desse grupo, cujas economias foram consideradas particularmente vulneráveis por causa do alto endividamento e do alto déficit público em relação ao PIB. E politicamente, abriu o caminho para Silvio Berlusconi se tornar o poderoso chefão da Itália, na medida em que enfraqueceu as principais forças políticas do país que lhe poderiam fazer frente em termos eleitorais. E de cereja do bolo, segundo artigo publicado no Esquerda Diário, os procuradores de lá também tinham seus contatos com magistrados norte-americanos.
Conclusão
Esse é um momento em que o vulcão da luta de classes que permeia a sociedade brasileira desde os primórdios de sua história está mais ativo que nunca, expelindo lava para tudo quanto é canto (vulcão esse que até os eventos de junho de 2013 estava adormecido). A idolatria que os coxinhas tem para com o juiz Moro nada mais é que uma manifestação disso, a tal ponto de tratá-lo como se fossem um herói de moral ilibada. É uma imagem que os grandes veículos de comunicação nacionais criaram em torno dele e que é tão verdadeira quanto uma nota de 1000 reais. Mas, como visto nos casos das obras citadas no penúltimo item, ele e sua equipe não tiveram a menor consideração pelos empregos daqueles que trabalhavam em empresas como a Odebrecht e a Camargo Correa e que estavam empregadas em várias obras. E que certamente não terá a menor clemência na hora em que ele resolver investigar o teu empregador por supostamente receber alguma propina do Marcelo Odebrecht ou do Eike Batista. Vai passar o lança-chamas na empresa onde você trabalha, a reduzirá a cinzas e você ficará sem teu ganha-pão diário tal qual tem feito com a Odebrecht. E se ele pinta e borda em cima do Marcelo Odebrecht, do Othon Pinheiro da Silva e do Eike Batista, o que dirá do teu empregador caso ele resolva investigá-lo? Na certa o olho da rua o aguarda.
E, se o juiz Moro faz o que faz para cima do Lula, da Dona Marisa e outros petistas, o que dirá de você, pobre mortal, quando resolver te mover alguma ação penal ou judicial? Acha que o juiz Moro, Dallagnol e companhia limitada terão clemência de você, que tanto jogou confete para eles em manifestações de rua, que tanto inflou bonecos do Lula e da Dilma com roupa de presidiário e colocou adesivos em seu carro dizendo que apoia a autonomia da Polícia Federal? Não, você, que no fim não passou de massa de manobra dele e dos grandes meios de comunicação, não terá clemência alguma. Não terão pudor algum em te colocar na prisão por 30 anos ou mais e sentirá na pele o mesmo que o Lula e a família dele, o Othon Pinheiro da Costa, o José Dirceu e tantos outros sentiram diante do lawfare deles. Além disso, você acha que ele, do alto de suas mordomias, constantes idas aos EUA e vida nababesca regada a salários muito acima do teto permitido por lei, se importa de verdade com você? Ele, que é um sujeito reacionário até a medula e que mal sabia o que era pobre até próximo dos 30 anos de idade? Não, ele está nem aí para você. Ele é uma pessoa que vive em sua redoma particular, isolado totalmente do mundo em que você vive. Ele está pouco se lixando se você está desempregado ou não, ou qualquer outro problema que o flagele. Até por que isso não é problema dele.
Ou seja: vocês, ao jogar confetes para esses juízes e promotores e pedindo impeachment da Dilma, Lula na cadeia, morte a Dona Marisa e fora PT, estão é chocando o ovo da serpente que mais cedo ou mais tarde irá lhes picar. E essas picadas serão recheadas do mais letal veneno, cujo sabor será o mais amargo possível. Apenas lhes peço uma coisa: acordem para a realidade antes que seja tarde demais. Caso contrário, a Ditadura do Judiciário, que Ruy Barbosa classificou como a pior ditadura existente, lhe aguarda ali na esquina. E antes que o Brasil, que antes da Lava Jato começar passava por um momento de otimismo econômico, se torne economicamente a Itália latino-americana.

Foto – A frase atribuída a Ruy Barbosa sobre a ditadura do judiciário.
Fontes:
A justiça mais cara do mundo. Disponível em: http://oglobo.globo.com/opiniao/a-justica-mais-cara-do-mundo-19689169
A Lava Jato destrói empresas nacionais e desemprega milhões! Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=wPqMlVmrlG4
A verdade sobre a Operação Lava Jato. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=PifSN8mVMh4
Bandeira de Mello: morte de Marisa foi só celebrada pela escória humana. Disponível em: http://www.brasil247.com/pt/247/sp247/278579/Bandeira-de-Mello-morte-de-Marisa-s%C3%B3-foi-celebrada-pela-esc%C3%B3ria-humana.htm
Banestado: ali começou o “não vem ao caso”. Disponível em: https://www.conversaafiada.com.br/politica/banestado-ali-comecou-o-nao-vem-ao-caso
Como foi a Operação italiana que teria inspirado a “Lava Jato”? Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/11/141115_maos_limpas_italia_ru
Documentário: “Destruição a Jato”. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=o_c_-9uso4c
Empresas investigadas na Lava Jato e Zelotes equivalem a 14% do PIB. Disponível em: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,empresas-investigadas-na-lava-jato-e-zelotes-equivalem-a-14-do-pib,10000057996
Engenheira brasileira vive a maior crise. Disponível em: https://www.conversaafiada.com.br/economia/engenharia-brasileira-vive-a-maior-crise
Escândalo do Banestado. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%C3%A2ndalo_do_Banestado
Judiciário, reacionário por sua própria natureza. Disponível em: http://causaoperaria.org.br/judiciario-reacionario-por-sua-propria-natureza/
Juízes estaduais e promotores: eles ganham 23 vezes mais do que você. Disponível em: http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2015/06/juizes-estaduais-e-promotores-eles-ganham-23-vezes-mais-do-que-voce.html
Justiça condena ex-presidente da Eletronuclear a 43 anos de prisão. Disponível em: http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,justica-condena-ex-presidente-da-eletronuclear-a-43-anos-de-prisao,10000066863
Lawfare à brasileira. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=x9HkUSSABms
Lista com salários de juízes e desembargadores cai na net e causa indignação. Disponível em: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/lista-com-salario-de-juizes-e-desembargadores-cai-na-internet-e-causa-indignacao/
Mãos Limpas quebrou a Itália, Lava Jato quebrou o Brasil. Disponível em: http://www.dm.com.br/geral/2015/04/maos-limpas-quebrou-a-italia-lava-jato-quebra-o-brasil.html
Moro aos questionamentos de Paulo Pimenta: “não vou comentar”. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=TlNC5RFmLew
O plano “Mãos Limpas” de Sérgio Moro e os interesses dos EUA. Disponível em: http://esquerdadiario.com.br/spip.php?page=gacetilla-articulo&id_article=11749
Pessoas torcem pela morte de Dona Marisa após AVC. Disponível em: https://conexaopol.blogspot.com.br/2017/01/pessoas-torcem-pela-morte-de-dona.html
Quanta coincidência! Quem julga o julgador? Disponível em: https://theotoniodossantos.blogspot.com.br/2016/03/quanta-coincidencia-quem-julga-o.html
Sérgio Moro e Marcelo Bretas, comportando-se como crianças, comandam jogo mortal para o Brasil. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=PW4E-5dp_io
TRF4 – Acesso à Informação – Consulta Remuneração. Disponível em: http://www2.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=contracheque_transparencia#
Wikileaks: EUA criou curso para treinar Moro e outros juízes. Disponível em: http://www.esquerdadiario.com.br/Wikileaks-EUA-criou-curso-para-treinar-Moro-e-juristas
Wikileaks vaza bilhete sobre cooperação entre Sérgio Moro e EUA. Disponível em: http://www.ocafezinho.com/2016/03/23/wikileaks-vaza-bilhete-sobre-cooperacao-entre-sergio-moro-e-eua/



NOTA:

[1] Leia-se “Odebrerrt”, pois no alemão (o sobrenome Odebrecht é de origem germânica) a partícula ch tem o mesmo do j no espanhol, do kh no russo e do h no inglês e no húngaro: r aspirado.